Fast Tennis: ele encontrou no esporte uma forma de relaxar e criou rede que deve faturar R$ 100 milhões neste ano
Fundada em Belo Horizonte, a franquia soma mais de 50 unidades em operação e outras 130 em fase de implantação

O que começou como uma forma de aliviar a rotina intensa de executivo acabou se transformando em negócio. Foi no tênis que Lucas André, de 41 anos, encontrou uma pausa no dia a dia — e, ao mesmo tempo, uma oportunidade.
Ao colocar na ponta do lápis custos como aluguel, número de alunos e operação, percebeu que havia espaço montar uma empresa com marca forte e foco na experiência do cliente. A partir disso, nasceu a Fast Tennis, rede de academias que soma mais de 50 unidades em operação e outras 130 em fase de implantação.
O crescimento acompanha uma mudança no perfil de quem busca o esporte. Em vez de um ambiente voltado à competição, a proposta da rede prioriza aulas mais dinâmicas, flexíveis e com foco em bem-estar e regularidade.
A empresa afirma ter investido mais de R$ 3 milhões em tecnologia para digitalizar a gestão das quadras e organizar a operação com base nesse comportamento.
Cada quadra atende, em média, entre 180 e 200 alunos recorrentes por mês — base que sustentou um faturamento de R$ 25 milhões em 2025. Para 2026, a meta é chegar a R$ 100 milhões e alcançar 150 unidades em funcionamento.
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Fast Tennis: começo enxuto e teste na prática
A Fast Tennis foi fundada em 2018 com um investimento inicial de R$ 6 mil. O valor foi direcionado à adaptação de uma quadra já existente, em Belo Horizonte (MG).
“Fizemos melhorias básicas, como pintura dos banheiros, compra de rede e o primeiro estoque de bolinhas”, afirma o empreendedor.
A primeira unidade nasceu com uma estratégia pouco comum: funcionamento gratuito. A ideia era testar o interesse do público antes de estruturar o modelo de negócio. “Disponibilizamos a quadra para uso livre e oferecemos aulas gratuitas no primeiro mês. Enquanto as pessoas jogavam, a gente se aproximava, entendia as necessidades e fazia a prospecção”, diz.
A resposta ajudou a validar a proposta e mostrou que havia demanda reprimida pelo esporte — especialmente em um formato mais acessível e menos formal que o dos clubes tradicionais.
Da carreira em televendas ao empreendedorismo
Antes de empreender, Lucas construiu carreira no setor de televendas. Começou em 2003 como operador de telemarketing e passou por empresas como Contax, Oi, Claro e GDAX, onde permaneceu por 11 anos. “Atuei nas áreas de operações e televendas ao longo desse período”, afirma.
A trajetória teve obstáculos. Após a morte do pai, ainda jovem, mudou-se para Belo Horizonte para estudar e trabalhar. Em um dos primeiros empregos, em call center, teve dificuldades para se destacar por ser gago. No primeiro mês, ficou entre os últimos colocados em um ranking de vendas.
A mudança veio a partir de uma adaptação no próprio atendimento. Inspirado por uma história que ouvia da avó, passou a conduzir as ligações de forma “cantada”, o que ajudou a contornar a dificuldade na fala. A estratégia, segundo ele, melhorou o desempenho e o levou às primeiras posições em equipes com centenas de vendedores.
Anos depois, já como sócio-diretor de uma empresa do setor, liderava uma equipe com mais de 300 pessoas. Foi nesse período, já no auge da carreira executiva, que o tênis entrou na rotina — inicialmente como lazer e, depois, como ponto de partida para o negócio.
Modelo de operação e proposta ao aluno
A Fast Tennis foi criada em parceria com o ex-colega de trabalho Felipe Souza. Juntos, estruturaram o modelo da rede, baseado em aulas com horários flexíveis e uma abordagem mais leve do aprendizado.
A empresa trabalha com planos de assinatura mensal, vendidos diretamente pela rede. A proposta é manter o aluno ativo ao longo do tempo, priorizando recorrência em vez de consumo pontual. A operação também dispensa competições formais, focando na experiência e no engajamento.
Segundo André, a construção do modelo partiu da observação do comportamento do próprio aluno. “Identificamos que as pessoas buscam uma experiência que equilibre aprendizado, bem-estar e diversão”, afirma.
Expansão via franquias e desafios de crescimento
O crescimento da Fast Tennis ocorre principalmente por meio de franquias. A rede já comercializou mais de 200 unidades, embora muitas ainda estejam em implantação. O ritmo de vendas gira em torno de 10 novas franquias por mês.
Apesar da expansão acelerada, o fundador afirma que o principal desafio está na execução. “Mais importante do que vender franquias é garantir o sucesso de quem já está na rede”, diz. “Quando o franqueado tem resultado, com crescimento de receita e controle de custos, o modelo se sustenta.”
Segundo dados da empresa, o investimento inicial para abrir uma unidade é de cerca de R$ 400 mil, incluindo taxa de franquia, implementação, construção e capital de giro. O faturamento mensal varia entre R$ 60 mil e R$ 150 mil, com prazo de retorno estimado em 18 meses.
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