Quanto custa evitar o pior? Para o FGC, R$ 57,4 bilhões após crise do Banco Master
Em relatório anual, fundo afirma que bancou garantias, fez empréstimos e ainda viu indicador de liquidez cair abaixo do nível recomendado

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) encerrou 2025 com um déficit expressivo e atuação intensa para conter riscos ao sistema financeiro — em um ano marcado pela liquidação do Banco Master e por uma das maiores operações de suporte da história da entidade.
Segundo o relatório anual divulgado nesta terça-feira (28), o FGC registrou patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões ao fim de 2025, já considerando um déficit de R$ 17,1 bilhões provocado pela provisão para pagamento de garantias a credores. A liquidez, por sua vez, ficou em R$ 123,4 bilhões.
Em 2025, o fundo também completou 30 anos e, de acordo com o diretor-presidente Daniel Lima, passou por um “teste de confiança” em meio à crise envolvendo o Master.
“O FGC recebeu da sociedade brasileira o maior reconhecimento que poderia almejar: a ampla confiança de depositantes e investidores na efetividade da garantia”, afirmou.
Socorro ao Banco Master e teste de estresse do FGC
O episódio mais relevante do ano foi a operação de suporte ao conglomerado do Banco Master, iniciada em maio.
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A medida permitiu honrar pagamentos a credores com instrumentos cobertos pelo FGC enquanto se avaliava uma possível operação com o BRB, posteriormente rejeitada pelo Banco Central em setembro.
A estratégia envolveu liberações semanais de recursos por meio da emissão de letras financeiras destinadas exclusivamente ao pagamento de passivos elegíveis. Ao fim de 2025, essas emissões somavam R$ 5,7 bilhões.
- Leia também — A conta chegou: FGC confirma antecipação de 5 anos de contribuições para cobrir rombo do Master
A estrutura, segundo o próprio FGC, buscou minimizar perdas maiores, já que um cenário de liquidação imediata poderia consumir cerca de metade do caixa do fundo.
“O grande teste de nossa capacidade de atuação ocorreu em 2025, ano que teve início com a iminência de caracterização de evento de iliquidez do conglomerado do Banco Master, cuja eventual liquidação poderia consumir cerca de metade do caixa do FGC”, afirma o relatório.
Provisões bilionárias e exposição ao conglomerado
A crise se aprofundou com a liquidação extrajudicial de instituições do grupo, incluindo Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank, levando o FGC a provisionar R$ 40,6 bilhões para pagamento de garantias.
Em 2026, novas liquidações, envolvendo Will Bank e Banco Pleno, adicionaram mais R$ 11,1 bilhões às provisões. No total, o fundo estima R$ 51,8 bilhões destinados ao pagamento de garantias relacionadas ao caso.
Além disso, o FGC manteve exposições diretas por meio de empréstimos às instituições envolvidas.
Ao fim de 2025, o saldo dessas operações incluía R$ 2,878 bilhões ao Banco Master, R$ 1,824 bilhão ao Will Bank, R$ 801 milhões ao Banco Pleno e R$ 291 milhões à Master de Investimentos.
Considerando tanto as garantias quanto as operações de assistência, o impacto total nas reservas do fundo alcança cerca de R$ 57,4 bilhões.
Apesar do volume expressivo, o pagamento aos credores avançou rapidamente. Cerca de R$ 49 bilhões já foram desembolsados para quase 870 mil pessoas, o equivalente a 94,5% do total previsto.
A velocidade na liberação dos recursos é apontada no relatório como fator-chave para evitar efeitos mais amplos sobre o sistema financeiro e preservar a confiança dos investidores.
FGC: recomposição de caixa e pressão sobre indicadores
Para recompor parte das reservas, o FGC recebeu entre 23 e 25 de março de 2026 uma antecipação de contribuições das instituições associadas, no valor de R$ 32,2 bilhões — equivalente a 60 meses de aportes.
Com os impactos das liquidações e essa recomposição, o fundo estima que seu patrimônio líquido ficaria em torno de R$ 112 bilhões, enquanto a liquidez seria de aproximadamente R$ 103 bilhões, equivalente a 1,86% dos depósitos elegíveis.
- Leia também: Conselho Monetário Nacional aperta regras do FGC e impõe novas travas a grandes emissões de CDB, LCI e LCA
O movimento evidencia a pressão sobre os indicadores. O regulamento do FGC prevê uma liquidez mínima de 2,5% dos depósitos elegíveis.
Ao fim de 2025, antes do início dos pagamentos relacionados ao caso Master, esse índice estava em 2,23%. Com os desembolsos, chegou a cair para 1,28%, recuperando parcialmente após a antecipação das contribuições.
Crescimento dos depósitos e desempenho financeiro
Apesar da turbulência, os números operacionais mostram expansão. Os depósitos elegíveis à garantia somaram R$ 5,53 trilhões em 2025, ante R$ 5 trilhões em 2024.
Desse total, R$ 2,65 trilhões estavam dentro dos limites de cobertura do FGC, enquanto, em termos de contas, 99,65% estavam totalmente cobertas.
Os depósitos a prazo ganharam ainda mais espaço e passaram a representar 58,7% do total, após crescimento anual de 11,81%.
Do lado financeiro, o fundo teve desempenho robusto. O resultado dos investimentos alcançou R$ 21,8 bilhões, mais que o dobro do registrado no ano anterior, com rentabilidade equivalente a 99,39% da Selic média. As contribuições das instituições associadas somaram R$ 6,3 bilhões.
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