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RENDA FIXA

Tesouro Direto: Prefixado a 14% e IPCA + 8% aqui não! Tesouro Nacional vai às compras e isso é bom para a sua carteira

Iniciativa do Tesouro acalmou o mercado de títulos públicos e tende a diminuir preços e taxas diante da crise com a guerra no Oriente Médio

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Baú cheio de moedas, com a logo do Tesouro Nacional ao lado. - Imagem: Canva | Montagem: Maria Eduarda Nogueira

Quem acha que a guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, é um problema apenas para quem investe em ações e afins, está bastante enganado. O impacto na renda fixa é tão grande quanto — a ponto de o Tesouro Nacional ter precisado intervir nos títulos públicos.

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Na semana passada, o mercado secundário de títulos públicos passou por um estresse agudo — o que se refletiu nas taxas do Tesouro Direto.

O Tesouro Prefixado 2029 bateu o recorde de 14,25% ao ano, enquanto os papéis atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) namoraram a marca de 8% de juro real, com o vencimento 2032 chegando a 7,93% de taxa acima da inflação.

Esses níveis de juros nos títulos do Tesouro Direto não eram vistos há meses, desde que o mercado começou a precificar o início do ciclo de cortes na taxa Selic, no ano passado.

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No entanto, a crise no Oriente Médio e os temores em relação ao abastecimento mundial de petróleo, que ameaça uma nova onda inflacionária global, mudaram as expectativas dos agentes financeiros.

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Diante das disparadas das taxas, o Tesouro Nacional resolveu tomar providências: cancelou os leilões de títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+) que estavam marcados para esta terça-feira (17), e o de prefixados, que seriam realizados na quinta-feira (19).

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No lugar, promoveu um leilão extraordinário para recomprar os títulos públicos prefixados.

O "xerife" entra no mercado

Para entender o movimento do Tesouro Nacional é preciso entender como funciona a precificação dos títulos do Tesouro Direto.

Na renda fixa — inclusos os títulos públicos —, o preço e a taxa de um papel possuem correlação negativa. Isso significa que, quando o preço de mercado aumenta, a sua taxa de retorno cai proporcionalmente.

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O inverso também é verdadeiro, e é o que estava acontecendo: taxas disparando e preços caindo.

Essa volatilidade acontece diante de pressões fortes de compra ou venda dos títulos. Neste caso, a pressão era vendedora. Houve muitas vendas, principalmente de grandes investidores, por causa do aumento da incerteza no contexto da guerra e do choque de petróleo.

Foi aí que o Tesouro Nacional entrou como comprador (ou melhor, recomprador) dos títulos.

Ao entrar no mercado para comprar, o Tesouro gera uma demanda artificial que sustenta ou mesmo eleva os preços dos papéis. A consequência direta dessas recompras é a valorização dos títulos públicos (aumento de preço) e queda nas taxas de retorno.

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Para se ter ideia, no leilão extraordinário de prefixados da segunda-feira (16), o Tesouro Nacional recomprou um volume financeiro de cerca de R$ 12,1 bilhões.

Nesta terça-feira (17), o Tesouro foi às (re)compras novamente, embolsando um total de R$ 9,05 bilhões que estavam na mão de investidores.

Tesouro Direto sob controle

Mas, afinal, por que isso é bom para a carteira do investidor?

Importa por dois motivos principais que se correlacionam. O primeiro é a liquidez do mercado.

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Ao entrar como comprador, o Tesouro Nacional garante que os investidores que desejam vender seus títulos públicos tenham liquidez na saída, evitando que o desespero por se desfazer dos papéis leve os vendedores a aceitarem qualquer preço, derrubando os valores dos títulos de forma descontrolada.

A consequência dessa intervenção é a redução da volatilidade nos preços e taxas, o que é muito positivo para a precificação de risco dos títulos públicos pelos agentes financeiros.

Quanto mais previsível e seguro é o mercado de títulos soberanos, menor o "prêmio de risco" para emprestar dinheiro ao governo. Isso também contribui para diminuir as taxas de leilões de venda, em que o Tesouro emite novos títulos.

Não por acaso, o mercado viu com bons olhos a intervenção do Tesouro Nacional. Depois das recompras dois dias seguidos, a taxa do Tesouro Prefixado 2029 caiu para 13,69% ao ano. Já o Tesouro Prefixado 2032 manteve o juro mais esticado, em 13,96%.

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No caso dos papéis indexados à inflação, o Tesouro IPCA + 2032 diminuiu o juro real para 7,74%, enquanto o vencimento mais longo, de 2050, caiu para 6,92% — abaixo dos 7% ao ano, que é considerado um marco significativo.

Marcação a mercado assusta

Você pode estar se perguntando por que tanta gente quis se desfazer dos títulos públicos, sendo que são os papéis mais seguros do mercado brasileiro, devido ao risco soberano.

O motivo pode ser a marcação a mercado. Renda fixa também tem marcação de preço diária.

Com a disparada das taxas e a queda nos preços, quem já tinha papéis do Tesouro Direto na carteira viu seus títulos perderem valor.

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Este é um cenário que contrasta com os meses anteriores, em que o Tesouro Prefixado foi um dos principais destaques de valorização da renda fixa.

Isso vale também para o Tesouro IPCA+, que passou pela mesma trajetória de queda nos preços.

A marcação a mercado é particularmente significativa para os fundos, que têm queda na performance em linha com a desvalorização dos preços dos títulos públicos. Os movimentos de venda mais intensos costumam vir desses investidores institucionais.

Para o investidor pessoa física, embora haja um efeito prejudicial na visualização de performance do portfólio no curto prazo, se a intenção é levar o papel até o vencimento, a volatilidade não tem efeito nenhum a não ser causar desconforto em quem fica olhando a própria carteira o tempo todo.

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Ao levar o Tesouro Prefixado ou o Tesouro IPCA+ até o vencimento, o investidor recebe o retorno contratado na compra do papel.

Um Tesouro Prefixado 2029 com 13,73% de juro ao ano pode oscilar em muitos momentos até o vencimento, mas se o investidor o segurar até o fim do prazo, o retorno será de 13,73% ao ano, independentemente dos altos e baixos de preço e taxa até lá.

No entanto, uma saída antes do vencimento está sujeita a marcação a mercado, seja para o Tesouro Prefixado ou o Tesouro IPCA+, com a possibilidade de prejuízo se o momento da venda for como o atual, de aversão a risco e crise, com disparada nas taxas.

Hora de travar retornos históricos

Apesar de a intervenção ter acalmado os ânimos, as taxas ainda continuam em patamares muito elevados para os padrões históricos do Tesouro Direto.

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Com títulos indexados à inflação pagando IPCA + 7% ao ano e prefixados acima de 13% ao ano, o investidor tem a chance de garantir uma rentabilidade alta por muitos anos, se a intenção for investir para o longo prazo.

Um Tesouro IPCA+ com 7% de juro real ao ano pode dobrar o capital investido em um prazo de oito anos, segundo simulações da XP. E nada disso é perdido ao levar o título até o vencimento.

Mas, para quem busca lucros mais rápidos, com uma estratégia voltada para a marcação a mercado, a recomendação é esperar a poeira da guerra baixar e os juros voltarem a cair para não absorver o prejuízo da volatilidade atual.

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