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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

TOUROS E URSOS #257

O primeiro ano do governo Trump foi surpreendente ou caótico? Veja o que esperar do ano dois

Matheus Spiess, analista da Empiricus, fala no podcast Touros e Ursos desta semana sobre a ruptura de Trump com o ambiente econômico e geopolítico das últimas décadas

Monique Lima
Monique Lima
28 de janeiro de 2026
13:28 - atualizado às 11:22

O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos marca o fim da era de estabilidade conhecida como "PAX americana", segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research e colunista do Seu Dinheiro.

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Segundo Spiess, o mundo vive uma ruptura do ordenamento internacional estabelecido desde a Segunda Guerra Mundial. Trump utiliza uma estratégia de conflito que gera profunda desconfiança no mundo inteiro — até entre aliados históricos, como Canadá e México.

Essa postura errática não é apenas um estilo de negociação, mas um sintoma de uma mudança estrutural. O mundo agora foca em uma "nova globalização", priorizando a segurança regional em vez da eficiência total.

No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, Spiess fala sobre como essa desconfiança internacional faz com que o governo norte-americano perca seu papel de fiador do sistema global.

O resultado é um cenário de negócios e investimentos mais tenso, com países buscando novos parceiros para reduzir a dependência de Washington.

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Fraqueza do dólar e diversificação de fluxos

A política de Trump acelerou o processo de desdolarização global. Se antes os investidores direcionavam 100% de seus recursos para os Estados Unidos, hoje eles buscam diversificação.

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Esse redirecionamento beneficia mercados que estavam "esquecidos", incluindo o Brasil, que recebeu forte uma entrada de capital estrangeiro neste início de 2026.

Para proteger o patrimônio neste cenário, Spiess recomenda que o investidor não dependa apenas de uma moeda ou uma região. Ele sugere a internacionalização da carteira em diferentes países, como Europa e China.

"É importante para criar consistência e corpo na sua carteira como um todo. Ter proteções clássicas, como o próprio ouro, uma tese antiga da Empiricus, também é bom para se beneficiar desse ambiente ainda bastante incerto que a gente tem vivido”, disse o analista.

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O enfraquecimento do dólar até poderia beneficiar a indústria dos EUA — uma das promessas de Trump — mas a reindustrialização do país não ocorre da noite para o dia.

Por décadas, o país terceirizou processos produtivos para outros países. Enquanto a indústria norte-americana não amadurece para exportar produtos, o dólar fraco funciona apenas como um "peso morto" na economia.

Trump e os conflitos institucionais

Internamente, o segundo mandato de Trump é marcado por um forte embate com instituições centrais para o governo, como o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano).

O governo flerta com a interferência direta na autoridade monetária, chegando a abrir processos jurídicos contra membros do comitê. Spiess alerta que essa politização retira a eficácia da política monetária, assemelhando os EUA a países emergentes.

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O uso excessivo de ordens executivas para governar também preocupa, pois escanteia o processo legislativo e os pesos e contrapesos da república.

"Se você faz isso e começa a subjugar ou escantear parte do processo natural de uma república, você prejudica a sua própria credibilidade", afirma o analista.

A polarização da sociedade americana aumentou com as respostas agressivas do governo a temas como imigração. Para Spiess, se os Estados Unidos pararem de atrair talentos globais de outros países, podem quebrar o mecanismo de inovação que sustenta sua economia.

Touros e Ursos da semana

No bloco final do programa, os convidados elegem os touros e ursos da semana, expressão que dá nome ao podcast. Nesta semana, as escolhas refletiram os impactos da política externa de Donald Trump e eventos marcantes do cenário financeiro e cultural brasileiro.

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Spiess nomeou o dólar como outro urso (destaque negativo) da semana. O analista afirma que a moeda norte-americana vive uma tendência global de baixa que deve persistir ao longo de 2026. Para ele, essa desvalorização reflete uma mudança estrutural na qual o dólar perde espaço como principal ativo de reserva internacional.

Além desse, outro urso foi o will bank. O banco digital, que fazia parte do conglomerado do Banco Master, sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central após falhar em encontrar um comprador e reestruturar suas operações financeiras.

Do lado positivo, o ouro foi selecionado como um dos "touros" devido à sua toada de valorização constante, atingindo a marca histórica de US$ 5.000 por onça. O metal tem sido a alternativa preferida de bancos centrais e grandes fundos de investimento que buscam proteção em ativos reais.

Por fim, as indicações do Brasil ao Oscar 2026 também foram celebradas como touro. O país alcançou um feito histórico com cinco indicações em uma única edição. O filme "O Agente Secreto" concorre em quatro categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura.

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