A reação do Brasil e do mundo aos ataques coordenados de EUA e Israel ao Irã
China, Rússia, países na Europa e no Oriente Médio se manifestam após o que vem sendo considerado um dos maiores ataques dos EUA à região na história recente; confira o que as autoridades disseram

"Khamenei, uma das pessoas mais más malignas da História, está morta." Foi assim que Donald Trump anunciou ao mundo o resultado da ofensiva conjunta entre EUA e Israel contra o Irã neste sábado (28). A reação da comunidade internacional, no entanto, foi de preocupação.
No Brasil, o Itamaraty condenou e expressou grave preocupação com os ataques. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) pediu que todas as partes respeitem o direito internacional e evitem a escalada de hostilidades e assegurem a proteções de civis e da infraestrutura civil no local.
"Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", diz a nota divulgada pelo Itamaraty.
Segundo o MRE, as embaixadas brasileiras na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com atenção especial às comunidades brasileiras os países afetados.
A pasta recomendou que os brasileiros estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países.
O embaixador do Brasil em Teerã, a capital iraniana, está em contato direto com a comunidade brasileira para transmitir atualizações sobre a situação no país e orientações de segurança, disse o MRE.
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Já o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, afirmou que o país islâmico "levará todos os inimigos ao arrependimento".
A posição de China e Rússia após os ataques
O embaixador da China na Organização das Nações Unidas (ONU), Fu Cong, afirmou na noite deste sábado (28) em reunião de emergência que o país insiste que a soberania e o território do Irã sejam respeitados.
“A segurança e a integridade do Irã e dos países próximos devem ser respeitadas”, disse.
Ele também condenou o uso da força nas relações internacionais e disse que seu uso indiscriminado é “inaceitável”.
Cong defendeu, em seu pronunciamento, que o diálogo e negociação é o único jeito de resolver diferenças e afirmou que a China se chocou com os ataques que ocorreram durante as tentativas de negociações entre os EUA e o Irã.
Já a Rússia condenou os ataques dos EUA-Israel ao Irã, dizendo que foi uma "medida imprudente".
"Os ataques estão mais uma vez sendo realizados sob o pretexto de um processo de negociação renovado", disse seu ministério das Relações Exteriores, referindo-se às negociações nucleares EUA-Irã que ocorreram na semana passada.
A declaração do Kremlin também pediu à comunidade internacional que avalie o que chamou de "ações irresponsáveis destinadas a minar a paz, a estabilidade e a segurança" na região.
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A reação dos ataques dos EUA e de Israel no Oriente Médio
Omã condenou os ataques aéreos israelenses e norte-americanos contra o Irã, mas instou o Teerã a respeitar a soberania dos Estados, os princípios do direito internacional e as boas relações de vizinhança com todos os membros do Conselho de Cooperação do Golfo.
"O Sultanato de Omã rejeita e condena a resposta iraniana por meio de seus ataques e alvos no Reino da Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos, no Reino do Bahrein, no Estado do Catar, no Estado do Kuwait, bem como em alvos no Reino Hachemita da Jordânia e na República do Iraque", informou um comunicado do Ministério de Relações Exteriores do país distribuído no X.
Já o Embaixador do Paquistão na ONU, Asim Iftikhar Ahmad, afirmou que o país condena os ataques contra o Irã, que são uma "violação às leis internacionais".
Durante pronunciamento durante reunião de emergência da organização, ele reforçou que esses ataques acontecem durante um cenário em que as negociações estavam em curso para atingir uma solução entre os Estados Unidos e o Irã.
"Esses ataques militares prejudicam o diálogo", disse, acrescentando que os ataques afetam não só o país, mas "a estabilidade de uma região inteira".
Ahmad também afirmou que o Paquistão presta solidariedade a outros países que foram atacados durante o conflito.
A Arábia Saudita, por sua vez, condenou os ataques de retaliação ao Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia e Kuwait, ao denunciar "em termos mais enfáticos a flagrante agressão iraniana".
"O reino [da Arábia Saudita] afirma sua total solidariedade e apoio inabalável aos países irmãos, e sua disposição para colocar todas as suas capacidades à disposição em apoio a quaisquer medidas que possam tomar", disse o ministério das Relações Exteriores em comunicado.
A resposta da Europa
Uma declaração conjunta do presidente francês, Emmanuel Macron; do chanceler alemão, Friedrich Merz; e do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também instou o Irã a "buscar uma solução negociada".
A declaração, publicada no X pela embaixada da Alemanha em Londres, afirmou que os países têm consistentemente instado o regime iraniano a encerrar seus programas nucleares e de mísseis, a se abster de "atividades desestabilizadoras" e a cessar a "violência e repressão horríveis contra seu próprio povo".
"Não participamos desses ataques", disseram os três líderes, acrescentando que estão em contato com parceiros internacionais, incluindo os EUA, Israel e outros na região.
"Exortamos a liderança iraniana a buscar uma solução negociada. Em última análise, o povo iraniano deve poder determinar seu futuro", disseram.
O gabinete da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse que consultaria aliados e líderes regionais para apoiar esforços para aliviar as tensões.
Kaja Kallas, principal diplomata da União Europeia (UE), chamou os últimos acontecimentos de "perigosos".
O secretário-geral das ONU, Antonio Guterres, condenou a escalada militar e alertou que a paz e a segurança internacionais estão sendo minadas.
"O uso da força pelos EUA e Israel contra o Irã, e a subsequente retaliação do Irã em toda a região, minam a paz e a segurança internacionais", disse ele em comunicado.
EUA, Irã e Israel
Trump disse neste sábado que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante os ataques norte-americanos e de Israel contra o país.
"Khamenei, uma das pessoas mais malignas da história, está morto", escreveu o presidente americano, na sua conta na rede Truth Social.
Trump afirmou que Khamenei e outros líderes iranianos foram incapazes de escapar da inteligência e de "sofisticados sistemas de rastreio" norte-americanos.
"Isso é justiça não apenas para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para os povos de vários países ao redor do mundo que foram mortos ou mutilados por Khamenei e pela sua gangue de bandidos sanguinolentos", disse Trump.
Segundo o republicano, membros da Guarda Revolucionária, das forças armadas iranianas e de outras forças de segurança do país têm desistido de lutar e procurado os EUA em busca de imunidade, após os ataques deste sábado.
Trump disse esperar que a Guarda Revolucionária e a polícia se juntem aos "patriotas iranianos", e que eles possam trabalhar juntos para restaurar o país. Ele afirmou que esse processo deve começar em breve, após o Irã ter sido "obliterado."
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o conflito no Oriente Médio continuará e que "esta guerra levará à verdadeira paz".
Em pronunciamento televisionado, ele enviou uma mensagem aos iranianos, dizendo que em breve chegará a hora de irem às ruas em massa para concluírem a tarefa de "derrubar o regime de horrores que está tornando suas vidas miseráveis".
Assim como Trump, Netanyahu afirmou que as forças israelenses destruíram o complexo de Khamenei. "Matamos comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários nucleares", disse.
O Irã, por sua vez, não confirmou até a publicação desta matéria a morte do aiatolá.
O embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, disse na noite deste sábado (28) que o Conselho de Segurança da ONU deve determinar que tanto EUA como Israel "cometeram um ato de agressão" contra o Irã.
Para ele, os ataques orquestrados pelos EUA e Israel miraram os civis e a infraestrutura civil.
"Nessa manhã o regime dos EUA se juntou com o regime de Israel e iniciou um premeditado ataque contra esta república pela segunda vez", disse durante seu discurso após reunião do Conselho de Segurança da ONU.
"O deliberado ataque à população civil levou à morte de milhares de pessoas", firmou ele, alegando se tratar de uma "guerra contra ordem internacional".
Ele afirmou, ainda, que o Irã, diante dos ataques, exerceu seu direito de autodefesa contra os alvos "legítimos" na região.
*Com informações da BBC
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