A montanha-russa do ouro: a correção técnica que abriu uma janela de compra para estas duas mineradoras, segundo o BTG
Depois de romper a barreira de US$ 5.600, o metal precioso está sendo cotado abaixo de US$ 5.000. Segundo o banco, a hora é de comprar na queda, mas não qualquer ação

Se você olhou para o gráfico do ouro nos últimos dias e sentiu um frio na barriga digno de primeira descida de montanha-russa, acalme-se. Depois de escalar até os US$ 5.600 a onça-troy no final de janeiro, o metal precioso resolveu testar a gravidade e caiu para a casa dos US$ 4.500. Mas, para o BTG Pactual, não há motivo para pânico: o que estamos vendo é uma correção saudável.
Em outras palavras, o ouro não perdeu o valor — alguns investidores alavancados demais foram convidados a sair da festa mais cedo. Para quem ficou de fora do rali, o banco é direto: compre na queda.
Nesta sexta-feira (6), o ouro interrompeu as perdas e fechou em alta de 1,84%, cotado a US$ 4.979,80 a onça-troy, encerrando a semana com alta de 4,95%. Questões ligadas ao Irã e aos EUA levaram os investidores a buscar abrigo no metal precioso.
Onde está o ouro na bolsa
De olho nessa tese, o BTG não recomenda estocar barras no cofre, e sim apostar em quem tira o metal do chão com eficiência. As duas "picaretas de ouro" do banco são:
- Aura Minerals (AURA33)
A queridinha do setor combina crescimento com dividendos. O BTG destaca que a empresa deve quase dobrar a produção nos próximos anos, com dois novos ativos entrando em operação ainda em 2026.
Além disso, o investidor recebe um "aluguel" generoso: o dividend yield (retorno de dividendos) esperado é de 6% a 8%.
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Tudo isso custando barato, segundo o banco. A ação está sendo negociada a 4x o valor da empresa sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).
- Buenaventura (BVN)
A mineradora peruana é a escolha para quem quer ouro (62% da receita), mas não abre mão de uma pitada de cobre (32%).
O grande trunfo aqui, além do balanço sólido com caixa líquido, é o desconto no preço e a forte geração de caixa livre (8%), o que garante resiliência em tempos de volatilidade.
O ouro ainda é o porto seguro da vez
Segundo o relatório do BTG Pactual, fundamentado em dados do World Gold Council, o cenário para o ouro continua construtivo por três pilares principais:
- Desdolarização e geopolítica: bancos centrais ao redor do mundo continuam comprando ouro como se não houvesse amanhã. A China, por exemplo, completou 14 meses seguidos de compras.
- Fome de ETF: janeiro de 2026 foi histórico. O mercado viu a maior entrada líquida de recursos em ETFs de ouro da história (US$ 19 bilhões), elevando o patrimônio global desses fundos para US$ 669 bilhões.
- Hedge assimétrico: o ouro é aquele amigo que aparece quando tudo dá errado. O relatório mostra que o metal tende a ser negativamente correlacionado com as ações em momentos de quedas extremas. Ou seja: ele protege mais o seu patrimônio quando a bolsa cai do que atrapalha quando ela sobe.
O que a pessoa física precisa saber
Se você ainda acha que ouro é coisa de quem espera apocalipse, os números do BTG mostram o contrário.
Para o investidor comum, o metal funciona como um seguro de portfólio que, curiosamente, paga prêmios de longo prazo: desde 1971, o retorno anualizado foi de cerca de 9% em dólar.
Simulações mostram que adicionar entre 2,5% e 10% de ouro em uma carteira diversificada melhora o retorno ajustado ao risco e reduz o drawdown (aquela queda máxima que tira o sono de qualquer um).
Com a liquidez diária do mercado de ouro girando na casa dos US$ 361 bilhões, ele é o ativo perfeito para quem precisa de dinheiro na mão quando os outros mercados travam.
Portanto, segundo o banco, a queda recente é técnica, não fundamental. O ouro continua sub-representado nas carteiras globais e, com a inflação e incertezas no radar, ele segue sendo um seguro contra a perda de valor da moeda.
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