Vem mais dividendo por aí? Após produção recorde da Petrobras (PETR4), analistas revelam o que esperar do balanço do 4T25
A estatal divulga os números dos últimos três meses do ano após o fechamento dos mercados desta quinta-feira (5); especialistas revisam as expectativas diante de um cenário menos favorável para o petróleo em 2025

Mesmo sustentando o posto de peso pesado da bolsa e com a produção mostrando fôlego, a Petrobras (PETR4) deve enfrentar um teste de realidade. É o balanço do quarto trimestre de 2025, que será divulgado nesta quinta-feira (5) após o fechamento do mercado.
A queda dos preços do petróleo ao longo de 2025 e a pressão sobre a geração de caixa devem pesar nos números do quarto trimestre, elevando a cautela do mercado em relação aos resultados e ao potencial de dividendos da estatal.
Os preços da commodity acumularam baixa de aproximadamente 7% entre outubro de dezembro e de mais de 16% em 2025, em meio ao excesso de oferta global e à persistente instabilidade geopolítica. Para analistas, esse ambiente tende a limitar o desempenho financeiro da companhia.
De acordo com as projeções da Bloomberg, a estatal deve apresentar queda da receita líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em base trimestral — refletindo principalmente preços médios de realização mais baixos ao longo do período.
Confira abaixo as estimativas:
| Em reais (R$) | Variação anual | Variação trimestral | Em dólares (US$) | Variação anual | Variação trimestral | |
| Lucro líquido | 16,935 bilhões | Reversão de prejuízo de 17,044 bilhões | -48,22% | 3,241 bilhões | Reversão de prejuízo de 2,780 bilhões | -46,02% |
| Receita | 121,095 bilhões | -0,14% | -5,33% | 23,177 bilhões | +11,35% | -1,29% |
| Ebitda | 58,781 bilhões | +43,48% | -8,03% | 11,250 bilhões | +57,01% | -4,12% |
Na visão do Santander, o desempenho deve ser pressionado principalmente pela queda nos preços do Brent e por uma leve retração de aproximadamente 1% em exploração e produção (E&P).
Leia Também
Parte desse impacto, porém, tende a ser compensado por spreads de refino mais favoráveis e pelo aumento das vendas de petróleo bruto no segmento de refino, transporte e comercialização (RTM).
Produção do 4T25
As projeções seguem o desempenho operacional da Petrobras no quarto trimestre. Entre outubro e dezembro, a estatal conseguiu aumentar a produção em 18,6% em base anual, alcançando uma média diária de 3,081 milhões de barris por dia (boed) de óleo equivalente (petróleo e gás natural). Em relação ao terceiro trimestre, houve queda de 1,1%.
Olhando apenas para o petróleo, a produção média da estatal avançou 19,8% entre outubro e dezembro de 2025 na comparação anual, para 2,504 milhões de barris por dia (bpd). Em relação ao trimestre anterior, houve queda de 0,6%.
Dados divulgados no início da semana pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reforçam a trajetória de crescimento operacional. Em janeiro, a produção de petróleo e gás natural da companhia somou 3,165 milhões de boed, acima dos 2,7 milhões registrados no mesmo mês de 2025 — alta de 17,2% em um ano.
Segundo a agência reguladora, a estatal produziu, em média, 2,4 milhões de barris de petróleo por dia e 120,1 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.
Na avaliação do BTG Pactual, os dados operacionais divulgados pela Petrobras vieram em linha com as expectativas do mercado, com produção praticamente estável no segmento de E&P e menor utilização das refinarias, parcialmente compensada pelo aumento das exportações de petróleo bruto.
Ainda assim, os analistas destacam que, apesar da melhora nos spreads de refino, os preços mais baixos do Brent devem levar a uma queda de cerca de 5% no Ebitda na comparação trimestral.
Na mesma linha, Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, projeta queda do Ebitda em relação ao 3T25, refletindo principalmente o recuo dos preços do petróleo no período.
Dividendos da Petrobras sob pressão
No terceiro trimestre, a Petrobras anunciou a distribuição de R$ 12,6 bilhões em dividendos. Para o quarto trimestre, a projeção dos analistas é bem mais contida.
O BTG Pactual projeta fluxo de caixa livre (FCF) de US$ 2,7 bilhões, o que, pela fórmula de dividendos da Petrobras, implica um pagamento potencial de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,22 bilhões no câmbio atual), equivalente a retorno (dividend yield) de 1,2%.
Já a XP Investimentos estima dividendos de cerca de US$ 1,6 bilhão (aproximadamente R$ 8,3 bilhões), o que implica um retorno de 1,6% para o trimestre.
“Os dividendos do quarto trimestre serão substancialmente inferiores aos níveis recorrentes devido a saídas de caixa pontuais”, diz a corretora.
Na visão do Santander, a Petrobras deve entregar um quarto trimestre mais fraco na comparação com o período anterior.
A projeção do banco é de um Ebitda em torno de US$ 11,2 bilhões (R$ 58,13 bilhões) — queda de cerca de 5% na base trimestral — acompanhado por dividendos menores, estimados em aproximadamente US$ 1,3 bilhão (R$ 6,75 bilhões), o que representa um dividend yield próximo de 1,3%.
“O ambiente de menores preços do petróleo combinado à perspectiva de forte volume de investimentos (capex), tende a pressionar o fluxo de caixa livre e, por consequência a capacidade de distribuição de dividendos, mesmo diante da sólida performance operacional registrada”, diz Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos.
Recuperação do petróleo pode mudar o jogo
Mesmo diante da perspectiva de dividendos mais tímidos, as ações da Petrobras seguem entre os destaques positivos da bolsa, acompanhando o ritmo de recordes do Ibovespa.
No acumulado do ano, PETR4 sobe 30,8% na B3, enquanto os ADRs negociados em Nova York avançam 41,52% no período, em dólares.
Parte desse fôlego veio da recuperação do Brent, que saiu da casa dos US$ 60 por barril no início do ano para cerca de US$ 80 em função do conflito entre EUA e Irã — movimento que melhora as expectativas de receita e geração de caixa da estatal.
Embora as ações da estatal tenham ganhado impulso com o conflito no Oriente Médio, vale lembrar que o Ibovespa avança cerca de 15% no ano, e outras blue chips, como a Vale (VALE3), acumulam ganhos próximos de 16,2%, indicando um movimento mais amplo de mercado.
Por trás desse rali está o fluxo de capital estrangeiro, que voltou a ganhar tração e tem sustentado a valorização dos mercados emergentes como um todo — com o Brasil entre os principais beneficiados.
O que fazer com as ações?
Segundo a XP, esse cenário contribui para fortalecer o sentimento positivo em relação às petroleiras e amplia o potencial de revisões altistas nas estimativas de lucro no curto prazo.
No mês passado, a corretora elevou a recomendação para compra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de R$ 47,00.
O Itaú BBA mantém recomendação outperform — equivalente à compra — para as ações da Petrobras. O preço-alvo estabelecido pelo banco é de R$ 43,00 para PETR4.
“Vale notar que houve alguns eventos pontuais neste trimestre, incluindo um pagamento de US$ 1,3 bilhão relacionado ao leilão do pré-sal realizado no fim do ano passado, além de um pagamento de US$ 285 milhões associado ao campo de Jubarte”, diz o banco.
Já o BTG adota uma postura mais cautelosa em relação à Petrobras. O banco mantém recomendação neutra para as ações PETR4, com preço-alvo de R$ 40,00.
“Mantemos nossa recomendação neutra para a Petrobras, pois continuamos a ver um cenário financeiro apertado, aliado à baixa visibilidade sobre o cenário macro-político e a um dividend yield estimado para 2026 pouco atrativo, em torno de 8%, limitando o potencial de uma reprecificação baseada em fundamentos”, afirmam os analistas em relatório.
No caso do BB Investimentos, o preço-alvo para PETR3 e PETR4 para 2026 é de R$ 45,00, também com recomendação neutra.
NEGÓCIO EM ANDAMENTO
CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
22 de outubro de 2026 - 17:58O QUE PESOU NO 3T26?
A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
22 de outubro de 2026 - 17:18ALTA DE 22% EM DÓLAR
Petrobras (PETR4) supera gigantes globais e emplaca a maior valorização do setor em outubro. Além do petróleo, o que está por trás?
22 de outubro de 2026 - 16:42O QUE DIZEM OS ANALISTAS?
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
22 de outubro de 2026 - 14:22PÉ NO FREIO
Viagem tranquila da Motiva (MOTV3) ficou para trás: Citi corta recomendação para neutra e sobe preço-alvo; ação cai 2%
22 de outubro de 2026 - 13:31BEM RECEBIDO
Sinistralidade sobe, mas lucro fala mais alto: por que o balanço da Bradsaúde (SAUD3) agradou o mercado
22 de outubro de 2026 - 13:03NOVO CAPÍTULO
Outra reestruturação no radar? Credores pedem Chapter 11 involuntário de subsidiária da Braskem (BRKM5) nos EUA
22 de outubro de 2026 - 12:29IA CHINESA
IPO vem aí? DeepSeek capta US$ 15 bilhões em nova rodada de financiamento antes de abrir capital em Xangai
22 de outubro de 2026 - 12:00REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) tenta ganhar fôlego com aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões; veja o que muda para acionistas
21 de outubro de 2026 - 20:42BALANÇO DO 3T26
Bradsaúde (SAUD3): lucro sobe 14,4% e dividendos chegam a R$ 1 bilhão, mas ‘dor de cabeça’ volta a atacar
21 de outubro de 2026 - 18:34TEM MAIS POR VIR
A festa ainda não acabou: B3 (B3SA3) pode subir mais 27% e pagar bons dividendos, diz Santander
21 de outubro de 2026 - 16:23VISÃO DE GESTORES
“Parece que não pode ver um real sobrando”: por que acordo com o Einstein reacende dúvidas sobre uso do caixa da Ânima (ANIM3)
21 de outubro de 2026 - 14:45BALANÇO DECEPCIONOU?
WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta?
21 de outubro de 2026 - 14:19FORA DO AR
Bons resultados da Netflix (NFLX) vêm de ‘ajuste de última hora’, e futuro preocupa, diz analista; veja os números
21 de outubro de 2026 - 14:07OPORTUNIDADE OU ARMADILHA
O pior já passou? Bradsaúde (SAUD3) encara custos maiores e lucro pressionado no 3T26. É hora de fugir ou comprar?
21 de outubro de 2026 - 11:13PRÉVIA DO BALANÇO
Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar
21 de outubro de 2026 - 6:13DE OLHO NA SELIC
Vamos (VAMO3) já subiu 106% no ano com a ajuda do trade eleitoral. Ainda há espaço para ganhar mais?
20 de outubro de 2026 - 18:45PÁGINA VIRADA
Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?
20 de outubro de 2026 - 17:23NEGÓCIO DA CHINA?
Inter (INTR) ri, enquanto Wiz (WIZC3) chora: entenda a operação que fez as ações de seguradora despencarem 20%
20 de outubro de 2026 - 16:25Saiu caro demais?