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A resposta dos analistas para essa pergunta não é um consenso; saiba o que está por vir e o que fazer com o papel depois dos resultados robustos do terceiro trimestre de 2025

Os investidores esperavam pelos executivos da Petrobras (PETR4) para saber o que está por vir daqui para frente — depois de uma produção robusta no terceiro trimestre, resultados financeiros que superaram as projeções e dividendos de R$ 12,6 bilhões, a régua para a estatal está alta. E o recado ao mercado veio antes mesmo da teleconferência começar nesta sexta-feira (7).
Magda Chambriard, presidente da petroleira, usou as redes sociais para reforçar uma máxima que costuma repetir: quem apostar contra a Petrobras, vai perder. Ela celebrou o resultado da companhia entre julho e setembro, e afirmou que a estatal está preparada para mais 72 anos.
“Apesar de uma queda de Brent de aproximadamente US$ 11 por barril entre o 3T24 e o 3T25 (-14%), o Ebitda da Exploração e Produção (E&P) cresceu U$ 300 milhões, fruto do impressionante crescimento da produção de 17%, decorrente do aumento da eficiência operacional, melhor gestão de reservatórios e do topo de produção do FPSO Almirante Tamandaré", disse Chambriard nas redes sociais.
O mercado, no entanto, não comprou a tese logo de cara. As ações da Petrobras iniciaram o dia em queda, mesmo diante de resultados e pagamento de proventos robustos: o aumento das despesas de capital (capex) da estatal no terceiro trimestre incomodou os investidores.
Chambriard não estava na teleconferência, por isso, coube ao diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, explicar o aumento do capex no terceiro trimestre — e foi só aí que as ações da estatal inverteram o sinal e começaram a subir — PETR3 passou a avançar mais de 4% e PETR4, mais de 2%.
Segundo o executivo, o capex “está fortemente concentrado na curva de produção, e os resultados já estão sendo evidenciados como é possível observar no recorde de fornecimento”.
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Entre julho e setembro, a produção total de óleo e gás da companhia atingiu 3,14 milhões de barris de óleo equivalente, 7,6% acima do segundo trimestre de 2025 e quase 17% acima do terceiro trimestre de 2024. Você pode conferir aqui o relatório operacional do terceiro trimestre.
“Vamos encerrar o ano entre o centro da faixa e o teto da projeção para o capex. Estamos acima do teto da faixa, mas é importante que todos saibam que não se trata de um custo maior de execução, mas sim um aumento de velocidade. Estamos gerando valor ao acionista em um tempo menor”, afirmou.
Os investimentos reportados no período foram de US$ 5,5 bilhões — versus US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões nos últimos trimestres, e alta de 24% ante o segundo trimestre de 2025 —, impulsionados principalmente por projetos de desenvolvimento do pré-sal. Isso, elevou o gasto de janeiro a setembro para US$ 14 bilhões, de um orçamento anual de US$ 18,5 bilhões.
“Nosso capex não tem aumento inflacionário, é uma aceleração do investimento previsto. Os projetos são os mesmos: um projeto A tem um orçamento e não há aumento desse valor, ele só está sendo antecipado”, acrescentou.
Melgarejo disse ainda que, no caso de uma pressão muito grande no preço do Brent, a Petrobras pode vir a postergar investimentos que ainda não estejam contratados.
“Para 2026 temos pouco flexibilidade, os projetos já estão contratados. Para o longo prazo, o que não foi assinado pode ser postergado conforme nosso entendimento de futuro”, disse o diretor financeiro.
O executivo aproveitou para reforçar que não há discussão sobre mudança na política de dividendos da companhia, e que qualquer movimento de fusão e aquisição precisa “criar valor para o acionista e precisa ter caixa sustentável”.
Entre os analistas é praticamente unânime a avaliação de que a Petrobras apresentou resultados robustos no terceiro trimestre mesmo com o preço do petróleo jogando contra a estatal — saiu da casa de US$ 80 um ano antes para abaixo de US$ 70. Mas, ainda assim, eles chamaram atenção para alguns pontos do balanço da estatal entre julho e setembro.
O Citi, por exemplo, entende que o desempenho financeiro foi melhor agora, mas lembrou que a companhia reportou despesas de capital acima do esperado pelo banco.
Em relatório, os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona informam que a receita líquida atingiu US$ 23,5 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado recorrente ficou perto de US$ 12 bilhões, elevando o lucro líquido recorrente da Petrobras para US$ 5,2 bilhões.
O fluxo de caixa livre (FCF) somou US$ 5 bilhões — 44% a frente do trimestre anterior, mas 28% abaixo de igual período do ano passado —, resultado do fluxo de caixa operacional (OCF) de US$ 9,9 bilhões — 31% acima do trimestre anterior e 13% abaixo de igual intervalo de 2024 — e de maiores despesas de capital desembolsadas.
“Consideramos o resultado do terceiro trimestre em linha com nossa previsão, com os principais destaques negativos sendo o capex maior do que o previsto; a geração de FCFE abaixo do valor ordinário dos dividendos anunciados, indicando que a Petrobras continua aumentando sua dívida líquida neste cenário de preços baixos do petróleo e capex elevado", afirma o trio de analistas do Citi.
De olho na tendência de maior alavancagem e de baixos preços do petróleo, o banco manteve a recomendação neutra para os papéis. O Citi tem preço-alvo de US$ 12,50 para os ADRs da Petrobras, o que indica potencial de alta de 3% em relação ao último fechamento.
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, também reforça o aumento do capex na comparação com os trimestres anteriores e o endividamento próximo do teto de US$ 75 bilhões. Segundo ele, ambos podem pressionar um pouco a distribuição de dividendos nos próximos trimestres.
“Nesse sentido, sinalizações de redução de investimentos desnecessários ou corte de gastos no Plano Estratégico 2026-2030 serão muito bem-vindos”, afirma.
Por 4x lucros e um dividend yield de dois dígitos, a Empiricus manteve a Petrobras na carteira Vacas Leiteiras após o balanço do terceiro trimestre.
O Safra avalia que a Petrobras reportou um balanço forte no terceiro trimestre, sustentado por uma combinação de produção maior, aumento nas vendas de derivados e margens mais amplas nos segmentos de exploração e produção (E&P) e de refino, transporte e comercialização.
Segundo o banco, o resultado operacional positivo desses dois segmentos compensou o desempenho “fraco” da área de gás e energias de baixo carbono. Por isso, o Safra seguiu com recomendação outperform (equivalente a compra) para as ações preferenciais da Petrobras. O preço-alvo é de R$ 43, um potencial de valorização de 39% ante o último fechamento.
O Bradesco BBI também chama atenção para o patamar de investimentos da Petrobras, que tem se mantido elevado ao longo do ano. O banco sugeriu que a estatal deve tratar com mais atenção o impacto da inflação na cadeia de suprimentos de seus negócios offshore.
Os analistas Vicente Falanga e Ricardo França afirmam que o foco do mercado agora deve se voltar para a atualização do Plano Estratégico da companhia, prevista para 27 de novembro. Ainda assim, o BBI mantém recomendação de compra para as ações, por considerá-las descontadas.
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