Dona da Vivo, Telefônica Brasil (VIVT3) turbina retorno após balanço do 4T25 — com direito a JCP, recompra e devolução bilionária aos acionistas
A dona da Vivo confirmou R$ 2,99 bilhões em JCP, propôs devolver R$ 4 bilhões e ainda aprovou recompra de R$ 1 bilhão; ação renova máxima histórica na B3

Se existe uma empresa na bolsa brasileira que não deixa os acionistas passarem fome quando o assunto é remuneração, essa empresa é a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo.
Depois de divulgar um balanço robusto no quarto trimestre de 2025, a companhia fez o que o mercado já se acostumou a ver — mas em dose reforçada.
A empresa confirmou a data de quase R$ 3 bilhões em proventos, aprovou um programa bilionário de recompra de ações e ainda colocou na mesa uma redução de capital de R$ 4 bilhões, com devolução direta de dinheiro ao investidor.
É preciso dizer que movimentos como esse já se tornaram quase uma tradição da dona da Vivo, que frequentemente reforça a ambição de remunerar seus investidores através de dividendos, JCP, reduções de capital e recompra.
Não à toa, as ações operam no campo positivo nesta segunda-feira (23) e figuraram entre as maiores altas do Ibovespa.
Os papéis VIVT3 subiram 3,27%, cotados a R$ 42,03, renovando a maior cotação histórica de fechamento da Telefônica.
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Atenção, acionistas: R$ 2,99 bilhões já têm data para cair na conta
Do lado dos proventos, a Telefônica confirmou que vai pagar R$ 2,99 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP) no dia 14 de abril de 2026.
O valor reúne uma sequência de JCPs declarados ao longo de 2025 — praticamente um calendário recorrente de remuneração ao acionista.
Para quem estava posicionado nas datas de corte de cada anúncio, a bolada agora tem dia marcado para cair na conta.
Veja quem tem direito a cada um deles:
| Provento | Data da Declaração | Posição Acionária | Valor Bruto (R$) | Valor Bruto por Ação (R$) | Valor Líquido por Ação (R$) | Data de Pagamento |
|---|---|---|---|---|---|---|
| JCP | 01/04/2025 | 11/04/2025 | 240.000.000 | 0,07407216393 | 0,06296133934 | 14/04/2026 |
| JCP | 12/05/2025 | 22/05/2025 | 500.000.000 | 0,15431700818 | 0,13116954595 | 14/04/2026 |
| JCP | 12/06/2025 | 23/06/2025 | 200.000.000 | 0,06193311167 | 0,05264341492 | 14/04/2026 |
| JCP | 14/07/2025 | 25/07/2025 | 330.000.000 | 0,10253443523 | 0,08715426995 | 14/04/2026 |
| JCP | 14/08/2025 | 25/08/2025 | 250.000.000 | 0,07793317353 | 0,06624319750 | 14/04/2026 |
| JCP | 11/09/2025 | 22/09/2025 | 400.000.000 | 0,12480636869 | 0,10608534413 | 14/04/2026 |
| JCP | 14/10/2025 | 27/10/2025 | 380.000.000 | 0,11858650026 | 0,10079827732 | 14/04/2026 |
| JCP | 13/11/2025 | 24/11/2025 | 340.000.000 | 0,10630143820 | 0,09035622247 | 14/04/2026 |
| JCP | 16/12/2025 | 29/12/2025 | 350.000.000 | 0,10952537999 | 0,09309657299 | 14/04/2026 |
| Total | 2.990.000.000 | 0,92998912968 | 0,79049076023 |
Redução de capital da Telefônica Brasil (VIVT3): mais R$ 4 bilhões na mesa
Mas a história não parou nos proventos tradicionais. A Telefônica também deu novos detalhes acerca da devolução bilionária aos acionistas, que propôs no início de dezembro.
O conselho aprovou uma proposta de redução de capital de R$ 4 bilhões, que ainda será votada em assembleia geral extraordinária (AGE) no dia 12 de março.
Se receber o sinal verde dos acionistas, o pagamento será feito em parcela única, em 14 de julho de 2026. O valor estimado é de aproximadamente R$ 1,25 por ação, proporcional à participação de cada investidor.
Na prática, trata-se de uma devolução direta de recursos. Segundo a empresa, a medida busca deixar a estrutura de capital mais enxuta e flexível, ampliando a liberdade na alocação de caixa.
Vale dizer que esta não é a primeira vez que a dona da Vivo devolve dinheiro aos investidores em troca de ações. Em novembro de 2024, a companhia já havia aprovado uma redução de capital de R$ 2 bilhões com restituição aos acionistas.
Recompra de ações de até R$ 1 bilhão
O conselho também aprovou um novo programa de recompra de até 42,8 milhões de ações. Já o limite estipulado para a operação é de até R$ 1 bilhão. O programa começou nesta segunda-feira (23) e pode se estender até 22 de fevereiro de 2027.
Há alguns motivos que levam uma empresa como a Telefônica Brasil (VIVT3) a aprovar um programa de recompras como esse.
A recompra pode sinalizar que a administração enxerga as ações como descontadas, pode servir para atender planos de remuneração executiva sem emitir novos papéis ou simplesmente funcionar como mecanismo adicional de geração de valor ao acionista.
Quando a companhia recompra ações e decide cancelá-las, ela reduz o número de papéis em circulação. O efeito é como um "dividendo indireto": quem permanece na base passa a deter uma fatia proporcionalmente maior da empresa — e, portanto, do lucro e dos proventos futuros.
Por outro lado, menos ações em circulação também significam menor liquidez no mercado.
Segundo a dona da Vivo, o objetivo é “incrementar valor aos acionistas pela aplicação eficiente dos recursos disponíveis em caixa, otimizando a alocação de capital”.
Em outras palavras, a empresa está escolhendo devolver ou concentrar valor em vez de simplesmente acumular caixa.
Balanço da dona da Vivo no 4T25
A política de remuneração só é sustentável se vier acompanhada de geração consistente de caixa. E os números do quarto trimestre de 2025 ajudam a explicar o fôlego.
A Telefônica Brasil (VIVT3) fechou o trimestre com um lucro líquido de R$ 1,88 bilhão, leve expansão de 6,5% em relação ao mesmo período de 2024.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o potencial de geração de caixa operacional de um negócio, chegou a R$ 6,70 bilhões no período, alta de 8,1% na comparação anual.
Por sua vez, a receita líquida totalizou R$ 15,61 bilhões, crescimento de 7,1% frente ao mesmo período do ano anterior. De acordo com a empresa, o ganho foi impulsionado pelo forte desempenho das receitas de pós-pago, fibra e dados corporativos, TIC e serviços digitais.
A receita de serviço móvel cresceu 7%, para R$ 9,84 bilhões, impulsionada principalmente pelo segmento pós-pago, enquanto o pré-pago encolheu 3,9%. Já o faturamento com serviços de rede fixa aumentou 5,4% na base anual, chegando a R$ 4,43 bilhões.
O resultado veio majoritariamente em linha com o previsto pelo mercado. Na avaliação do Itaú BBA, a performance da Telefônica veio “sólida, como esperado”.
O banco ressalta, porém, que parte do bom momento já parece refletida no preço das ações, que acumulam alta de cerca de 24% no ano.
"Olhando à frente, esperamos que os investidores foquem na capacidade da Vivo de gerar fluxo de caixa e no potencial de aumento da distribuição total aos acionistas este ano”, disse o banco, que manteve recomendação neutra (market perform) para os papéis.
Mesmo assim, a visão ainda é majoritariamente positiva para a dona da Vivo. Segundo dados do Broadcast, atualmente as ações VIVT3 contam com três recomendações de compra.
*Com informações do Money Times.
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