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AINDA TEM UM BOM CAMINHO PELA FRENTE

Ambipar (AMBP3) tem ‘bênção’ de credores para reestruturar dívida que quase afundou a empresa, mas jogo ainda não está ganho

Empresa conquistou o apoio de credores que concentram a maior parte de sua dívida internacional e deu mais um passo para viabilizar o plano de recuperação judicial

Ambipar (AMBP3)
Ambipar (AMBP3) - Imagem: Divulgação

A Ambipar (AMBP3) deu um passo importante no caminho para se reeguer. A companhia anunciou na noite desta quarta-feira (8) que chegou a um acordo com credores que concentram a maior parte de sua dívida internacional em Green Notes e também renegociou um financiamento com o Itaú BBA International.

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Embora o anúncio represente um avanço relevante, ele não encerra o processo de recuperação judicial da empresa de gestão e soluções ambientais. A implementação dos acordos depende da negociação e assinatura dos documentos definitivos, das aprovações societárias, da aprovação do plano pelos credores em assembleia, da homologação judicial e das autorizações regulatórias aplicáveis.

Além disso, fatores macroeconômicos e operacionais também podem influenciar a execução da reestruturação. Ou seja, o anúncio reduz parte das incertezas em torno da recuperação da Ambipar, mas não elimina os riscos inerentes ao processo.

Outro ponto destacado pela companhia foi a manutenção da atual equipe de gestão. De acordo com o fato relevante, o CEO Tércio Borlenghi Jr. e o CFO Thiago da Costa Silva continuarão liderando as operações após a implementação dos acordos, preservando a estrutura de governança e os controles atualmente existentes na companhia.

O acordo que destrava a negociação com os credores

O principal anúncio foi a assinatura de um Restructuring Support Agreement (RSA), um acordo de apoio firmado com determinados credores que detêm uma parcela majoritária dos Green Notes emitidos por uma subsidiária da Ambipar, com vencimentos em 2031 e 2033.

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Esses investidores se comprometeram a apoiar a proposta de reestruturação da dívida que será implementada principalmente por meio do plano de recuperação judicial.

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O documento consolida os principais termos da renegociação e serve como uma demonstração de que a empresa conseguiu construir consenso com seus maiores credores antes mesmo da votação formal do plano.

Esse tipo de acordo costuma ser visto como um marco importante em processos de recuperação, já que reduz a possibilidade de disputas entre empresa e credores e aumenta as chances de aprovação da reestruturação quando ela for levada à assembleia.

Segundo a Ambipar, o entendimento representa "um avanço relevante na construção de um consenso robusto" entre a companhia e os credores apoiadores e reforça a perspectiva de uma solução conjunta, definitiva e equilibrada para reorganizar seu endividamento. A empresa informou ainda que continuará buscando a adesão de outros credores à proposta.

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A Ambipar também informou que determinadas subsidiárias assinaram um contrato aditado de financiamento com o Itaú BBA International PLC.

Segundo o comunicado, o objetivo da operação é essencialmente alongar uma dívida que já estava vencida, reduzindo a pressão financeira de curto prazo sobre a companhia. O fato relevante, porém, não divulga os valores envolvidos nem as novas condições do financiamento.

Os green notes foram justamente o que empurraram a Ambipar rumo à RJ

Cabe lembrar que os Green Notes estão no centro da crise que levou a Ambipar à recuperação judicial. Esses títulos de dívida — conhecidos no mercado como green bonds por financiarem projetos ligados à sustentabilidade — foram emitidos em dólar no mercado internacional e tinham vencimentos em 2031 e 2033.

Para se proteger da volatilidade do câmbio, já que suas receitas são em reais, a empresa contratou um contrato de swap com o Deutsche Bank transformando sua dívida em dólar em uma obrigação em real.

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O gatilho da crise surgiu porque um aditivo contratual vinculava esse derivativo ao preço dos próprios títulos, que estavam despencando no mercado secundário.

Assim, o banco passou a exigir garantias adicionais da Ambipar. Isso gerou um risco de efeito dominó na companhia, que poderia gerar um rombo bilionário no caixa porque quase todos os contratos financeiros da Ambipar contêm cláusulas de vencimento cruzado, em uma espécie de efeito cascata de cobrança entre os credores.

Foi justamente essa pressão que levou a empresa primeiro a buscar proteção judicial e, posteriormente, a entrar em recuperação judicial.

Relembre a recuperação judicial da Ambipar

A Ambipar e determinadas subsidiárias protocolaram o pedido de recuperação judicial em 20 de outubro de 2025, na 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro. O processamento foi deferido dez dias depois.

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Ao mesmo tempo, a Ambipar Emergency Response, subsidiária indireta do grupo, ingressou com um processo paralelo sob o Chapter 11 da legislação de falências dos Estados Unidos, buscando coordenar a reestruturação das dívidas internacionais da companhia.

Com o apoio da maioria dos detentores dos Green Notes e a renegociação da dívida com o Itaú BBA, a Ambipar consegue avançar em duas frentes consideradas estratégicas para a recuperação.

Agora, o foco do mercado passa a ser a aprovação do plano pelos credores e sua homologação pela Justiça, etapas que serão decisivas para determinar o sucesso da reestruturação financeira da companhia.

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