Mesmo com petróleo mais barato, Morgan Stanley eleva Prio (PRIO3) e vê dividendos robustos na Petrobras (PETR4)
Banco revisa projeções para o Brent, mas vê oportunidade nas petroleiras brasileiras após correção das ações do setor

A queda recente das ações de petróleo na América Latina abriu uma janela de oportunidade para o investidor, segundo o Morgan Stanley. Mesmo com uma visão mais cautelosa para o preço do barril, o banco avalia que o mercado exagerou na dose ao penalizar as petroleiras da região.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (7), o Morgan Stanley elevou a recomendação da Prio (PRIO3) para overweight, equivalente à compra, e manteve a Petrobras (PETR4) entre suas principais recomendações para o setor na América Latina.
A revisão ocorre depois de uma atualização nas estimativas para o petróleo Brent, referência para o mercado internacional. O Morgan atualizou seu cenário para incorporar projeção de curto prazo de US$ 75 por barril e manteve a estimativa de longo prazo em US$ 70 por barril.
Com a mudança, o banco reduziu, em média, suas estimativas de Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das empresas cobertas em 8% para 2026 e em 10% para 2027. Ainda assim, os analistas afirmam que as ações do setor já embutem um cenário pior do que o previsto pelo banco.
Segundo o relatório, as petroleiras latino-americanas negociam como se o Brent de longo prazo estivesse entre US$ 58 e US$ 65 por barril, abaixo dos US$ 70 adotados nas projeções do Morgan Stanley.
Para o banco, esse desconto ficou mais evidente depois da correção recente. O Brent acumula queda de cerca de 40% em relação ao pico recente, enquanto as ações das petroleiras latino-americanas recuaram aproximadamente 20%.
Leia Também
Na avaliação dos analistas, o movimento abriu espaço para o investidor aumentar a exposição ao setor, especialmente em um cenário de menor volatilidade da commodity.
Prio volta ao radar de compra
A principal mudança do relatório foi a elevação da recomendação da Prio para compra. O Morgan Stanley avalia que a queda recente das ações melhorou a relação entre risco e retorno para o papel.
Além disso, o preço-alvo foi elevado de R$ 66 para R$ 71 por ação, indicando potencial de valorização de aproximadamente 26,2%.
Embora os analistas ainda cobrem maior consistência da companhia na execução operacional, o avanço do desenvolvimento do campo de Wahoo aparece como um ponto importante para a tese de investimento.
De acordo com o banco, a entrada em produção de quatro poços dentro do cronograma previsto pela empresa representa um marco relevante para a Prio.
Outro possível gatilho positivo para as ações é a expectativa de anúncio e implementação de uma política formal de dividendos no segundo semestre de 2026.
Petrobras permanece entre as preferidas
A Petrobras também permanece entre as principais recomendações do Morgan Stanley para o setor de petróleo na América Latina.
O preço-alvo foi fixado em US$ 26 por ADR (recibo de ações negociado nos EUA), o que representa potencial de valorização de cerca de 56% em relação ao fechamento de hoje, mas uma redução frente os US$ 28,50 anteriores.
No caso da estatal, o banco avalia que o mercado precifica um cenário excessivamente conservador. Segundo os analistas, as ações da Petrobras embutem um Brent em torno de US$ 60 por barril, abaixo da nova estimativa de longo prazo de US$ 70 adotada pelo banco.
O Morgan Stanley também destaca a execução operacional da companhia. A projeção é que a produção alcance cerca de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia, acima do teto da faixa indicada pela própria administração.
Além disso, o banco estima um rendimento de fluxo de caixa livre de 14,5% em 2026 e de 15,2% em 2027. Esses números sustentariam dividend yields (retorno com dividendos) de 12% e 13,3%, respectivamente.
Na avaliação dos analistas, a Petrobras ainda consegue gerar valor para os acionistas mesmo sem depender de preços elevados do petróleo.
Onde Investir no 2º Semestre de 2026: análise macro, ações e fundos imobiliários
O que aconteceu com o petróleo hoje?
A leitura veio em um dia de forte alta para a commodity. Os preços do petróleo encerraram o pregão desta terça-feira em avanço firme, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio após novos ataques ao Estreito de Ormuz.
O contrato mais líquido do petróleo Brent, com vencimento em setembro, fechou em alta de 3,01%, a US$ 74,16 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) para agosto avançou 2,76%, a US$ 70,445 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
A alta ocorreu em meio a relatos de um ataque iraniano a navios no Estreito de Ormuz, o que reforçou a fragilidade do acordo de paz temporário entre Estados Unidos e Irã. Vale lembrar que os dois países ainda negociam um cessar-fogo definitivo.
No Ibovespa, as ações das petroleiras também fecharam em alta nesta terça-feira, acompanhando o avanço do petróleo no mercado internacional.
Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 1,75%, cotados a R$ 38,43, enquanto os ordinários (PETR3) avançaram 2,49%, a R$ 42,89. Já as ações da Prio registraram alta de 5,02%, a R$ 56,26.
Commodity mais barata segue no radar
Apesar da alta desta terça-feira, o Morgan Stanley adotou um tom mais cauteloso para o mercado global de petróleo no médio prazo.
A revisão das estimativas reflete a reabertura mais rápida do que o esperado do Estreito de Ormuz, o aumento das exportações dos Estados Unidos e uma demanda mais fraca da China.
- Leia também: Ibovespa perde R$ 8,7 bi de estrangeiros e fecha 4º mês seguido no vermelho; petróleo tomba 20% em junho
Para os estrategistas de commodities do banco, essa combinação deve levar o mercado a um cenário de excesso de oferta.
O Morgan Stanley afirma que, caso o fluxo pelo estreito supere entre 11 milhões e 12 milhões de barris por dia em 2027, os estoques globais poderão crescer cerca de 3 milhões de barris por dia. Esse movimento tende a aumentar a pressão sobre os preços da commodity.
Ainda assim, para o banco, parte relevante desse cenário já parece estar embutida nas ações das petroleiras latino-americanas.
FAVORITA DOS ANALISTAS
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja a ação que pode blindar seus investimentos no segundo turno
5 de outubro de 2026 - 6:03A VACA E O FRANGO
JBS (JBSS32) ou MBRF (MBRF3): qual ação tem mais potencial para 2027? Itaú BBA elege sua favorita
4 de outubro de 2026 - 13:13MERCADOS
A ação que fez Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) comerem poeira e dobrou de preço com trade eleitoral de Flávio Bolsonaro
2 de outubro de 2026 - 19:49DE OLHO NAS RIVAIS
Os planos do novo CEO da B3 (B3SA3) para fortalecer a bolsa de valores diante do avanço da concorrência, segundo o BTG
2 de outubro de 2026 - 17:10A LISTA DE DESPEDIDAS VAI AUMENTAR
Mais um adeus à B3: Claro assume Desktop (DESK3) por R$ 1,75 bilhão e prepara OPA. O que muda para quem tem as ações?
2 de outubro de 2026 - 8:53RENDA EXTRA NA CONTA
Enquanto três gatilhos não fazem preço na CPFL (CPFE3), Itaú BBA defende a compra pelos dividendos
1 de outubro de 2026 - 17:45VIRADA À FRENTE
IRB Brasil (IRBR3): mudança tributária abre caminho para dividendos generosos; JP Morgan turbina preço-alvo para ação
1 de outubro de 2026 - 17:28CASA NOVA?
Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
1 de outubro de 2026 - 14:15O QUE AINDA FALTA?
Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue
1 de outubro de 2026 - 13:03FUTURO DA 'FILHA DO DIVÓRCIO'
Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
1 de outubro de 2026 - 12:38APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?
Nubank (ROXO34) nega compra bilionária de fintech britânica Monzo após tombo em NY; ações sobem forte no pré-mercado
1 de outubro de 2026 - 9:35PANDA BONDS
A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia
30 de setembro de 2026 - 19:53BANCOS
Dia cheio no Bradesco (BBDC4): de R$ 3,8 bilhões em JCP a leilão de sobras de ações até o “Pix” internacional
30 de setembro de 2026 - 19:33QUEM SOBE QUANDO OS JUROS CAEM?
JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral
30 de setembro de 2026 - 12:10CORTANDO ONDE DÁ
Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
30 de setembro de 2026 - 10:53REESTRUTURAÇÃO CORPORATIVA
Raízen (RAIZ4) quer trocar o conselho, mexer no capital e entregar até R$ 35 bilhões em novos papéis aos acionistas
30 de setembro de 2026 - 10:33GOVERNANÇA
CEO bumerangue: por que empresas, como Natura e Ri Happy, trazem antigos líderes de volta — e quando isso vira um sinal de alerta
30 de setembro de 2026 - 6:12CHEQUE EM BRANCO
Do sonho de construir um ‘avião de ponta-cabeça’ ao banco do futuro: o que o CEO da Revolut prevê para o seu dinheiro
29 de setembro de 2026 - 19:42GATILHO BILIONÁRIO