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Ações da Cury recuam em dia negativo para a bolsa, mesmo após bancos classificarem a prévia operacional como sólida; Tenda divulgou recordes em lançamentos, vendas e banco de terrenos

O setor de construção de baixa renda entrou no radar do mercado nesta quarta-feira (8) na esteira de relatórios operacionais da Cury (CURY3) e da Tenda (TEND3), mas nem mesmo números sólidos foram suficientes para blindar as ações em um pregão negativo para a bolsa brasileira.
De um lado, a Cury divulgou números que reforçam a boa execução da companhia, com geração de caixa robusta e banco de terrenos recorde, embora as vendas tenham vindo ligeiramente abaixo do esperado.
Do outro, a Tenda apresentou uma prévia marcada por recordes em lançamentos e vendas em meio ao esforço para preservar margens após a pressão de custos observada no primeiro semestre.
Ainda assim, o humor externo falou mais alto. Com o Ibovespa operando no vermelho em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, as ações da Cury recuavam nesta quarta-feira, um dia após a divulgação dos dados do segundo trimestre de 2026 (2T26).
Por volta das 13h20, os papéis da incorporadora caíam 7,11% na B3, negociados a R$ 31,58. Já as ações da Tenda tinham queda de 3,17%, a R$ 33,89.
No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,03%, aos 170.267,20 pontos, em uma sessão negativa para os ativos de renda variável. Você pode entender aqui os detalhes do que mexe com os mercados aqui e lá fora hoje.
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No segundo trimestre, a Cury lançou 11 empreendimentos, sendo oito em São Paulo e três no Rio de Janeiro, que somaram R$ 2,26 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). O montante representa alta de 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar do crescimento em volume financeiro, o número de unidades lançadas recuou 0,6% na comparação anual. Já o preço médio dos imóveis subiu 2%, para R$ 344,6 mil.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, os lançamentos da construtora somaram cerca de R$ 4,9 bilhões em VGV, queda de 2,1% frente ao mesmo intervalo de 2025.
Entre abril e junho, a velocidade de vendas líquida (VSO) ficou em 40,5%, abaixo dos 47,5% registrados um ano antes. As vendas líquidas, por sua vez, somaram R$ 2,05 bilhões no trimestre, recuo de 9,5% na comparação anual.
Por outro lado, a geração de caixa operacional avançou 40,2%, para R$ 144,9 milhões, um dos pontos mais destacados pelos analistas após a divulgação da prévia.
Para o BTG Pactual, a Cury entregou um trimestre sólido. O banco ponderou que as vendas vieram 7% abaixo de suas projeções internas, mas avaliou que a queda anual foi compensada pela manutenção de uma velocidade de comercialização elevada.
Em relatório, os analistas destacaram que as vendas brutas alcançaram R$ 2,22 bilhões no trimestre, enquanto os cancelamentos somaram R$ 171 milhões, “mantendo-se em níveis controlados e contribuindo para vendas líquidas robustas”.
“Os lançamentos apresentaram forte aceitação comercial, com cerca de 56% das unidades sendo comercializadas ainda dentro do trimestre”, afirmaram os analistas.
A geração de caixa também entrou no radar do banco. O BTG ressaltou que o resultado de R$ 145 milhões entre abril e junho marcou o 29º trimestre consecutivo de desempenho positivo.
“A performance reforça a capacidade operacional da empresa, sustentada pelo bom momento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), crescimento esperado de resultados e forte geração de caixa”, disse o BTG.
O banco manteve recomendação de compra para a Cury, com preço-alvo de R$ 44 para as ações, o que implica potencial de valorização de cerca de 36% em relação à cotação atual.
Já o Safra adotou uma leitura mais cautelosa. Para o banco, a Cury apresentou resultados operacionais “satisfatórios, mas ligeiramente abaixo do que se esperava”.
Na avaliação da casa, o maior foco em preços reduziu o ritmo de vendas líquidas, deixando os números cerca de 5% abaixo das projeções.
Ainda assim, o banco destacou a geração de caixa de R$ 145 milhões, em linha com a expectativa, o que se traduziu em um free cash flow yield anualizado de 6%. O indicador mede a geração de caixa livre da companhia em relação ao seu valor de mercado.
O Safra também ressaltou que a Cury aumentou o banco de terrenos em 5% frente ao trimestre anterior, em volume equivalente a cerca de 3,2 anos de lançamentos no ritmo atual.
“Embora os números operacionais tenham sido satisfatórios, ficaram ligeiramente abaixo das expectativas, o que pode pesar sobre o sentimento do mercado”, afirmou o Safra.
“No entanto, reiteramos nossa recomendação outperform [equivalente à compra] para CURY3, pois a companhia deve continuar entregando um dos melhores resultados do setor, com os níveis mais fortes de conversão de caixa”, acrescentou.
Segundo as projeções do banco, as ações da Cury negociam a cerca de 7 vezes o lucro esperado para o ano que vem e ainda podem entregar um dividend yield (retorno com dividendos) adicional de 17% até o fim de 2027.
A Tenda também divulgou na terça-feira (7) sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026, marcada por recordes em lançamentos, vendas brutas, vendas líquidas e banco de terrenos.
A construtora lançou 14 empreendimentos entre abril e junho, com VGV de R$ 1,68 bilhão. O número representa alta de 54,4% na comparação anual e de 18,8% frente ao trimestre anterior.
As vendas brutas da operação Tenda somaram R$ 1,507 bilhão no período, crescimento de 27% em relação ao segundo trimestre de 2025. Já as vendas líquidas atingiram R$ 1,318 bilhão, avanço anual de 25,4%, mesmo com a redução da velocidade de vendas líquidas para 23,9%.
Segundo a companhia, a queda na VSO reflete uma estratégia de reposicionamento de preços adotada no primeiro semestre para compensar a pressão de custos observada em março e abril. A expectativa da empresa é voltar a acelerar as vendas a partir de julho, diante da dissipação do risco inflacionário.
Os distratos da operação Tenda totalizaram R$ 189 milhões, alta de 39,5% em um ano. A companhia atribuiu o aumento principalmente ao cancelamento preventivo das vendas de um empreendimento recém-lançado cuja licença ambiental está em discussão.
A Tenda afirma ter cumprido todos os requisitos legais e espera retomar a comercialização do projeto quando a situação for resolvida.
Outro destaque foi o banco de terrenos, que alcançou o recorde de R$ 27,7 bilhões em VGV, expansão de 35,1% na comparação anual e de 20,3% frente ao primeiro trimestre.
Durante o período, a companhia adquiriu aproximadamente R$ 5 bilhões em terrenos, sendo 39% concentrados na região Nordeste, reforçando sua estratégia de expansão geográfica.
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