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A Americanas quer provar que deixou a recuperação judicial para trás; entenda o que ainda está em aberto

Americanas afirma que cumpriu seu plano de recuperação judicial, com baixa oposição dos credores, mas ainda enfrenta investigações e questionamentos sobre a fraude bilionária

Fachada de uma loja Americanas.
Imagem: Divulgação

A Americanas (AMER3) está decidida em provar que está pronta para sair da recuperação judicial. Depois de reorganizar suas obrigações financeiras, vender ativos e reduzir seu prejuízo, ela tenta convencer investidores, credores e outros participantes do mercado de que já virou a página da maior fraude corporativa da história brasileira.

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Em novo fato relevante divulgado hoje (9), a empresa afirmou que cumpriu os compromissos previstos no seu plano de recuperação judicial nos últimos dois anos após a homologação do plano.

Além disso, afirma que menos de 0,3% do total de credores da Americanas se opuseram ao encerramento do processo de RJ.

No entanto, desde que a varejista pediu o encerramento da RJ ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do estado do Rio de Janeiro, vem enfrentando investigações da Polícia Federal e alegações de credores.

A Americanas está em recuperação judicial desde a revelação de uma fraude bilionária em 2023, que provocou forte crise financeira e de credibilidade na companhia. Desde então, a empresa fechou lojas, reduziu custos e vendeu ativos.

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A investigação da PF

No dia 25 de junho, a Polícia Federal iniciou a segunda fase da Operação Disclosure. A operação tem como foco a fraude contábil bilionária na varejista.

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Entre os alvos da operação, estavam o sócio Carlos Alberto Sicupira, além do filho de Jorge Paulo Lemann, Paulo Lemann. A varejista diz que não foi alvo da PF na ocasião e que não teve acesso aos autos, que estão em segredo de Justiça.

Ao mesmo tempo, 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou a apreensão de bens e valores no total de R$ 54 bilhões em nome dos investigados.

A CVM chegou a questionar a companhia a respeito desse valor, já que o buraco divulgado pela empresa era de R$ 25,3 bilhões. "De acordo com a Polícia Federal, o número corresponde ao tamanho da fraude apurada pela perícia forense, que levou mais de dois anos nesse trabalho", diz a xerife do mercado.

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Segundo a CVM, a Americanas pediu uma RJ para reestruturar dívidas de R$ 25 bilhões. Nos últimos anos, recebeu R$ 12 bilhões dos acionistas de referência, converteu outros R$ 12 bilhões em dívidas em ações e emitiu debêntures para cobrir o restante do rombo.

"Agora, é preciso entender o que significam os R$ 54 bilhões, e o que acontecerá com o balanço da companhia", disse a autoridade.

Como resposta, a varejista diz que não tem acesso à investigação para entender como a PF chegou a esse montante. "A Americanas não é investigada e não tem acesso ao referido inquérito. Dessa forma, não se sabe como o suposto montante teria sido alcançado, quais critérios teriam sido eventualmente adotados, nem a qual escopo se refere", declarou a companhia em fato relevante no dia 30 de junho.

Credores contestaram saída da RJ da Americanas

Outra acusação vem de parte de seus credores. No dia 6 de julho, uma reportagem da Folha de S.Paulo afirmou que credores listados no processo de RJ entraram na Justiça, alegando falhas no pagamento do plano.

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Segundo esses credores ouvidos pela reportagem, a varejista não estaria apta a se dizer recuperada e, enfim, receber a aprovação da Justiça para o pedido do fim da RJ.

Como resposta, a Americanas afirmou que "a reportagem aborda de forma equivocada e descontextualizada petições e alegações antigas de certos credores, cujas discussões são anteriores ao pedido de encerramento da Recuperação Judicial".

Segundo a varejista, esses temas já foram tratados nos fóruns adequados, com manifestações positivas tanto do Ministério Público quanto de seu administrador judicial, o responsável definido pela Justiça para supervisionar todo o processo.

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