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Compra do Bloco Mato Grosso fortalece a estratégia da companhia, mas analistas enxergam um custo alto para o acionista

A última aposta da SLC Agrícola (SLCE3) pode ter custado caro demais para o acionista. Ao menos, essa é a avaliação do JP Morgan.
Após a companhia anunciar a compra do portfólio de terras "Bloco Mato Grosso", da Radar — empresa ligada à Cosan (CSAN3) — por R$ 1,85 bilhão, o banco classificou a operação como negativa para a tese de investimento.
Apesar de reconhecer a qualidade dos ativos e a importância estratégica da aquisição, o JP Morgan avalia que o motivo não está nas fazendas, mas na conta.
Para os analistas, a SLC desembolsou bilhões para comprar um ativo negociado com um desconto menor do que aquele aplicado pelo mercado às próprias ações da companhia.
O banco norte-americano argumenta que a empresa poderia gerar mais valor ao acionista recomprando suas próprias ações na bolsa do que ampliando seu banco de terras nas condições anunciadas.
A operação anunciada pela SLC Agrícola nesta sexta-feira (26) envolve aproximadamente 41,2 mil hectares no Mato Grosso, dos quais 28,8 mil hectares são agricultáveis.
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De acordo com a companhia, cerca de 17,6 mil hectares já eram operados pela própria SLC Agrícola.
Embora reconheça que se trata de terras de alta qualidade, localizadas em uma das principais regiões produtoras do país, o JP Morgan avalia que a aquisição não oferece um retorno suficientemente atrativo para compensar o desembolso.
Segundo o banco, o preço pago representa um desconto implícito entre 15% e 20% sobre o valor patrimonial líquido (NAV) das propriedades. O problema é que as ações da SLC negociam atualmente com um desconto próximo de 52% sobre esse mesmo indicador.
É por isso que, na visão dos analistas, a companhia optou por investir em ativos negociados com desconto relativamente pequeno quando suas próprias ações oferecem uma janela de oportunidade muito maior.
Outro ponto que pesa na análise é a rentabilidade da operação. O JP Morgan estima uma taxa de capitalização (cap rate) de cerca de 3,5%, patamar considerado pouco atrativo para uma aquisição desse porte.
Os analistas também preveem um impacto relevante sobre o balanço. Caso a compra seja concluída ainda neste ano, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, poderá aumentar cerca de 0,9 vez até o fim de 2026.
Para os analistas, esse aumento da alavancagem eleva os custos financeiros em um momento em que o setor ainda convive com incertezas climáticas, especialmente relacionadas aos possíveis efeitos do El Niño sobre a produção agrícola ao longo do segundo semestre de 2026.
Por sua vez, a SLC defende que a aquisição fortalece sua estratégia de expansão em uma das regiões agrícolas mais relevantes do país.
Segundo a empresa, toda a área adquirida é apta ao cultivo da segunda safra, o que deverá acrescentar cerca de 22 mil hectares à área efetivamente plantada.
A operação foi estruturada no modelo "porteira fechada", incluindo máquinas, estruturas de armazenagem e demais ativos vinculados às propriedades.
A administração também destaca que o preço pago equivale a aproximadamente R$ 64,2 mil por hectare, cerca de 15% abaixo dos valores praticados na região.
O pagamento será realizado em duas etapas: R$ 700 milhões serão desembolsados nos próximos dias, corrigidos a 100,25% do CDI, enquanto os R$ 1,15 bilhão restantes serão pagos até 30 de outubro de 2026.
A aquisição encerra uma disputa com o Grupo Bom Futuro, que havia apresentado proposta no mesmo valor pelos ativos. O fechamento da operação ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores.
*Com informações do Money Times.
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