Receita Federal bate à porta do Grupo Mateus (GMAT3) com cobrança bilionária; ações caem na B3
Receita Federal cobra R$ 1,28 bilhão da companhia em disputa tributária, enquanto investidores ainda acompanham a recuperação operacional da varejista

O Grupo Mateus (GMAT3) voltou ao centro das atenções do mercado nesta terça-feira (30). A varejista informou que uma de suas controladas recebeu uma cobrança de R$ 1,28 bilhão da Receita Federal em uma disputa tributária envolvendo créditos presumidos de ICMS.
A notícia pesou sobre os papéis. As ações chegaram a cair quase 9% nas primeiras horas do pregão e, embora tenham arrefecido as perdas ao longo da sessão, seguiram entre as maiores baixas da bolsa.
Por volta das 14h10, GMAT3 recuava 4,70%, cotada a R$ 3,65. Desde o início do ano, a desvalorização na B3 beira os 20%.
A cobrança do Leão chega em um momento particularmente delicado para a companhia.
Depois de um ano marcado por problemas de estoques, reestruturação operacional e cortes de custos, o mercado começava a avaliar se a varejista finalmente havia deixado para trás os episódios que colocaram sua execução sob questionamento.
Agora, uma disputa tributária bilionária adiciona mais uma camada de incerteza à tese de investimento.
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Procurado pelo Seu Dinheiro, o Grupo Mateus não retornou aos pedidos de comentário até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.
Grupo Mateus entra na mira da Receita Federal
A cobrança da Receita recai sobre o Armazém Mateus, uma das sociedades controladas pela companhia.
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, o auto de infração questiona o tratamento tributário dado aos créditos presumidos de ICMS na apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes a 2022 e 2023.
O valor principal da autuação é de R$ 492,89 milhões. Com multas e juros, porém, a cobrança chega a R$ 1,28 bilhão, sendo aproximadamente R$ 789 milhões referentes aos encargos financeiros.
Em resposta à autuação da Receita, o Grupo Mateus afirma que a apuração foi realizada em conformidade com a legislação vigente e diz possuir fundamentos jurídicos para contestar a cobrança.
Por isso, classificou a contingência como de "perda possível" e ressaltou que o processo ainda está no início.
"O auto de infração inicia seu trâmite na esfera administrativa, podendo, se for o caso, ser objeto de discussão também na esfera judicial", informou a empresa.
Cobrança reacende dúvidas sobre o Grupo Mateus
Embora uma discussão tributária dessa natureza possa levar anos até uma decisão definitiva, o episódio pesa sobre uma empresa que vinha tentando recuperar a confiança do mercado.
Nos últimos meses, o Grupo Mateus buscava mostrar que havia superado uma sequência de problemas operacionais que abalou sua tese de investimento.
O principal deles ocorreu no terceiro trimestre de 2025, quando a companhia reconheceu uma baixa contábil de R$ 1,1 bilhão relacionada a inconsistências em estoques, episódio que levantou dúvidas sobre seus controles internos e sua eficiência operacional.
Desde então, a varejista colocou em marcha um amplo processo de reestruturação para recuperar margens e rentabilidade.
Entre as medidas adotadas esteve um programa de ganho de produtividade que resultou na demissão de mais de 6,6 mil funcionários — cerca de 8,8% do quadro de colaboradores — nas operações do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
O ajuste ocorreu em meio a um ambiente de consumo mais fraco no Nordeste, principal mercado da companhia, pressionado pelos juros elevados e pelo maior endividamento das famílias.
Nem a expansão escapou do escrutínio
Os desafios também passaram a levantar questionamentos sobre o ritmo de crescimento do Grupo Mateus.
Em relatórios recentes, BTG Pactual e Itaú BBA avaliaram que a expansão acelerada da companhia — incluindo a incorporação do Novo Atacarejo — trouxe operações que ainda apresentam rentabilidade inferior à das lojas mais maduras.
Na visão dos analistas, as despesas cresceram mais rapidamente que as receitas, comprimindo as margens em um cenário de desaceleração do consumo.
O Itaú BBA também chamou atenção para uma mudança na comunicação da varejista com os investidores.
No balanço do primeiro trimestre de 2026, a companhia deixou de divulgar alguns indicadores de vendas por segmento, reduzindo a visibilidade sobre a evolução operacional do negócio e aumentando a cautela dos investidores.
O que muda para quem investe em GMAT3?
A autuação não significa que o Grupo Mateus terá de desembolsar imediatamente os R$ 1,28 bilhão cobrados pela Receita Federal.
O caso ainda será discutido na esfera administrativa e, se necessário, poderá seguir para o Judiciário — um processo que costuma levar anos até uma decisão definitiva.
Ainda assim, o episódio adiciona mais um fator de incerteza para uma empresa que ainda tenta reconstruir sua credibilidade perante o mercado.
*Com informações do Money Times.
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