Uma nova solução: Raízen (RAIZ4) avalia aporte de R$ 4 bilhões e reestruturação da dívida; Shell entra com maior valor
Para que essas negociações ocorram de maneira segura, a Raízen quer assegurar um ambiente ordenado e buscar uma solução consensual, que poderá ser implementada por meio de Recuperação Extrajudicial, caso necessário

A Raízen (RAIZ4) tem um novo plano para recuperar sua capacidade financeira, depois seus controladores abandonaram a mesa de negociações. A fabricante de açúcar e etanol confirmou nesta quarta-feira (4) que está analisando a proposta de uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões.
A maior parte desse valor virá do grupo britânico Shell, que se comprometeu com uma injeção de R$ 3,5 bilhões. Outros R$ 500 milhões virão de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., ligada à família de Rubens Ometto Silveira de Mello, acionista controlador da Cosan (CSAN3).
A Shell e a Cosan, um conglomerado industrial criado por Ometto, detêm cada uma 44% da Raízen. Inicialmente, a expectativa era de que a Cosan entrasse com um valor semelhante ao aportado pela Shell, o que acabou não sendo fechando.
No último mês, as ações já perderam 29,41% do seu valor, e em um ano a queda foi de 63,64%.
A companhia afirmou que seguirá operando normalmente e reforçou que as medidas em avaliação não devem impactar clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios.
O impasse da Raízen
Mesmo um aporte de R$ 4 bilhões ainda é insuficiente para solucionar o problema de caixa da companhia.
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A dívida líquida da Raízen subiu para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.
Outro problema é que a empresa sofreu sérios rebaixamentos nas suas classificações de risco por agências de rating. Isso levou a empresa a realizar um impairment de R$ 11 bilhões e registrar prejuízo de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26).
Além do aporte, a companhia avalia a reestruturação de seu endividamento financeiro. Entre as medidas consideradas estão a conversão de parte da dívida em capital, combinada com o alongamento do saldo remanescente, e a continuidade do processo de simplificação dos negócios.
Para que essas negociações ocorram de maneira segura, a Raízen quer assegurar um ambiente ordenado e buscar uma solução consensual, que poderá ser implementada por meio de Recuperação Extrajudicial, caso necessário.
A Raízen também está em um processo de vendas de ativos e já conseguiu levantar R$ 5 bilhões nos últimos 12 meses.
A venda de ativos na Argentina deve ser fechada até o final deste ano. O objetivo é chegar a uma alavancagem de 2 a 2,5 vezes ao final do processo. Para isso, a companhia precisaria de cerca de R$ 20 a R$ 25 bilhões, segundo cálculos feitos pelo UBS BB.
Com Money Times
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