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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

A CORRIDA MUDOU

Quem tem fôlego no novo ciclo de crédito? Fitch revisa ratings de bancos e eleva nota do BTG Pactual; saiba quem ficou para trás

Para analistas, com menos impulso do macro, desempenho passa a depender cada vez mais da gestão de cada banco; veja as novas perspectivas

Camille Lima
Camille Lima
24 de janeiro de 2026
16:27 - atualizado às 14:09
A corrida dos bancos, entre Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3).
A corrida dos bancos, entre Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3). - Imagem: Dall-E/ChatGPT

Durante boa parte da corrida financeira, os grandes bancos brasileiros correram no mesmo ritmo, embalados por um ciclo de crédito ainda favorável. Agora, os passos começam a se desencontrar. Alguns aceleram com fôlego, outros passam a administrar o desgaste — e há quem carregue peso extra no balanço. Foi essa diferença de ritmo que levou a Fitch Ratings a ajustar sua régua para o setor bancário

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Na mais recente rodada de revisões, a agência de classificação de risco promoveu o BTG Pactual, reforçou a leitura positiva sobre Itaú Unibanco Bradesco e manteve o Banco do Brasil sob um olhar mais cauteloso.  

Segundo a Fitch, os novos ratings refletem uma “crescente diferenciação no desempenho de crédito à medida que o ciclo se normaliza”. 

Em outras palavras, a diferença agora está em quem executa melhor — e em quem carrega riscos mais concentrados. 

“A forte rentabilidade antes das perdas com crédito, a sólida capitalização e as amplas reservas de liquidez sustentam a resiliência do sistema e devem permitir que os bancos absorvam uma normalização moderada do crédito sem estresse sistêmico”, afirmam os analistas da agência. 

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Ratings dos bancos: quem ganha fôlego no novo ciclo 

O principal destaque positivo foi o BTG Pactual (BPAC11). A Fitch elevou o rating do banco ao reconhecer avanços consistentes na estrutura de financiamento, maior previsibilidade dos resultados e uma capacidade mais robusta de absorção de perdas. 

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Para a agência, o BTG chega à fase de normalização do ciclo com o dever de casa feito. A diversificação de receitas reduziu a dependência de linhas mais voláteis, a disciplina de capital diminuiu vulnerabilidades e a evolução do funding trouxe mais estabilidade ao balanço. 

Itaú Unibanco (ITUB4) também saiu fortalecido da revisão. A Fitch elevou o rating de viabilidade implícito da instituição de ‘bb+’ para ‘bbb-’, destacando fundamentos sólidos de qualidade dos ativos e um perfil de risco mais resiliente do que o da média do setor. 

Bradesco começa a sair da defensiva 

No Bradesco (BBDC4), a Fitch revisou a perspectiva para estável, sinalizando uma leitura mais construtiva após um período prolongado de pressão sobre resultados e aumento da inadimplência. 

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Segundo a agência, a recuperação da rentabilidade e da qualidade dos ativos começa a ganhar tração de forma mais consistente. Ainda não é um quadro de força estrutural comparável ao dos pares mais resilientes, mas o suficiente para interromper a trajetória negativa do rating. 

Banco do Brasil na contramão dos grandes bancos

Já o Banco do Brasil (BBAS3) foi o único grande banco que não recebeu ajustes positivos. A Fitch reafirmou o rating BB/Estável, mas manteve um tom mais cauteloso ao avaliar o perfil de crédito da instituição. 

Segundo os analistas, o BB segue mais exposto do que seus pares privados — especialmente ao agronegócio, hoje o principal foco de estresse no balanço.  

Enquanto os bancos privados avançam em uma normalização mais controlada, apoiada por critérios de concessão mais rigorosos, rebalanceamento de portfólio e maior uso de garantias, o Banco do Brasil carrega uma concentração relevante da carteira rural. 

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Segundo os analistas, isso não compromete a solidez do BB, mas limita o espaço para avanços na nota de crédito no curto prazo. 

Essa exposição adiciona volatilidade à trajetória do banco. Não compromete sua solidez, segundo a Fitch, mas limita o espaço para avanços na nota de crédito no curto prazo. 

O pano de fundo macro — e o teto das revisões para os bancos 

No cenário macroeconômico, a Fitch avalia que o Brasil ainda oferece sustentação ao sistema financeiro.  

A projeção é de crescimento de 2,3% em 2025 e desaceleração para 1,9% em 2026, com mercado de trabalho resiliente e demanda interna estável ajudando a conter uma deterioração mais ampla do crédito. 

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Ainda assim, o espaço para novas elevações de rating é limitado. Juros reais elevados, alto endividamento das famílias e incertezas fiscais ligadas às eleições de 2026 seguem pesando sobre o apetite ao risco e a confiança empresarial. 

Por isso, a agência manteve a perspectiva “neutra” para o setor bancário como um todo. Capitalização sólida e forte rentabilidade permitem absorver uma normalização moderada do crédito sem risco sistêmico. 

O que muda, daqui para frente, é o critério de diferenciação. Com pouco impulso adicional vindo do macro, as próximas ações de rating devem depender cada vez mais da execução individual de cada banco. 

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