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Analistas do Itaú BBA e do Citigroup reforçam a tese positiva para a mineradora após encontro com o CEO e o diretor de RI da companhia

A Vale ainda pode surpreender em Wall Street? Para os especialistas no assunto, a resposta é sim — graças ao potencial para mais valorização dos papéis, à demanda global por aço e à vantagem competitiva da mineradora em produtos de maior qualidade.
A conclusão veio de uma reunião entre executivos da mineradora com analistas nesta terça-feira (10). Itaú BBA e Citigroup reforçaram a recomendação de compra para os American Depositary Receipts (ADRs) da empresa negociados em Nova York, sob o ticker VALE.
Lá fora, os papéis acumulam alta de mais de 20% em 2026, enquanto por aqui, VALE3 sobe 12% no ano.
O encontro contou com a participação do CEO, Gustavo Pimenta, e do diretor de Relações com Investidores, Thiago Lofiego.
Na conversa, a administração abordou temas que vêm dominando as discussões com investidores nas últimas semanas — entre eles, a possibilidade de uma oferta pública inicial de ações (IPO) da Vale Base Metals (VBM), a divisão de metais básicos da companhia.
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O Itaú BBA reiterou a recomendação outperform (equivalente à compra) para os ADRs da mineradora e vê potencial relevante de valorização.
Com o papel negociado perto de US$ 15,33, o banco projeta preço-alvo de US$ 19,50 para o fim de 2026, o que representa um upside de cerca de 27%.
Na visão dos analistas, a tese passa pela resiliência da demanda global por aço, mesmo em um cenário de menor crescimento da economia chinesa.
“No curto prazo, a produção global de aço continua resiliente, mesmo diante da desaceleração da China”, afirma o time liderado por Daniel Sasson.
Outro ponto destacado é a vantagem competitiva da Vale em produtos de maior qualidade. A queda no teor de ferro em alguns contratos globais abre espaço para esse tipo de minério, no qual a companhia tende a se beneficiar.
No longo prazo, o banco também vê espaço para crescimento da demanda em novos mercados, com destaque para a Índia. A expectativa é que a Vale tenha vendido cerca de 10 milhões de toneladas ao país em 2025.
O Citigroup também manteve a recomendação de compra para os ADRs da mineradora, mas revisou o preço-alvo para US$ 14,00, ante US$ 15,33 anteriormente.
Segundo o banco, a estimativa parte da ideia de que as ações da empresa devem valer cerca de 5,5 vezes o lucro operacional projetado para 2026.
“Esse múltiplo representa um desconto de cerca de 15% em relação a empresas globais comparáveis, já que esperamos que a Vale negocie com desconto frente aos pares internacionais”, afirmou o banco em relatório.
De acordo com o Citi, alguns fatores podem alterar a trajetória esperada para os papéis da mineradora:
Segundo os analistas, caso esses fatores se desviem das projeções atuais, as ações podem não atingir o preço-alvo projetado — ou até superá-lo.
Durante a reunião com analistas, os executivos abordaram o possível IPO divisão de metais básicos da Vale, a VBM.
A companhia afirmou que abrir o capital da unidade não é um objetivo em si, mas sim uma possibilidade estratégica caso as condições de mercado se tornem favoráveis.
A avaliação da mineradora é que um IPO feito apenas para “destravar valor” provavelmente não resultaria em uma reprecificação relevante das ações, já que o mercado ainda tende a enxergar a Vale principalmente como uma produtora de minério de ferro.
A separação estrutural da divisão foi feita para dar mais foco à operação. O objetivo é ampliar a produção de cobre de cerca de 380 mil toneladas por ano atualmente para 700 mil toneladas anuais até 2035.
Para isso, a empresa prevê investimentos de cerca de US$ 5 bilhões até 2035, sendo aproximadamente US$ 3 bilhões até 2030.
Segundo a administração, a estratégia de alocação de capital segue focada em crescimento orgânico e projetos de alto retorno, evitando movimentos de engenharia financeira.
Operações de fusões e aquisições não estão descartadas, mas a companhia afirma que só avançará em transações que façam sentido estratégico e gerem valor para os acionistas.
Ao mesmo tempo, manter a divisão de metais básicos pronta para um eventual IPO preserva a opcionalidade estratégica.
Na reunião, a mineradora também comentou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre seus custos.
Segundo estimativas citadas por analistas do Citi, a alta de cerca de US$ 20 por barril no petróleo Brent poderia gerar um impacto negativo de US$ 2 a US$ 2,5 por tonelada nos custos da companhia.
Esse efeito, no entanto, foi compensado pela alta recente no preço do minério de ferro, que subiu cerca de US$ 5 por tonelada desde o início do conflito.
Além disso, a Vale mantém um programa de proteção contra a alta do combustível usado no transporte marítimo e hoje está cerca de 75% protegida contra variações nesses preços.
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