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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

VEREDITO DO MERCADO

A Vale ainda tem espaço para subir mais? O tripé que chama atenção do gringo para os ADRs da mineradora

Analistas do Itaú BBA e do Citigroup reforçam a tese positiva para a mineradora após encontro com o CEO e o diretor de RI da companhia

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
10 de março de 2026
18:15 - atualizado às 16:44
Montagem traz um fundo com minério de ferro, uma mão segurando um punhado de minério do lado esquerdo, um gráfico em vermelho e verde na parte inferior e o logo da Vale na parte superior direita.
Vale (VALE3) - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ iStock/ Canva Pro

A Vale ainda pode surpreender em Wall Street? Para os especialistas no assunto, a resposta é sim — graças ao potencial para mais valorização dos papéis, à demanda global por aço e à vantagem competitiva da mineradora em produtos de maior qualidade.

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A conclusão veio de uma reunião entre executivos da mineradora com analistas nesta terça-feira (10).  Itaú BBA e Citigroup reforçaram a recomendação de compra para os American Depositary Receipts (ADRs) da empresa negociados em Nova York, sob o ticker VALE.

Lá fora, os papéis acumulam alta de mais de 20% em 2026, enquanto por aqui, VALE3 sobe 12% no ano.

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O encontro contou com a participação do CEO, Gustavo Pimenta, e do diretor de Relações com Investidores, Thiago Lofiego.

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Na conversa, a administração abordou temas que vêm dominando as discussões com investidores nas últimas semanas — entre eles, a possibilidade de uma oferta pública inicial de ações (IPO) da Vale Base Metals (VBM), a divisão de metais básicos da companhia.

Leia Também

Bancos mantêm recomendação de compra para a Vale

O Itaú BBA reiterou a recomendação outperform (equivalente à compra) para os ADRs da mineradora e vê potencial relevante de valorização.

Com o papel negociado perto de US$ 15,33, o banco projeta preço-alvo de US$ 19,50 para o fim de 2026, o que representa um upside de cerca de 27%.

Na visão dos analistas, a tese passa pela resiliência da demanda global por aço, mesmo em um cenário de menor crescimento da economia chinesa.

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“No curto prazo, a produção global de aço continua resiliente, mesmo diante da desaceleração da China”, afirma o time liderado por Daniel Sasson.

Outro ponto destacado é a vantagem competitiva da Vale em produtos de maior qualidade. A queda no teor de ferro em alguns contratos globais abre espaço para esse tipo de minério, no qual a companhia tende a se beneficiar.

No longo prazo, o banco também vê espaço para crescimento da demanda em novos mercados, com destaque para a Índia. A expectativa é que a Vale tenha vendido cerca de 10 milhões de toneladas ao país em 2025.

Citi também recomenda compra, mas corta preço-alvo

O Citigroup também manteve a recomendação de compra para os ADRs da mineradora, mas revisou o preço-alvo para US$ 14,00, ante US$ 15,33 anteriormente.

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Segundo o banco, a estimativa parte da ideia de que as ações da empresa devem valer cerca de 5,5 vezes o lucro operacional projetado para 2026.

“Esse múltiplo representa um desconto de cerca de 15% em relação a empresas globais comparáveis, já que esperamos que a Vale negocie com desconto frente aos pares internacionais”, afirmou o banco em relatório.

O que pode mexer com as ações da Vale

De acordo com o Citi, alguns fatores podem alterar a trajetória esperada para os papéis da mineradora:

  • mudanças em políticas tributárias ou regulatórias;
  • forte volatilidade nos preços dos metais;
  • oscilações relevantes no câmbio.

Segundo os analistas, caso esses fatores se desviem das projeções atuais, as ações podem não atingir o preço-alvo projetado — ou até superá-lo.

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IPO da VBM segue no radar

Durante a reunião com analistas, os executivos abordaram o possível IPO divisão de metais básicos da Vale, a VBM.

A companhia afirmou que abrir o capital da unidade não é um objetivo em si, mas sim uma possibilidade estratégica caso as condições de mercado se tornem favoráveis.

A avaliação da mineradora é que um IPO feito apenas para “destravar valor” provavelmente não resultaria em uma reprecificação relevante das ações, já que o mercado ainda tende a enxergar a Vale principalmente como uma produtora de minério de ferro.

A separação estrutural da divisão foi feita para dar mais foco à operação. O objetivo é ampliar a produção de cobre de cerca de 380 mil toneladas por ano atualmente para 700 mil toneladas anuais até 2035.

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Para isso, a empresa prevê investimentos de cerca de US$ 5 bilhões até 2035, sendo aproximadamente US$ 3 bilhões até 2030.

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Estratégia da Vale: crescer com disciplina

Segundo a administração, a estratégia de alocação de capital segue focada em crescimento orgânico e projetos de alto retorno, evitando movimentos de engenharia financeira.

Operações de fusões e aquisições não estão descartadas, mas a companhia afirma que só avançará em transações que façam sentido estratégico e gerem valor para os acionistas.

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Ao mesmo tempo, manter a divisão de metais básicos pronta para um eventual IPO preserva a opcionalidade estratégica.

Conflito no Oriente Médio tem efeito limitado

Na reunião, a mineradora também comentou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre seus custos.

Segundo estimativas citadas por analistas do Citi, a alta de cerca de US$ 20 por barril no petróleo Brent poderia gerar um impacto negativo de US$ 2 a US$ 2,5 por tonelada nos custos da companhia.

Esse efeito, no entanto, foi compensado pela alta recente no preço do minério de ferro, que subiu cerca de US$ 5 por tonelada desde o início do conflito.

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Além disso, a Vale mantém um programa de proteção contra a alta do combustível usado no transporte marítimo e hoje está cerca de 75% protegida contra variações nesses preços.

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