MRV (MRVE3) tem alta nas vendas e gera caixa, mas resultado veio fraco, dizem analistas; veja os principais números operacionais
Geração de caixa positiva se deve principalmente às vendas de ativos nos EUA; veja a avaliação do mercado da prévia operacional da construtora

A MRV (MRVE3) anunciou suas prévias do segundo trimestre de 2026 nesta quinta-feira (9), com vendas líquidas da divisão de incorporação abaixo do esperado pelo mercado.
Elas somaram R$ 2,75 bilhões no período, um crescimento de 3,4% na comparação anual, mas alta de 11,3% ante o primeiro trimestre.
Já um dos principais pontos positivos foi a geração de caixa da companhia, de R$ 77,2 milhões no trimestre e R$ 468,8 milhões nos seis primeiros meses do ano, ante queima de R$ 235,1 milhões no primeiro semestre do ano passado.
O que o mercado achou dos resultados da MRV
Para o BTG, "a MRV apresentou resultados operacionais mais fracos no segundo trimestre, refletindo desempenho abaixo do esperado principalmente nas operações brasileiras".
Mesmo assim, o banco segue otimista com a ação. "Apesar do desempenho operacional abaixo das expectativas no Brasil, a companhia segue exposta ao forte momento do programa Minha Casa Minha Vida e à perspectiva de normalização gradual dos resultados ao longo dos próximos períodos", diz, em relatório.
Para a XP, a prévia operacional da MRV é ligeiramente negativa do ponto de vista operacional, mas forte ao olhar para a geração de caixa. "Embora vendas e lançamentos tenham vindo abaixo das nossas expectativas, acreditamos que os investidores irão focar na geração de caixa e em sua trajetória adiante", diz a corretora.
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"O terceiro trimestre deverá ser um trimestre forte em geração de caixa, à medida que a companhia se desfaz dos ativos da Resia, vende menos unidades via financiamento direto e melhora sua geração de caixa na MRV Inc", acredita a XP.
Essa também é a visão do Citi. Segundo o banco, porém, a geração de caixa recorrente ficou em apenas R$ 19,6 milhões, ao excluir o efeito positivo de cessão de recebíveis. Para os analistas, esse é o principal ponto de atenção para a recuperação de confiança da empresa.
Geração de caixa com vendas da Resia
No segmento de incorporação, houve geração de R$ 121,1 milhões, ante consumo de caixa de R$ 55,1 milhões observado um ano antes.
A Resia, divisão da MRV nos Estados Unidos, ajudou a impulsionar a geração de caixa da empresa. Ela apresentou uma geração de caixa de US$ 5,2 milhões no segundo trimestre, o equivalente a cerca de R$ 26,7 milhões, uma queda de 87,7% ano a ano, mas seu maior valor veio da venda dos ativos.
No segundo trimestre, a companhia assinou a venda dos empreendimentos legados Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos localizados no estado do Texas, pelo valor de US$ 139 milhões.
Concluída a transação, o total de ativos vendidos no primeiro semestre de 2026 somará US$ 231 milhões, o que equivale a R$ 1,2 bilhão.
Dos empreendimentos já marcados para venda, restam apenas o Memorial, de US$ 109 milhões e que deve ser vendido ainda em 2026, e o Golden Glades, com valor patrimonial de US$ 133 milhões e que pode gerar lucro contábil para a empresa.
Foram R$ 469 milhões em geração de caixa no primeiro semestre do ano, "dentro de seu plano de desalavancagem e pelo resultado da operação de incorporação brasileira".
Lançamentos e expectativas da MRV
A empresa pisou no freio no valor dos lançamentos, que chegaram a R$ 2,95 bilhões, queda de 14,4% na comparação anual. No primeiro semestre, os lançamentos somaram R$ 5,87 bilhões. Já em unidades produzidas, foram 10.922, alta de 10,6%.
O motivo da redução no valor lançado é a intenção de diminuir a diferença entre unidades produzidas e repassadas — que nesse trimestre foi de 1.119. Enquanto os lançamentos caíram, as vendas líquidas aumentaram 2,3% no trimestre e 8,2% na primeira metade do ano.
Para a administração da MRV, esse é o principal gatilho para uma geração de caixa mais forte adiante, sugerindo um forte reconhecimento de receita no segundo trimestre do ano.
A expectativa da companhia é que os lançamentos aumentem nos próximos meses. “Temos um volume [de lançamentos] mais concentrado no segundo período do ano”, disse à Reuters o diretor financeiro da MRV&Co, Ricardo Paixão.
Segundo ele, os resultados devem ser impulsionados pelas mudanças nas faixas do programa Minha Casa Minha Vida. Em abril, foi aprovada a criação da Faixa 4, voltada para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil, além do reajuste das faixas vigentes do programa habitacional.
Apesar das expectativas positivas, o companhia vê com alguma cautela as mudanças no programa de renegociação de dívidas do governo, o Desenrola, que permite que trabalhadores usem parte do saldo do FGTS para quitar dívidas.
“Toda iniciativa que compromete o financiamento de habitação é uma preocupação do setor”, disse o diretor.
Com Money Times e Broadcast
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