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Durante teleconferência de balanço do Santander Brasil, o CEO Mario Leão comentou o caso do Banco Master e revelou o que esperar da estratégia do banco daqui para frente
É raro que um tema de fora da pauta oficial consiga interromper uma coletiva de resultados de um grande banco. O caso Banco Master foi um deles. Ao comentar o episódio que se tornou símbolo de falhas graves de governança e supervisão no sistema financeiro, Mario Leão, CEO do Santander Brasil (SANB11), afirma: “o país não deveria aceitar que um novo Banco Master pudesse acontecer.”
Para Leão, o caso não se limita às perdas financeiras de investidores e clientes do banco. Mais que isso, testa toda a regulamentação financeira brasileira — além da capacidade do sistema de evitar que distorções semelhantes voltem a ganhar escala no futuro.
Questionado sobre o impacto financeiro do episódio para o Santander, especialmente diante da necessidade de recomposição do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o executivo foi cauteloso. Disse que não poderia antecipar números e deixou claro que o processo agora está nas mãos do regulador.
Segundo ele, o FGC deve demandar os fundos e o regulador avalia como essa recomposição deve acontecer. Ou seja, essa decisão não cabe aos bancos.
"Há um desafio de recomposição e, principalmente, de evolução das regras para que uma situação como essa não volte a acontecer”, disse o executivo em entrevista coletiva com jornalistas na manhã desta quarta-feira (4). “É um tema institucional do país”, acrescentou.
Apesar da contundência da fala, o tema ocupou apenas alguns minutos finais do encontro com jornalistas.
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O foco da reunião era outro: os números do quarto trimestre e, sobretudo, revelar os próximos passos do Santander Brasil em um cenário de crédito mais seletivo, juros ainda elevados e pressão crescente por rentabilidade.
Nos bastidores do mercado, um velho rumor voltou a circular com força nos últimos dias: faria sentido o Santander manter o capital aberto no Brasil, com um free float reduzido, em meio a um nível tão robusto de capital na matriz espanhola?
A especulação sobre uma possível saíra da B3 ganhou tração justamente quando investidores começaram a recalibrar expectativas sobre onde o grupo espanhol colocaria seu capital.
Mas, na noite anterior à coletiva, o cenário mudou: o Santander anunciou a aquisição do banco norte-americano Webster Bank por US$ 12,2 bilhões. A operação, inevitavelmente, consome parte relevante do excesso de capital do grupo — que poderia seria usado em uma eventual OPA da filial brasileira.
Na visão de Mario Leão, isso não altera o papel estratégico do Brasil — nem coloca ou elimina uma OPA do radar imediato da administração.
“Não é uma decisão que nos cabe. Nossa responsabilidade é continuar crescendo, gerar capital para o grupo e apontar a direção certa. Todo o resto é especulação.”
Segundo o executivo, a expansão nos Estados Unidos reforça, e não diminui, a importância do Santander Brasil, gerador de caixa, dentro da estratégia de expansão global.
“O Brasil é um dos maiores geradores de capital do grupo, logo, a necessidade de crescimento do grupo depende muito do crescimento do país”, disse o executivo.
No passado recente, o Santander Brasil chegou a sentir os efeitos de uma deterioração mais ampla da inadimplência. Agora a estratégia é outra. O banco decidiu trocar velocidade por precisão. A palavra de ordem é seletividade.
“Não acordamos pensando em crescer mais do que A, B ou C. Queremos crescer desproporcionalmente nos segmentos que escolhemos e, quando possível, ganhar do mercado”, afirmou Leão.
Esses segmentos têm nome e sobrenome: alta renda e pequenas e médias empresas (PMEs).
Ao mesmo tempo, o banco trabalha para reduzir, de forma gradual, a exposição à baixa renda, para reequilibrar o risco da carteira.
Apesar disso, mesmo com essa postura mais conservadora, os indicadores de qualidade de crédito ainda mostraram deterioração no quarto trimestre, especialmente em portfólios específicos.
Quanto à ambição no segmento de alta renda, o CEO do Santander Brasil afirma: “se não crescermos dois dígitos na alta renda, não teremos feito um bom trabalho.”
O plano passa por crescer de forma desproporcional nesses clientes, enquanto a carteira de baixa renda encolhe relativamente.
Segundo o CFO do Santander Brasil, Gustavo Alejo, o banco segue vendo pressão em determinadas carteiras — com destaque para o agronegócio, especialmente entre pequenas empresas, e para o crédito de baixa renda de pessoa física.
“Com um ano ainda de Selic alta, é natural que existam eventos de crédito”, disse Alejo sobre inadimplência de grandes empresas. “Veremos mais pressão em provisões.”
Para 2026, a expectativa da administração é de uma dinâmica mais favorável, sobretudo nos segmentos de médias e grandes empresas, justamente nos quais o banco precisou reforçar provisões ao longo de 2025, diante de reestruturações e pedidos de recuperação judicial.
Ainda assim, Leão faz questão de lembrar que, mesmo que o ciclo de afrouxamento monetário comece no Brasil nos próximos, uma Selic terminal em torno de 12% ao ano (se chegar a tanto) continuará sendo elevada. O ambiente seguirá difícil para o crédito — e a gestão terá de ser fina.
Esse processo de redução de risco é um tema recorrente no discurso do CEO. Apesar dos solavancos no curto prazo, Leão afirma que a estratégia exige tempo.
Não se trata de eliminar carteiras inteiras, mas de ajustar o estoque, reduzir gradualmente os segmentos mais arriscados e fazer com que, trimestre após trimestre, o portfólio agregado fique mais saudável.
O objetivo é levar o Santander Brasil de volta a um ROE em torno de 20% no curto a médio prazo. “20% não é o patamar final. Depois vem 22%, 23%. Mas essa jornada não se resolve no próximo trimestre”, acrescentou Leão.
Além do crédito, o Santander também vê sinais de retomada no mercado de capitais. A expectativa é de que ofertas iniciais de ações (IPOs) voltem a ganhar tração na B3 já na primeira metade do ano.
“É difícil antecipar. Precisam ser histórias resilientes, com resultados recorrentes. Acredito que teremos isso do segundo trimestre em diante”, prevê o CEO.
Na renda fixa, a leitura é de continuidade da performance positiva: o Brasil deve permanecer em um patamar “bastante alto” de emissões, refletindo a atratividade do CDI, segundo o CEO.
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