O setor açúcar e etanol anda mal, mas o Itaú BBA acredita que esta ação deve estar na carteira — potencial de alta é de 36%
Banco iniciou cobertura do papel com recomendação de compra, apesar do cenário adverso para o segmento

Mesmo em um momento pouco amigável para o setor de açúcar e etanol, com menos apetite dos investidores e preços nada favoráveis, o Itaú BBA selecionou uma ação do setor como favorita: a Jalles Machado (JALL3).
O banco iniciou a cobertura dos papéis com recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 4, o que representa uma valorização potencial de 36% frente ao fechamento da última segunda-feira (2).
Por que ação da Jalles Machado é a queridinha do Itáu BBA?
De acordo com os analistas, a ação da empresa está em uma posição relativamente mais protegida do que a média dos pares em relação ao momento do setor de açúcar e etanol.
Na leitura do banco, essa resiliência vem da combinação entre eficiência operacional acima da média e uma base de receitas mais defensiva, puxada sobretudo pelo açúcar orgânico e por uma política de hedge mais alongada.
Soma-se a isso o potencial ainda pouco explorado do cluster de Santa Vitória (USV) — conjunto de ativos da companhia em Minas Gerais que reúne a usina, os canaviais e toda a infraestrutura agrícola e industrial associada.
O cluster é apontado como um dos principais vetores de criação de valor ao longo dos próximos anos, à medida que a unidade avança em produtividade e utilização da capacidade.
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“A geração de caixa no curto prazo segue limitada, mas vemos espaço para um crescimento anual composto de 25% no Ebit [lucro antes de juros e impostos] ajustado entre 2026 e 2030, impulsionado principalmente pelo aumento da utilização da capacidade da USV e pela normalização das margens no consolidado”, escrevem os analistas do Itaú BBA.
Segundo o banco, a Jalles é hoje uma das empresas mais diversificadas do setor sucroenergético no Brasil, onde operam outras grandes companhias, como Raízen (RAIZ4) e São Martinho (SMTO3).
Cerca de 23% da receita consolidada vem de produtos de maior valor agregado — como açúcar e etanol orgânicos, itens de sanitização e créditos de carbono —, o que reduz a dependência do ciclo tradicional das commodities.
Já os produtos mais tradicionais seguem relevantes no mix: açúcar cristal respondeu por aproximadamente 30% da receita nos últimos anos, etanol hidratado por 35%, etanol anidro por 10% e açúcar bruto (VHP) por cerca de 3%.
Os três pilares da tese do Itaú BBA para JALL3
O primeiro deles é a eficiência operacional acima da média, essencial em um setor de commodities. Nos últimos cinco anos, a companhia manteve uma produtividade (TCH) consistentemente superior à média do Centro-Sul, beneficiada tanto pela localização quanto pelo uso intensivo de irrigação.
Atualmente, cerca de 60% das áreas de cana em Goiás já contam com irrigação, com cobertura total das áreas consideradas críticas. Os investimentos também avançam em Minas Gerais. Esse conjunto ajuda a mitigar riscos climáticos, aumentando a previsibilidade da operação.
Outro pilar da tese está na capacidade de capturar valor fora da lógica tradicional do açúcar e do etanol. A produção de açúcar orgânico exige know-how técnico, controle agrícola rigoroso e certificações complexas — fatores que criam barreiras relevantes à entrada.
Não por acaso, muitos concorrentes abandonaram esse nicho nos últimos anos. Além disso, o açúcar orgânico tem uma dinâmica própria de preços, menos correlacionada ao ciclo do açúcar convencional, o que ajuda a suavizar impactos em períodos de baixa e reduz a volatilidade dos resultados.
O cluster de Santa Vitória é visto como a principal aposta para destravar valor no médio e longo prazo. Desde a aquisição, a unidade enfrentou desafios para atingir o nível ideal de produtividade, operando abaixo da capacidade potencial.
Ainda assim, o Itaú BBA avalia que a administração tem atuado para corrigir essas limitações. Dado o histórico de execução da companhia, o banco espera uma evolução gradual, com ganhos de eficiência e produtividade capazes de transformar o perfil de resultados da Jalles ao longo do tempo.
“A melhora operacional da USV deve se consolidar como um dos principais impulsionadores da tese de investimento da companhia nos próximos anos”, afirmam os analistas.
Com informações Money Times
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