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BTG vê aumento de capital da Hypera como sinal de dificuldade para reduzir dívida de forma orgânica e alerta para diluição de até 10% aos acionistas
A Hypera (HYPE3), uma as maiores empresas farmacêuticas do país e dona de marcas como Buscopan, Neosaldina, Coristina e outras, está na labuta para reduzir o endividamento e fortalecer a estrutura de capital.
A empresa anunciou na noite de ontem (3) um aumento de capital que pode chegar a até R$ 1,5 bilhão, com piso de R$ 1,15 bilhão. Mas o BTG Pactual olha com ceticismo para a notícia.
“Em nossa visão, a transação indica dificuldades da companhia em reduzir o endividamento de maneira orgânica e a solução escolhida impõe uma diluição relevante aos acionistas minoritários”, escreve o banco em relatório. Com a operação, a base acionária atual deve ser diluída em 10%.
Segundo o time de análise, a expectativa é que os recursos sejam direcionados majoritariamente à redução de dívida. Um aumento de R$ 1,5 bilhão reduziria a alavancagem em “apenas” cerca de 0,5 vez Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) frente aos níveis atuais.
A companhia encerrou o terceiro trimestre de 2025, a mais recente divulgação de resultados, com uma alavancagem de 2,4 vezes o Ebitda das operações continuadas do período. O BTG manteve recomendação neutra para os papéis.
O BTG também pondera que o mercado poderia interpretar o aumento de capital como um sinal de uma possível aquisição. Porém, mesmo com o aumento de capital, a estrutura da companhia segue relativamente apertada.
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Mesmo com rumores de que a Medley — divisão de genéricos da Sanofi, farmacêutica multinacional francesa — esteja à venda por um valor estimado em pelo menos US$ 500 milhões, o aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão não seria suficiente para viabilizar uma operação desse porte.
A operação prevê a emissão de 70,5 milhões de novas ações ao preço de R$ 21,25 por papel, valor que representa um desconto de 10,7% em relação à média de negociação dos últimos 30 dias.
Com cerca de 50% do capital nas mãos dos controladores, a expectativa é de uma subscrição mínima próxima de R$ 800 milhões, já que eles se comprometeram a exercer integralmente seus direitos de preferência.
Além disso, a Votorantim, principal acionista da Hypera, deve atuar como investidor âncora e poderá aportar até R$ 1 bilhão em caso de sobras.
Na prática, o grupo poderá absorver a maior parte das ações remanescentes caso a demanda de minoritários seja limitada.
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