Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
Marília Carvalho de Melo, que havia assumido a presidência em janeiro deste ano, dá lugar a Augusto Dantas Borges no cargo de CEO; além disso, golden share ganha novas vantagens

Nem deu tempo de esquentar a cadeira. A Copasa (CSMG3) anunciou ao mercado a nova composição de seu conselho de administração e diretoria, em meio ao processo de privatização da companhia de saneamento e nova condição como sociedade privada.
Além de grandes mudanças na liderança da companhia de saneamento de Minas Gerais, o conselho também aprovou uma novidade importante para o governo do estado: novas vantagens para o detentor da golden share. Estiveram presentes na assembleia acionistas representando 79,94% do capital social da empresa.
Marília Carvalho de Melo, que havia assumido a presidência em janeiro deste ano, dá lugar a Augusto Dantas Borges no cargo de CEO. Ela passa a ser a diretora de relações institucionais e de sustentabilidade.
Quem é o novo presidente e quais os seus desafios
Dantas tem sólida experiência no setor de saneamento. Ele possui mais de 18 anos de trajetória no Grupo Equatorial, com passagens como CEO da Equatorial Maranhão e Diretor na Equatorial Pará.
Em 2021, assumiu como Diretor-Presidente da CSA – Companhia de Saneamento do Amapá, primeira concessão de saneamento do Grupo Equatorial, acumulando também a presidência da CEA – Companhia de Eletricidade do Amapá. Sob sua liderança, o grupo reuniu operações estratégicas nos segmentos de energia e saneamento.
Nos últimos meses, Bradesco BBI, Itaú BBA e Safra aumentaram as suas apostas na Copasa. Os bancos acreditam que a empresa pode entregar maior eficiência com a privatização.
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Mais do que isso, a empresa entra em um longo ciclo de universalização do saneamento e melhora no nível de serviço. Juntos, esses pontos podem sustentar crescimento e retornos elevados por mais de uma década, na avaliação dos analistas do Itaú BBA.
“Nossa principal conclusão é simples: a privatização não é o fim da história, mas o início de um novo ciclo de geração composta de valor”, afirmam.
O banco vê a Copasa entrando no que pode ser o ciclo de investimentos mais importante de sua história, mas com uma diferença: a expansão da base de ativos e os ganhos de eficiência também podem se transformar em valor para os acionistas e tornar a companhia uma relevante pagadora de dividendos.
Já o Bradesco BBI espera aumento da receita com o reajuste tarifário de 2027, redução de custos e maior remuneração dos investimentos realizados pela Copasa.
O que muda com a golden share na Copasa
Na assembleia de ontem, a empresa aprovou a alteração do estatuto social da companhia para atribuir novos direitos a uma golden share detida pelo estado de Minas Gerais.
Para quem perdeu os últimos capítulos, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi privatizada em junho deste ano, quando o governo de Minas Gerais vendeu parte de sua participação na companhia. Na operação, a Equatorial adquiriu 30% do capital social e tornou-se a maior acionista da empresa.
Mas, mesmo perdendo o controle da empresa, o governo continua com poder de veto e de interferir em decisões estratégicas da companhia.
O governo, que tem 5,03% de participação da companhia, tem agora o direito de eleger, em votação separada, um membro do conselho de administração e um membro do conselho fiscal, além de definir regras para eventual alteração desses direitos. E só o próprio governo pode destituir esses cargos.
Isso significa que o acordo de acionistas firmado até então foi rescindido de forma antecipada.
- LEIA TAMBÉM: Itaú BBA turbina preço-alvo da Copasa (CSMG3) em quase 50%; o que pode destravar valor para a ação?
Além da Equatorial, os fundos da gestora Perfin também têm participação relevante na companhia, de 20,11%. Outros 44,58% estão em distribuição no mercado.
Na véspera, a Equatorial negou intenção de sair ou desinvestir sua participação na Copasa, após pedido de rescisão antecipada do acordo de acionistas assinado em junho com o estado de Minas Gerais, no contexto da assembleia sobre a golden share.
Quem são os novos diretores da Copasa
O conselho eleito aprovou a nova composição da diretoria da Copasa, com mandato até 28 de setembro de 2028, da seguinte forma:
- Augusto Dantas Borges, para o cargo de diretor-presidente;
- Herbert Arnaud Dantas, para atuação como diretor de operações e, interinamente, como diretor de engenharia;
- Marília Carvalho de Melo, para atuação como diretora de relações institucionais e sustentabilidade;
- Adriano Rudek de Moura, para o cargo de diretor financeiro e de relações com investidores;
- Cleyson Jacomini de Sousa, para atuação como diretor comercial.
Deixaram de ocupar cargos na diretoria da Copasa a Laura Petri Geraldino e Pablo Ferraço Andreão.
Novo conselho na Copasa
A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada na segunda-feira (28) também elegeu os nove membros para o conselho, todos com mandato unificado até a Assembleia Geral Ordinária que deliberar sobre as demonstrações financeiras do exercício social a se encerrar em 31 de dezembro de 2027.
Veja os conselheiros eleitos:
- Tinn Freire Amado, membro efetivo do conselho ;
- Leonardo da Silva Lucas Tavares de Lima, membro efetivo do conselho;
- Bruno Magalhães e Silva, membro efetivo e independente do conselho;
- Denis Jungerman, membro efetivo e independente do conselho;
- Felipe Dutra Cançado, membro efetivo do conselho;
- Gustavo de Andrade Miranda, membro efetivo e independente do conselho;
- Gustavo de Oliveira Barbosa, membro efetivo do conselho;
- José Formoso Martinez, membro efetivo e independente do conselho; e
- Ralph Gustavo Rosenberg, membro efetivo e independente do conselho.
Dessa maneira, deixaram de ocupar cargos no conselho de administração Carlos Alexandre Jorge da
Costa, José Alvim Pereira, Márcia Fragoso Soares, Marília Carvalho de Melo e Roberto Corrêa Barbuti.
Tinn Amado é também membro dos conselhos de administração da Equatorial e da Echoenergia, tendo exercido cargos de diretor-presidente da Echoenergia e Diretor de Regulação e de Novos Negócios na Equatorial. Também foi membro do conselho de Administração da Sabesp.
Já Leonardo Lucas é executivo com mais de 25 anos de experiência profissional, dos quais mais de 21 anos no Grupo Equatorial, onde ingressou em 2005. É diretor financeiro e de relações com investidores da Equatorial desde 2019, acumulando desde 2022 a diretoria de M&A e estratégia.
Com Money Times
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