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Carina Brito

Carina Brito

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Marketing e Mídias Digitais pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Trabalhou como repórter da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios e já escreveu para Valor Econômico, Revista Galileu e UOL. Hoje é editora de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), Carreira e ESG do Seu Dinheiro.

GOVERNANÇA

Natura (NATU3) e Motiva (MOTV3) são selecionadas em ranking global de ética corporativa

Levantamento do Ethisphere Institute reúne 138 empresas em 17 países e aponta desempenho superior e maior resiliência em momentos de crise

Carina Brito
Carina Brito
20 de março de 2026
14:51 - atualizado às 15:44
Natura (NATU3) e Motiva (MOTV3) são selecionadas em ranking global de ética corporativa - Imagem: iSock

A Natura (NATU3) e a Motiva (MOTV3) foram selecionadas entre as Empresas Mais Éticas do Mundo (World’s Most Ethical Companies), ranking elaborado pelo Ethisphere Institute, organização dedicada à definição e ao avanço de padrões de ética nos negócios.

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Na 20ª edição anual, o levantamento reconheceu 138 empresas de 17 países, com atuação em 40 setores — sendo 85% delas de capital aberto. A lista destaca companhias com programas estruturados de ética, compliance e governança corporativa.

A seleção é baseada no Ethics Quotient, uma avaliação composta por mais de 240 questões que analisam aspectos como governança, cultura organizacional, gestão de riscos, treinamento e conformidade.

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A Natura aparece pela 15ª vez no ranking, enquanto a Motiva, antiga CCR, integra a lista pela primeira vez.

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No mercado acionário, os papéis das duas empresas registraram momentos de valorização recentemente. A NATU3 acumulou alta de 26,04% desde o começo de 2026, embora ainda tenha queda de 2,69% nos últimos 12 meses. Já a MOTV3 vive o caminho inverso: com alta de 28,63% nos últimos 12 meses, 2026 tem sido um ano difícil para ela, que já caiu 1,86%.

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Desempenho e resiliência

De acordo com o relatório, empresas reconhecidas por práticas éticas tendem a apresentar desempenho financeiro superior e maior capacidade de recuperação em cenários adversos.

O grupo analisado superou um índice global de mercado em 8,2 pontos percentuais no período de cinco anos entre 2021 e 2025. A comparação foi feita com o Solactive GBS Global Markets All Cap USD Index, referência ampla do mercado acionário global.

O estudo ressalta que o chamado “Ethics Premium” não estabelece uma relação direta de causa e efeito, mas indica uma correlação consistente: organizações com programas robustos de ética, compliance e governança tendem a apresentar resultados mais sólidos ao longo do tempo.

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Além do retorno mais elevado, essas empresas também demonstraram menor exposição a perdas em momentos de turbulência. Nos episódios mais críticos dos últimos cinco anos, registraram queda máxima 7,1% menor que a do índice de referência, recuperação 10,1% mais rápida e passaram 14,4% menos tempo operando abaixo do pico anterior.

Em setembro de 2022, considerado um período de maior estresse, o desempenho do grupo foi 12,5% superior ao benchmark.

Segundo o relatório, programas de ética não eliminam crises, mas contribuem para preservar a confiança, sustentar a operação e acelerar a retomada.

Ganhos e proteção em ciclos de mercado

O levantamento também indica que empresas com práticas mais estruturadas de ética conseguem capturar melhor os momentos de alta e, ao mesmo tempo, limitar perdas em fases de retração.

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No período analisado, essas companhias capturaram 104% das altas do mercado e 97% das quedas. Na prática, isso significa maior participação nos ciclos de crescimento e menor exposição em momentos negativos.

Outro ponto destacado é a consistência. O desempenho superior não se concentra em um período específico: as empresas superaram o mercado em 65% das janelas móveis de 12 meses ao longo dos últimos cinco anos. Segundo a Ethisphere, esse grupo supera seus pares de forma recorrente desde o início da medição.

Peso dos ativos intangíveis

O relatório também aponta mudanças na composição de valor das empresas. Até o fim de 2025, ativos intangíveis — como reputação, cultura organizacional, confiança e dados — representavam cerca de 92% do valor de mercado das companhias do S&P 500, segundo estimativas citadas no estudo.

Nesse contexto, práticas éticas tendem a ganhar relevância, ao contribuir para a proteção desses ativos e para a qualidade da tomada de decisão.

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Práticas recorrentes entre as empresas reconhecidas

Entre as iniciativas mais comuns nas companhias listadas estão maior transparência interna, com divulgação de dados sobre investigações e medidas disciplinares, além de treinamentos mais dinâmicos e personalizados.

O estudo também destaca o uso de análises de causa raiz para prevenção de problemas de compliance e o maior envolvimento da liderança e dos conselhos na supervisão de riscos.

Para a Ethisphere, o principal recado é que investimentos em ética vão além da reputação e podem fazer parte da estratégia de negócios, especialmente em um ambiente marcado por volatilidade.

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O que levou Natura e Motiva ao ranking

Segundo a Motiva, o avanço em governança ganhou força a partir de 2021, com a implantação de um Programa de Integridade em ativos nacionais e internacionais e a criação do Hands On Integridade & ESG, iniciativa desenvolvida em parceria com a Fundação Dom Cabral voltada à qualificação de pequenos e médios fornecedores

Desde 2023, a área de compliance realiza monitoramento contínuo para medir a aderência das atividades às leis e às políticas internas.

“Integridade é um pilar da nossa cultura, não tratamos ética como um tema de compliance isolado. Na prática, ética e transparência são um dos principais vetores de qualidade da gestão”, afirma Marília Zulini, diretora de Compliance da Motiva.

“Ética não é um custo de controle; é um habilitador invisível que sustenta crescimento consistente e de longo prazo. Fazendo uma analogia com o nosso setor, o programa de integridade e compliance funciona como um pavimento robusto e de qualidade, permitindo que, mesmo em situações instáveis, os negócios possam ser realizados com segurança e agilidade. Isso se traduz em eficiência”, acrescenta.

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Segundo a executiva, em infraestrutura de mobilidade, a cadeia de fornecedores é uma dimensão sensível e estratégica para mitigação de riscos e fortalecimento da integridade.

“Trabalhamos com processos estruturados de avaliação de terceiros, com critérios que vão além de preço e capacidade técnica. Avaliamos histórico, práticas de governança e exposição ao risco, alinhado ao que o relatório aponta como maturidade na gestão de risco de terceiros”, diz.

Em nota, a Natura afirma que o reconhecimento reflete o compromisso da companhia “com a ética e a transparência na condução de seus negócios, sustentado por um robusto Programa de Ética e Compliance”.

“A companhia também investe no engajamento ativo de sua rede de colaboradores, consultoras e parceiros nos princípios que orientam sua atuação e reforçam seu papel na construção de uma economia mais justa e regenerativa”, informou a empresa.

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