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A criação de uma reserva de petróleo ou de um fundo de estabilização voltam a circular; entenda o que realmente funcionaria neste momento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma sugestão nesta sexta-feira (20) que promete mexer com as expectativas ligadas à Petrobras (PETR4). Em meio à escalada de tensões entre EUA e Irã e o risco de interrupção no fornecimento via Estreito de Ormuz, o petista defendeu que a estatal crise um estoque regulador de petróleo.
A intenção do governo é clara: ter uma blindagem estratégica contra variações bruscas de preços causadas por guerras ou greves.
"A vida inteira eu acreditei que a Petrobras tinha estoque regulador. Se não para a guerra, pelo menos para a greve”, disse Lula em evento em Minas Gerais.
“Isso não é uma coisa rápida, leva tempo; é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar", acrescentou.
Para Lula, a medida funcionaria como as reservas internacionais do Brasil — aquele colchão em dólar que garante a soberania do país. Mas será que, na prática, essa poupança de barris resolve o problema do seu bolso no posto de gasolina?
Apesar do tom otimista do governo, fontes de mercado ouvidas pelo Seu Dinheiro colocam um balde de água fria na proposta. A avaliação é que, no cenário atual, a medida é pouco efetiva.
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O argumento é simples: o Brasil já é um exportador líquido de petróleo. Ou seja, sobra óleo bruto por aqui. O que falta, na verdade, é diesel.
Uma fonte comparou a situação com a vida financeira de qualquer brasileiro: "Ter uma reserva é importante, assim como ter uma poupança é fundamental para qualquer pessoa. Mas ela não resolve o problema específico", disse.
Se o estoque físico de petróleo levanta dúvidas, outra ideia que sempre volta em tempos de crise é a criação de um fundo de estabilização.
“A ideia desse fundo é acumular uma determinada quantia para, quando o petróleo subir, a Petrobras não reajustar o preço. Em vez disso, a estatal recorreria aos recursos do fundo para não ficar no vermelho”, disse Pedro Schneider, economista do Itaú BBA.
“Quando o preço do petróleo cair, a Petrobras também não ajustaria os valores e abasteceria o fundo de novo. Dessa forma, a estatal não fica no prejuízo”, acrescentou.
Segundo Schneider, o fundo poderia ser abastecido com royalties ou dividendos que o governo recebe.
“A questão é que precisa ter transparência sobre quanto dinheiro o fundo tem, quanto entra e quanto sai. Sempre dentro do orçamento e das regras fiscais”, afirmou.
“Se for um orçamento paralelo, que não entra em meta nenhuma, não sabe nada dos valores e das movimentações dos fundos, não serve. É pior para as condições fiscais do governo. A transparência é importante”, acrescentou.
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