Pior dia em quatro anos: Embraer (EMBJ3) sucumbe aos riscos no Oriente Médio. Foi exagero ou não? JP Morgan responde
O banco avalia os temores do mercado sobre atrasos na carteira de pedidos da companhia e diz o que fazer com a ação a partir de agora

A Embraer (EMBJ3) perdeu bastante altitude na bolsa. No pior pregão dos últimos quatro anos, a fabricante de aviões caiu mais de 11% na quinta-feira (12) com temores sobre atrasos ou cancelamentos na carteira de pedidos da companhia (backlog) em meio à escalada das tensões geopolíticas e do avanço de preços dos combustíveis. Mas, na visão do JP Morgan, o movimento foi exagerado.
Segundo o banco, a parcela da carteira de pedidos potencialmente mais vulnerável ao atual cenário global é relativamente pequena e teria impacto limitado nos resultados da companhia.
Hoje, a Embraer possui um backlog de US$ 31,6 bilhões, sendo US$ 14,5 bilhões apenas na aviação comercial, o equivalente a 459 aeronaves já encomendadas, mas ainda não entregues.
Dentro desse universo, a fatia considerada mais sensível pelos investidores é relativamente restrita.
Sete jatos estão ligados a companhias do Oriente Médio — Salam Air e Royal Jordanian —, enquanto outros 50 aviões foram encomendados por novas empresas aéreas, como a Avelo, cujas operações podem sofrer atrasos caso o custo do combustível pressione o setor.
Somados, esses 57 jatos representam cerca de US$ 4,8 bilhões do backlog da Embraer, o que se traduz em aproximadamente US$ 3 bilhões em receitas potenciais, considerando um desconto médio de 40% sobre os preços de tabela.
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Desde o início da guerra envolvendo o Irã, o Brent, referência global, já acumulou alta de cerca de 40%, com o barril voltando ao patamar de US$ 100, o que eleva os custos das companhias aéreas e pode pressionar decisões de investimento no setor.
Guerra no Irã: os possíveis impactos na Embraer
Para o JP Morgan, as entregas da divisão de aviação comercial são as mais sensíveis ao atual cenário.
Nas contas do banco, uma redução de 5% nas entregas do segmento — cerca de cinco aeronaves — teria impacto de aproximadamente 1% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deste ano.
Os analistas também estimam que cada queda de 5% nos pedidos da divisão poderia reduzir em cerca de 2% o valor de mercado da Embraer, que atualmente gira em torno de R$ 55 bilhões. O cenário-base do banco prevê 83 aeronaves comerciais entregues em 2026 e 90 no ano seguinte.
Já na aviação executiva, um corte de 5% nas entregas teria impacto maior, de cerca de 5% no Ebitda deste ano, caso ocorra. O JP Morgan projeta 165 jatos executivos entregues em 2026 e 175 em 2027.
Em um cenário mais extremo, os analistas calculam que uma redução de 20% nas entregas tanto na aviação comercial quanto na executiva poderia levar a uma revisão negativa de até 12% no Ebitda da companhia em 2026 e 2027.
O que fazer com as ações EMBJ3 agora?
Para os analistas do JP Morgan, as ações da Embraer seguem descontadas em relação aos principais pares. A companhia está sendo negociada a um múltiplo de 8,9 vezes o valor da firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) ante 11,2x da Airbus, 36,1x da Boeing e 12,8x da Bombardier.
A equipe do banco norte-americano também destaca que, considerando os 10 piores desempenhos diários de EMBJ3 na última década, sete deles ocorreram durante a pandemia de Covid-19 – sendo os três piores em março de 2020, após os lockdowns.
O preço da ação, porém, superou a queda após 30 dias em três ocasiões de forte queda, com alta média de 4% e em outras três ocorrência, a recuperação aconteceu nos 90 dias seguintes com uma alta média de 6% nas cotações dos papéis.
O JP Morgan tem recomendação de compra para EMBJ3, negociada na B3, e para EMBJ, listado na Bolsa de Nova York (Nyse).
*Com informações Money Times
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