Duplo upgrade: por que o BofA enxerga potencial claro de valorização para Isa Energia (ISAE4)
Duplo upgrade do BofA e revisão do preço-alvo reforçam tese de valorização, ancorada em valuation atrativo, baixo risco e gatilhos como disputa bilionária com o Estado de São Paulo e novos investimentos

Os preços das ações da Isa Energia (ISAE4) guardam um potencial claro de valorização, na visão do Bank of America (BofA), que promoveu um “duplo upgrade” na recomendação para os papéis, de venda para compra.
Os analistas também aumentaram o preço-alvo, de R$ 26 para R$ 35 no final deste ano – o que representa um potencial de valorização de 13,8% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (10). Nos últimos 12 meses, ISAE4 acumula alta de 50,15%, contra 54,03% do Ibovespa.
Os papéis operam em tom positivo hoje. Por volta de 14h, ISAE4 registrava ganho de 0,98%, a R$ 31,03.
Três motivos para comprar as ações da Isa Energia
Para o BofA, ao menos três motivos justificam a recomendação das ações da ISA Energia.
Em primeiro lugar, na visão do banco, a companhia está sendo negociada com um valuation atrativo, considerando que a empresa, que atua no segmento de transmissão de energia, apresenta um perfil de baixo risco, com sensibilidade à volatilidade inferior à de seus pares.
Em segundo lugar, ISAE4 negocia com um prêmio de risco de ações (ERP) de cerca de 380 pontos-base (bps) em relação ao título do Tesouro NTN-B de longo prazo, também conhecido como Tesouro IPCA, atrelado à inflação, em linha com os pares.
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“Isso implica um ERP de 760 bps contra 500 bps do setor, sugerindo um prêmio de risco excessivo para um ativo de baixo risco”, diz o relatório. Quanto maior o prêmio de risco, maior o desconto nos papéis.
Na avaliação dos analistas, a Isa Energia ainda carrega potenciais ganhos que podem destravar valor no futuro, que não estão refletidas no preço da ação. O principal exemplo é o contencioso previdenciário estimado em cerca de R$ 2,7 bilhões, atualmente em fase de renegociação judicial com o governo de São Paulo.
Com a abertura formal desses canais de negociação, o Bank of America passou a adotar uma visão mais construtiva, ainda que cautelosa, diante do avanço nas discussões sobre os termos comerciais — o que pode reforçar o caixa e impulsionar o valor dos papéis no caso de desfecho favorável. Apesar desse progresso, o analista Gustavo Faria acredita que o mercado ainda não incluiu essa possibilidade no preço da ação.
Em um cenário conservador, o BofA estima um acordo entre a companhia e o estado apenas em 2028, com um haircut (corte em parte dos recebíveis) de 75% – o que adicionaria cerca de 6% ao Valor Presente Líquido (VPL).
Já em um cenário mais favorável, considerando um acordo entre R$ 4,6 bilhões a R$ 6,1 bilhões, ajustado por IPCA-Selic, após impostos, o banco prevê uma alta de 10% a 20% no VPL.
Além disso, o analista afirma que um ciclo maior de capex (investimentos) de reforços e o possível reconhecimento de ativos não remunerados na base regulatória (RAB) podem adicionar mais de 3% ao VPL.
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