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Otávio Preto

Otávio Preto

Formado em Jornalismo pela PUC-SP, atua como repórter no Money Times e no Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como analista de mídias sociais, com experiência em produção de conteúdo para diferentes plataformas digitais. Antes disso, foi repórter no site Monitor do Mercado.

TECNOLOGIA DA CHINA

DeepSeek faz aniversário: o impacto da inteligência artificial chinesa um ano depois de ela abalar o mercado na visão de uma asset suíça

Relatório da asset suíça Atonra avalia como o DeepSeek surpreendeu mercados, acelerou a transformação tecnológica da China e intensificou a disputa global em inteligência artificial

Otávio Preto
Otávio Preto
27 de janeiro de 2026
11:11
Duas pessoas olhando tela com os dizeres AI com um cérebro desenhado em led atrás. Em primeiro plano, computador com logo da IA chinesa DeepSeek na tela
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

O que você estava fazendo há um ano? Em 20 de janeiro de 2025, Donald Trump tomava posse pela segunda vez da presidência dos Estados Unidos, a guerra no Leste Europeu seguia sem solução à vista e Gabriel Galípolo estava no seu primeiro mês à frente do Banco Central (BC). Enquanto isso, a cena da inteligência artificial mundial era sacudida por um novo lançamento da China: o DeepSeek

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É verdade que 20 de janeiro não foi a data exata que o mercado se deu conta da nova IA, mas sim uma semana depois, no dia 27 de janeiro de 2025. 

O evento — descrito por analistas como um “momento DeepSeek” ou "Sputnik da IA" — não só abalou mercados e expectativas, como também acelerou um processo estrutural de transformação na tecnologia chinesa e acirrou a competição global no setor. 

Choque imediato e repercussões nos mercados 

O DeepSeek-R1 surpreendeu investidores e especialistas por entregar desempenho próximo ao dos principais modelos ocidentais — como ChatGPT e GPT-4 — porém com custos de treinamento drasticamente menores.

VEJA TAMBÉM: TRIBUTAÇÃO DE DIVIDENDOS à vista: Empresas aceleram pagamento de proventos assista o novo episódio do Touros e Ursos no Youtube

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Alguns relatórios de mercado destacaram que o desenvolvimento do R1 exigiu apenas uma fração do gasto de seus concorrentes ocidentais, que tradicionalmente investem centenas de milhões de dólares em hardware e energia.

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O impacto foi imediato. No dia seguinte ao anúncio, ações de gigantes de tecnologia ocidentais sentiram o impacto, a Nvidia, por exemplo, despencou cerca de 18%.

Estrutura de crescimento: inovação sob restrição e open source 

Segundo relatório recente da Atonra, asset suíça líder em investimentos temáticos, a importância do DeepSeek vai muito além do choque inicial.

Para os analistas da Atonra, o evento materializou tendências que já vinham se formando na indústria de tecnologia chinesa, como:

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  • Inovação sob restrição: controles de exportação de tecnologia avançada — especialmente chips de alto desempenho — obrigaram empresas chinesas a focar na eficiência computacional e arquiteturas inovadoras em vez da simples escalada de poder de processamento. 
  • Adoção de open-source como estratégia competitiva: DeepSeek e outros grandes atores, como Alibaba com seu Qwen, adotaram modelos de código aberto ou “open weights”, facilitando adoção, modificação e integração por desenvolvedores e empresas. 
  • Velocidade de produção e aplicação comercial: ao contrário de ser apenas uma demonstração de capacidade, os modelos derivados do DeepSeek foram integrados rapidamente em ambientes empresariais nos setores de manufatura, logística e serviços financeiros, demonstrando uso comercial real. 

Para a casa de investimentos suíça, esses fatores mostram que a tecnologia chinesa — ao invés de se limitar a seguir tendências globais — vem traçando seu próprio caminho. 

Um novo “ativo tecnológico” e a relação com o Ocidente 

Outro ponto levantado pelo relatório da Atonra é a ideia de que a tecnologia chinesa, impulsionada por empresas como DeepSeek, agora funciona como um ativo tecnológico com retorno próprio e pouco correlacionado à tecnologia americana. 

Ou seja, como não depende de tecnologia dos EUA, abre espaço para que investidores globais diversifiquem carteiras em IA, sem precisar se limitar a apostas feitas nos mercados ocidentais. 

Implicações industriais e tecnológicas do DeepSeek 

Além dos efeitos financeiros, o “efeito DeepSeek” acelerou movimentos importantes na própria indústria de inteligência artificial na China: 

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  • Expansão do ecossistema de IA open-source: pesquisadores e desenvolvedores chineses intensificaram a criação e melhoria de modelos eficientes em termos de computação, alimentando um ecossistema competitivo que começa a rivalizar com ambientes estabelecidos no Ocidente. 
  • Debates sobre segurança e confiança: a ampla adoção de modelos chineses levantou questões sobre segurança de dados, possíveis vieses e conformidade regulatória em diferentes mercados, temas que continuam em discussão entre especialistas internacionais. 
  • Caminhos divergentes de estratégia tecnológica: enquanto empresas ocidentais apostam na escalabilidade massiva e na integração de IA em produtos de consumo, a China enfatiza aplicações industriais, uso em processos corporativos e alinhamento com políticas domésticas de desenvolvimento. 

Olhando para frente 

Por fim, ainda segundo o relatório da Atonra, ao completar um ano de seu lançamento, o DeepSeek não apenas provocou um choque inicial nos mercados, mas também atuou como catalisador de tendências que desenham um novo mapa competitivo no setor de inteligência artificial. 

Mais do que uma simples tecnologia, o episódio DeepSeek ressaltou a necessidade de um modelo alternativo de crescimento tecnológico, mais resiliente a restrições externas e mais integrado à economia chinesa. 

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