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A conta da crise do Master não ficou só com o investidor: FGC avalia medidas para reforçar o caixa

Quando um banco quebra, o investidor corre para o FGC. Mas, quando a fatura chega à casa das dezenas de bilhões, quem precisa abrir a carteira para tampar esse rombo são os próprios bancos. A crise do Banco Master e do will bank força o Fundo Garantidor de Crédito a avaliar medidas para reforçar o caixa.
Pressionado pelos pagamentos bilionários, o FGC avalia antecipar até cinco anos de contribuições recompor o caixa após o pagamento de garantias a investidores do Master, segundo o Broadcast, além de criar cobranças extraordinárias mensais para os contribuintes.
Na prática, isso significa que a fatura da liquidação pode acabar batendo à porta dos maiores bancos do país.
De acordo com a colunista Miriam Leitão, d'O Globo, as instituições negociam o recolhimento dessas contribuições antecipadas em tranches, com pagamentos parcelados ao longo do tempo.
Ainda assim, se o reforço não for suficiente, os bancos poderão enfrentar um aumento de até 50% no valor que hoje repassam ao fundo — atualmente fixado em 0,012% do patrimônio líquido.
É preciso destacar que todos os 250 bancos estão sendo chamados a contribuir com esse esforço de fortalecimento do FGC.
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Porém, a expectativa no mercado é que o grosso da conta fique concentrado nos cinco maiores bancos do sistema financeiro brasileiro: Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11).
Segundo estimativas d'O Globo, cada um deles poderia ter que desembolsar algo entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões.
Procuradas pelo Seu Dinheiro, as instituições financeiras não retornaram o contato até a publicação desta reportagem. O FGC também não respondeu. O espaço segue aberto.
A decisão final sobre o formato das contribuições ao FGC só deve ser tomada após o fundo concluir os pagamentos das garantias aos investidores do Banco Master e do will bank.
Ainda assim, as contas preliminares das garantias já sinalizam que alguma forma de reforço será inevitável.
Isso porque o desembolso estimado de cerca de R$ 50 bilhões no conglomerado do Master representa quase 40% da liquidez total do FGC registrada em junho de 2025, que somava R$ 121,1 bilhões.
Além disso, vale destacar que as duas alternativas em análise — antecipação de contribuições e cobrança extraordinária — estão previstas nas regras do próprio fundo.
O estatuto autoriza o FGC a antecipar entre 12 e 60 contribuições mensais sempre que houver necessidade de reforçar seu patrimônio para honrar obrigações.
O problema é que a antecipação resolve o curto prazo, mas cria um vazio lá na frente: ao puxar receitas futuras, o fundo ficaria um período equivalente sem novas entradas regulares de recursos.
Por isso, a tendência é que o conselho de administração combine as duas opções. A contribuição extraordinária, nesse caso, poderia chegar a até metade da alíquota vigente das contribuições ordinárias, conforme previsto no estatuto.
O FGC já iniciou o pagamento de cerca de R$ 40,6 bilhões em depósitos garantidos do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Nesta quarta-feira (21), a autoridade monetária decretou também a liquidação do will bank, integrante do mesmo conglomerado de Daniel Vorcaro.
As garantias associadas ao banco digital amarelo devem somar cerca de R$ 6,3 bilhões, segundo estimativas preliminares.
Leia também: Investiu no will bank? Veja como ser ressarcido pelo FGC — e o alerta para quem também tem CDB do Banco Master
*Com informações do Estadão Conteúdo e O Globo.
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