Dia dos Namorados ou Copa do Mundo? XP revela quem deve vencer a disputa do varejo pelo bolso dos brasileiros
Com mais de R$ 26 bilhões em jogo, varejistas entram em campo para uma batalha inesperada: presentes para o parceiro ou gastos com a Seleção Brasileira?

O Dia dos Namorados costuma ser uma das datas mais previsíveis do calendário do varejo: flores, perfumes, chocolates e uma corrida das lojas para capturar parte do orçamento reservado aos presentes. Em 2026, porém, há um competidor inesperado disputando espaço na carteira dos brasileiros: apenas 24 horas depois da celebração dos casais, a Seleção Brasileira entra em campo pela Copa do Mundo.
A coincidência colocou uma dúvida sobre a mesa de investidores e varejistas: o amor vai vencer a bola na disputa pelo bolso do consumidor?
Para a XP Investimentos, a resposta é sim — ou, pelo menos, quase isso.
Os analistas avaliam que o Dia dos Namorados deve entregar um desempenho sólido para o varejo brasileiro, mesmo diante de um cenário econômico que continua desafiador, com juros elevados, inflação pressionando o orçamento das famílias e um número crescente de consumidores inadimplentes.
A leitura da corretora é que a força emocional da data, combinada com o clima mais frio e campanhas cada vez mais sofisticadas das empresas, deve ser suficiente para sustentar as vendas.
Já a Copa do Mundo entra no radar, mas não como uma ameaça capaz de estragar a festa.
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"O torneio não deve representar um risco relevante para a data, embora as camisas da Seleção possam capturar parte do orçamento que seria destinado a outros presentes", afirmam os analistas.
A expectativa é que o Dia dos Namorados movimente mais de R$ 26 bilhões entre comércio e serviços, consolidando a data como um dos principais eventos do calendário do consumo brasileiro.
Dia dos Namorados e Copa do Mundo: R$ 26 bilhões em jogo — e 100 milhões de consumidores nas ruas
Segundo levantamento da CNDL/SPC Brasil citado pela XP, 61% dos brasileiros pretendem comprar presentes neste Dia dos Namorados, acima dos 57% registrados na pesquisa do ano passado.
Na prática, isso representa cerca de 100 milhões de consumidores circulando entre lojas físicas e canais digitais.
A projeção é de que a data injete aproximadamente R$ 26,4 bilhões na economia, um crescimento de cerca de 20% em relação ao levantamento anterior.
O gasto médio esperado também deve avançar. Os consumidores pretendem desembolsar cerca de R$ 264 com presentes, enquanto entre as classes A e B esse valor sobe para R$ 295.
Para a XP, os números sugerem que, apesar do aperto financeiro em parte dos lares brasileiros, ocasiões com forte apelo afetivo continuam preservando espaço no orçamento.
O fenômeno chama atenção porque acontece justamente em um momento em que alguns indicadores de consumo seguem emitindo sinais de alerta.
A inflação voltou a pesar mais sobre as famílias de menor renda do que sobre as de renda mais alta, enquanto o número de consumidores inadimplentes continua avançando e já supera 83 milhões de pessoas.
Ainda assim, o relatório indica que o consumidor parece disposto a fazer ajustes em outras categorias antes de abrir mão de datas consideradas especiais.
Copa do Mundo entra em campo, mas não muda o placar, diz XP
A proximidade entre o Dia dos Namorados e a estreia do Brasil na Copa do Mundo era uma das principais dúvidas para o setor neste ano.
Afinal, eventos esportivos costumam disputar atenção e orçamento com outras ocasiões de consumo.
A XP, porém, vê um impacto limitado. Isso porque o primeiro jogo da Seleção acontece apenas em 13 de junho, um dia após a celebração dos casais, reduzindo o potencial de canibalização das compras.
No entanto, segundo os analistas, há um efeito colateral possível: as camisas do Brasil podem ganhar share of wallet em relação a outras alternativas de presentes.
Para a XP, o efeito tende a ser mais perceptível entre consumidores de menor renda, que enfrentam restrições orçamentárias maiores e precisam fazer escolhas mais seletivas.
Nesse grupo, gastos relacionados ao evento — desde camisas oficiais até encontros para assistir aos jogos ou apostas esportivas — podem disputar espaço diretamente com os presentes tradicionais da data.
Frio vira aliado das varejistas
Se a Copa traz alguma concorrência, o clima parece jogar a favor do varejo. Segundo a XP, as temperaturas mais baixas em maio ajuda as varejistas ligadas à moda.
O ambiente mais frio costuma estimular a venda de itens de maior valor agregado, como casacos, botas, moletons e acessórios de inverno, ajudando a elevar o tíquete médio das compras.
Presentes de segunda mão acendem alerta
Outro movimento que chamou atenção dos analistas aparece fora das vitrines tradicionais.
Segundo o levantamento, 41% dos consumidores afirmam considerar a compra de presentes de segunda mão.
A tendência é mais forte entre integrantes da Geração Z e consumidores de menor renda, mas reflete uma mudança mais ampla no comportamento de consumo.
De um lado, a busca por preços mais acessíveis. Do outro, o crescimento da cultura vintage e da economia circular.
O resultado é que produtos usados começam a ganhar espaço em uma data historicamente associada ao consumo de itens novos.
Namoro com o e-commerce segue firme
O avanço das compras online também permanece como uma das principais tendências do varejo.
A Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABIACOM) estima vendas de R$ 10,26 bilhões no e-commerce durante o período do Dia dos Namorados, alta de 10,8% em relação ao ano anterior.
O crescimento deve vir principalmente do aumento do volume de pedidos, já que o tíquete médio tende a permanecer relativamente estável.
Ainda assim, as lojas físicas continuam liderando a preferência dos consumidores.
Segundo a pesquisa da CNDL/SPC, 53% dos entrevistados pretendem comprar presencialmente, enquanto 41% devem recorrer aos canais digitais — participação que cresceu quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Para a XP, o movimento reforça uma transformação que vem se consolidando nos últimos anos: o consumidor deixou de escolher entre online e offline e passou a combinar os dois ambientes ao longo da jornada de compra.
Como as varejistas estão tentando conquistar o consumidor
Mais do que descontos, as empresas vêm usando o Dia dos Namorados como uma vitrine para fortalecer marcas, criar conexão com os clientes e ampliar engajamento.
No segmento de moda, a Arezzo, do grupo Azzas 2154 (AZZA3), apostou em uma colaboração com a Fila, misturando moda, esporte e lifestyle em uma coleção de tênis, bolsas e acessórios com proposta unissex.
A C&A (CEAB3) lançou simultaneamente a campanha "Desapega com a C&A", oferecendo descontos para clientes que doarem roupas usadas por meio de seu programa de reciclagem, numa estratégia que combina consumo e sustentabilidade.
No setor de beleza, a Natura (NATU3) reforçou a oferta de kits presenteáveis de fragrâncias e cuidados pessoais, enquanto O Boticário apostou em uma campanha estrelada por Marina Sena e Juliano Floss.
Já a Vivara (VIVA3) seguiu uma estratégia mais voltada ao público premium, utilizando a imagem de Gisele Bündchen para promover sua linha de diamantes produzidos em laboratório.
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