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“Hoje, na data do protocolo deste procedimento, a companhia não tem condições de realizar o pagamento sem interromper as suas operações”, disse o Pão de Açúcar
Bancos estão entre os principais credores do Grupo Pão de Açúcar, que pediu ontem (10) recuperação extrajudicial para a renegociação de dívidas de R$ 4,5 bilhões. No entanto, há uma cobrança, que seria cobrada hoje, que precipitou a varejista a pedir proteção contra os credores. É um pagamento de R$ 170 milhões para a Casas Bahia.
Essa cobrança data de dezembro, quando as duas empresas encerraram as discussões sobre obrigações de pagamento envolvendo negócios que elas tinham em conjunto. Uma decisão arbitral, sobre a qual não cabe mais recurso, obrigou o grupo a pagar R$ 170 milhões à Casas Bahia.
O GPA até tentou negociar, mas não teve jeito. "Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata", escreve a empresa no pedido de recuperação.
Em 27 de janeiro, a credora pediu o cumprimento da sentença em um processo na 3ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem.
O GPA tinha até hoje, 11 de março, para fazer o pagamento. Mas estava sem dinheiro para isso. "Hoje, na data do protocolo deste procedimento, a companhia não tem condições de realizar o pagamento sem interromper as suas operações", diz a companhia.
Por isso, optou pelo pedido de recuperação extrajudicial. "Sem a proteção legal conferida por este processo de recuperação extrajudicial, estaria sujeita a atos de constrição patrimonial, o que agravaria significativamente a pressão sobre o seu caixa", descreveu o GPA no pedido.
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Seu Dinheiro entrou em contato com a Casas Bahia, mas não recebeu resposta até o momento. O espaço segue aberto.
Vale lembrar que as duas varejistas já foram parceiras por um bom tempo. O GPA, nos tempos áureos, controlava marcas como Pão de Açúcar, Extra, Assaí e Minuto Pão de Açúcar, além de ter participação na Via Varejo, dona da Casas Bahia e do Ponto Frio.
Em 2019, o GPA concluiu sua saída da Via Varejo, vendendo sua participação para Michel Klein e outros fundos. Mas as discussões sobre certas marcas, como Extra.com, ainda se mantiveram por um bom tempo.
A própria Casas Bahia passou por uma recuperação extrajudicial em junho de 2024, renegociando e alongando dívidas de R$ 4,1 bilhões. Em agosto do ano passado, a gestora Mapa Capital tornou-se a controladora, com 85,5% da empresa ao comprar as dívidas do Bradesco e Banco do Brasil e convertê-las em ações.
Em dezembro, mais uma parceria foi desfeita entre as varejistas. O Itaú (ITUB4) comunicou no dia 8 que comprou as participações do GPA, da Casas Bahia e do Assaí (ASAI3) na Financeira Itaú CBD S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento (FIC).
A instituição financeira é responsável pelos cartões co-branded usados pelas varejistas e foi criada há mais de 20 anos, quando as três varejistas faziam parte do mesmo grupo.
Os últimos cinco anos foram de uma reestruturação intensa para a dona da rede Pão de Açúcar.
A empresa está em processo de transformação desde 2021. Ela começou com o encerramento a operação dos hipermercados Extra e o fechamento e 100 lojas, que foram vendidas, convertidas para a marca Pão de Açúcar ou fechadas definitivamente.
Entre 2022 e o primeiro semestre de 2025, a companhia direcionou seu foco para obter eficiência operacional, vendendo ativos e expandindo as operações nas lojas de proximidade, com a marca Minuto.
Já no segundo semestre do ano passado, o foco foi a redução de despesas, investimentos e aberturas de lojas. Ela também começou a renegociar com os credores financeiros.
Os juros altos também afetaram a varejista. Em 2024 e 2025, a companhia direcionou mais de R$ 3,3 bilhões para o pagamento de despesas financeiras, com a alta da taxa Selic. Em 2021, por exemplo, as despesas financeiras foram de R$ 580 milhões enquanto a taxa básica estava em níveis historicamente baixos.
Mesmo assim, ela ainda tinha uma dívida total de R$ 4,5 bilhões. Desse valor, R$ 2,1 bilhões deveriam ser pagos deste ano, como despesas financeiras, além de outros R$ 370 milhões em obrigações como juros, amortização, multas e outras penalidades.
Já o caixa da empresa era insuficiente para esses pagamentos, de apenas R$ 699 milhões, levando ao pedido de suspensão de certas cobranças.
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