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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Inter está pronto para pisar no acelerador do plano 60-30-30: “Faltam só 15 pontos”, diz CFO, que abre o jogo sobre o próximo ciclo de crescimento

Após mais um balanço recorde, Santiago Stel revelou ao Seu Dinheiro por que o banco acredita que a fase mais forte ainda está por vir

Camille Lima
Camille Lima
11 de fevereiro de 2026
8:34 - atualizado às 9:59
Fachada do Banco Inter.
Fachada do Banco Inter. - Imagem: Divulgação

Quase três anos depois de anunciar um plano que muitos consideraram ambicioso demais — atingir 60 milhões de clientes, operar com eficiência de 30% e alcançar um ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de 30% até o fim de 2027 —, o Banco Inter decidiu pisar no acelerador. O diretor financeiro (CFO), Santiago Stel, afirmou que a meta não só segue de pé, como também está prestes a entrar em modo de execução mais agressivo. 

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“Estamos prontos para acelerar”, resumiu Stel, em entrevista ao Seu Dinheiro

Em meio a novos recordes absolutos, o que se desenha é a imagem de um banco que, mesmo já operando com dezenas de milhões de clientes, ainda se enxerga em fase de construção. 

O diretor financeiro (CFO) do Banco Inter, Santiago Stel.
O diretor financeiro (CFO) do Banco Inter, Santiago Stel. Foto: Divulgação

Segundo o CFO, o Inter é um “builder” que ainda tem espaço — e fôlego — para escalar rápido. 

Os números ajudam a sustentar essa narrativa. No quarto trimestre, o Inter entregou um lucro líquido recorde de R$ 402 milhões, crescimento de 36,4% em relação ao mesmo período de 2024 e de 13% frente ao trimestre imediatamente anterior. 

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Os ganhos após participação de minoritários também atingiram recorde no período, no valor de R$ 374 milhões, um aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 11,3% frente ao trimestre passado.

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No acumulado de 2025, o lucro líquido somou R$ 1,3 bilhão, uma expansão de 44,7% na comparação anual. 

A melhora também se refletiu de forma clara na rentabilidade. O ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido anualizado) alcançou 15,9% no trimestre, avanço de 2,8 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre de 2024 e de 1,1 ponto frente ao trimestre anterior. 

Excluindo a participação de minoritários, o ROE chega a 15,1%.

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Desde o início de 2025 as ações do Inter acumulam alta da ordem de 7% em Wall Street. No acumulado de 12 meses, a valorização supera os 70%.

Já os BDRs listados na B3 subiram 53% em um ano. Lembrando que a fintech decidiu, em janeiro, descontinuar seu programa de BDRs Patrocinados Nível II.

"Só faltam 15 pontos", diz CFO do Inter 

Diante do histórico de ceticismo de parte do mercado em relação à meta de ROE de 30%, Stel foi direto ao ponto. “Sem dúvida é um número factível”, afirmou. 

“Quando anunciamos o plano, o ROE era negativo. Saímos disso para 15% hoje. Então, agora, só faltam mais 15 pontos”, disse o executivo. 

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Para Stel, o caminho para dobrar esse indicador passa essencialmente pela alavancagem operacional. Segundo ele, a lógica é simples: o modelo digital permite crescer absorvendo escala sem que as despesas fixas cresçam na mesma proporção. 

“O ROE marginal do crédito novo já está perto desse nível [30%]”, disse Stel.

Em outras palavras, o que pesa hoje é o estoque acumulado, que ainda carrega ineficiências herdadas do passado. Com mais volume, a matemática tende a melhorar. 

O plano 60-30-30 em perspectiva 

Quando o plano 60-30-30 foi anunciado, em 2023, o ponto de partida era modesto — ao menos para o tamanho da ambição. O Inter tinha 23 milhões de clientes, operava com índice de eficiência próximo de 75% e apresentava rentabilidade negativa, perto de -2%. 

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De lá para cá, o Inter avançou em todas as frentes. Do lado da eficiência, o índice que relaciona despesas operacionais à receita total ficou em 45,5% no trimestre, recuo de 2,9 p.p na base anual, mas leve expansão de 0,3 p.p na base sequencial. 

Em 2025, a base total de clientes cresceu 19,2% em relação ao ano anterior e encerrou o quarto trimestre com 43,1 milhões de usuários. 

Considerando apenas os clientes ativos — aqueles que realizaram ao menos uma transação nos últimos três meses —, houve a adição de 4,4 milhões de usuários ao longo do ano. Com isso, a base ativa alcançou 25 milhões de clientes. 

Em um mercado frequentemente descrito como saturado, o Inter seguiu atraindo novos usuários e aprofundando o relacionamento financeiro com quem já está na casa, afirmou o CFO. 

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Inter mira crescimento orgânico, sem atalhos 

Questionado sobre de onde virão os quase 20 milhões de clientes adicionais necessários para cumprir a meta até 2027, Stel fez questão de afastar a hipótese de grandes aquisições ou fusões (M&As). Mesmo com o objetivo ambicioso, o banco segue focado no crescimento orgânico. 

“Nós não gostamos muito da ideia de M&As. Temos feito movimentos pequenos aqui e ali, mas, no geral, somos mais builders do que buyers”, afirmou. “Não é algo que descartamos, mas nunca é a nossa primeira opção.” 

Segundo o CFO, crescer dentro de casa reduz riscos de choque cultural, problemas de integração tecnológica e inconsistências na base de dados — ponto sensível para um banco que aposta em personalização e uso intensivo de informações digitais. 

Por trás da expansão da carteira de crédito 

A carteira de crédito acompanhou esse movimento. O portfólio cresceu 36% em relação ao ano anterior e atingiu o recorde de R$ 48,3 bilhões. 

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O foco do banco tem sido o crescimento em linhas com garantias, como consignado privado, financiamento imobiliário e cartão de crédito. 

Segundo o CFO, esses produtos consomem menos capital e, quando distribuídos via aplicativo, apresentam um custo de servir bastante reduzido. 

De acordo com Stel, o “coração” do Inter segue no atendimento a clientes de renda média e mais jovens. A estratégia, porém, é acompanhar a evolução financeira desse cliente ao longo do tempo — do primeiro salário à compra de bens como carros e imóveis. 

Em paralelo, o banco também tenta avançar sobre o segmento de alta renda, ampliando o escopo da plataforma. 

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Inter quer conquistar as Américas 

A estratégia internacional do Inter também ganhou novos contornos. Com a aprovação da US Branch — uma filial nos Estados Unidos —, o banco se prepara para um salto relevante de rentabilidade ao passar a fazer intermediação financeira direta em solo nortte-americano. 

"Vamos poder aproveitar os depósitos que temos nos EUA para emprestar lá mesmo. É uma vantagem enorme porque os spreads são muito maiores", disse Santiago. 

A expectativa é de que essa operação comece a ganhar tração nos próximos meses. 

Enquanto isso, na América Latina, a Argentina funciona como laboratório inicial da conta global, ainda em fase de testes com um grupo restrito de clientes. O lançamento em escala só deve ocorrer após a conclusão dessa etapa.

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A proposta não é se tornar um banco local em cada país, mas oferecer uma plataforma global para investidores e viajantes latino-americanos.

Após os testes em solo argentino, o Inter planeja expandir a oferta para outros países da região — embora, por ora, o CFO tenha optado por manter em sigilo quais mercados devem ser os próximos.

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