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Após mais um balanço recorde, Santiago Stel revelou ao Seu Dinheiro por que o banco acredita que a fase mais forte ainda está por vir

Quase três anos depois de anunciar um plano que muitos consideraram ambicioso demais — atingir 60 milhões de clientes, operar com eficiência de 30% e alcançar um ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de 30% até o fim de 2027 —, o Banco Inter decidiu pisar no acelerador. O diretor financeiro (CFO), Santiago Stel, afirmou que a meta não só segue de pé, como também está prestes a entrar em modo de execução mais agressivo.
“Estamos prontos para acelerar”, resumiu Stel, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Em meio a novos recordes absolutos, o que se desenha é a imagem de um banco que, mesmo já operando com dezenas de milhões de clientes, ainda se enxerga em fase de construção.

Segundo o CFO, o Inter é um “builder” que ainda tem espaço — e fôlego — para escalar rápido.
Os números ajudam a sustentar essa narrativa. No quarto trimestre, o Inter entregou um lucro líquido recorde de R$ 402 milhões, crescimento de 36,4% em relação ao mesmo período de 2024 e de 13% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Os ganhos após participação de minoritários também atingiram recorde no período, no valor de R$ 374 milhões, um aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 11,3% frente ao trimestre passado.
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No acumulado de 2025, o lucro líquido somou R$ 1,3 bilhão, uma expansão de 44,7% na comparação anual.
A melhora também se refletiu de forma clara na rentabilidade. O ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido anualizado) alcançou 15,9% no trimestre, avanço de 2,8 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre de 2024 e de 1,1 ponto frente ao trimestre anterior.
Excluindo a participação de minoritários, o ROE chega a 15,1%.
Desde o início de 2025 as ações do Inter acumulam alta da ordem de 7% em Wall Street. No acumulado de 12 meses, a valorização supera os 70%.
Já os BDRs listados na B3 subiram 53% em um ano. Lembrando que a fintech decidiu, em janeiro, descontinuar seu programa de BDRs Patrocinados Nível II.
Diante do histórico de ceticismo de parte do mercado em relação à meta de ROE de 30%, Stel foi direto ao ponto. “Sem dúvida é um número factível”, afirmou.
“Quando anunciamos o plano, o ROE era negativo. Saímos disso para 15% hoje. Então, agora, só faltam mais 15 pontos”, disse o executivo.
Para Stel, o caminho para dobrar esse indicador passa essencialmente pela alavancagem operacional. Segundo ele, a lógica é simples: o modelo digital permite crescer absorvendo escala sem que as despesas fixas cresçam na mesma proporção.
“O ROE marginal do crédito novo já está perto desse nível [30%]”, disse Stel.
Em outras palavras, o que pesa hoje é o estoque acumulado, que ainda carrega ineficiências herdadas do passado. Com mais volume, a matemática tende a melhorar.
Quando o plano 60-30-30 foi anunciado, em 2023, o ponto de partida era modesto — ao menos para o tamanho da ambição. O Inter tinha 23 milhões de clientes, operava com índice de eficiência próximo de 75% e apresentava rentabilidade negativa, perto de -2%.
De lá para cá, o Inter avançou em todas as frentes. Do lado da eficiência, o índice que relaciona despesas operacionais à receita total ficou em 45,5% no trimestre, recuo de 2,9 p.p na base anual, mas leve expansão de 0,3 p.p na base sequencial.
Em 2025, a base total de clientes cresceu 19,2% em relação ao ano anterior e encerrou o quarto trimestre com 43,1 milhões de usuários.
Considerando apenas os clientes ativos — aqueles que realizaram ao menos uma transação nos últimos três meses —, houve a adição de 4,4 milhões de usuários ao longo do ano. Com isso, a base ativa alcançou 25 milhões de clientes.
Em um mercado frequentemente descrito como saturado, o Inter seguiu atraindo novos usuários e aprofundando o relacionamento financeiro com quem já está na casa, afirmou o CFO.
Questionado sobre de onde virão os quase 20 milhões de clientes adicionais necessários para cumprir a meta até 2027, Stel fez questão de afastar a hipótese de grandes aquisições ou fusões (M&As). Mesmo com o objetivo ambicioso, o banco segue focado no crescimento orgânico.
“Nós não gostamos muito da ideia de M&As. Temos feito movimentos pequenos aqui e ali, mas, no geral, somos mais builders do que buyers”, afirmou. “Não é algo que descartamos, mas nunca é a nossa primeira opção.”
Segundo o CFO, crescer dentro de casa reduz riscos de choque cultural, problemas de integração tecnológica e inconsistências na base de dados — ponto sensível para um banco que aposta em personalização e uso intensivo de informações digitais.
A carteira de crédito acompanhou esse movimento. O portfólio cresceu 36% em relação ao ano anterior e atingiu o recorde de R$ 48,3 bilhões.
O foco do banco tem sido o crescimento em linhas com garantias, como consignado privado, financiamento imobiliário e cartão de crédito.
Segundo o CFO, esses produtos consomem menos capital e, quando distribuídos via aplicativo, apresentam um custo de servir bastante reduzido.
De acordo com Stel, o “coração” do Inter segue no atendimento a clientes de renda média e mais jovens. A estratégia, porém, é acompanhar a evolução financeira desse cliente ao longo do tempo — do primeiro salário à compra de bens como carros e imóveis.
Em paralelo, o banco também tenta avançar sobre o segmento de alta renda, ampliando o escopo da plataforma.
A estratégia internacional do Inter também ganhou novos contornos. Com a aprovação da US Branch — uma filial nos Estados Unidos —, o banco se prepara para um salto relevante de rentabilidade ao passar a fazer intermediação financeira direta em solo nortte-americano.
"Vamos poder aproveitar os depósitos que temos nos EUA para emprestar lá mesmo. É uma vantagem enorme porque os spreads são muito maiores", disse Santiago.
A expectativa é de que essa operação comece a ganhar tração nos próximos meses.
Enquanto isso, na América Latina, a Argentina funciona como laboratório inicial da conta global, ainda em fase de testes com um grupo restrito de clientes. O lançamento em escala só deve ocorrer após a conclusão dessa etapa.
A proposta não é se tornar um banco local em cada país, mas oferecer uma plataforma global para investidores e viajantes latino-americanos.
Após os testes em solo argentino, o Inter planeja expandir a oferta para outros países da região — embora, por ora, o CFO tenha optado por manter em sigilo quais mercados devem ser os próximos.
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