Banco Central liquida a Sefer Investimentos, alvo da PF no caso Banco Master, e congela bens dos controladores
Regulador afirma que distribuidora apresentava deterioração financeira e descumprimentos graves; instituição é alvo da Operação Compliance Zero

A crise em torno do Banco Master acaba de ganhar mais um desdobramento. O Banco Central decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), instituição que entrou no radar da Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero.
Segundo o Estadão, o controlador da Sefer, Benjamin Botelho de Almeida, é suspeito de atuar como operador financeiro de Daniel Vorcaro, controlador do Master, e de desempenhar um papel central na estrutura de fundos de investimento e negociações envolvendo ativos considerados de maior risco.
Para o Banco Central, porém, a liquidação não decorre apenas da investigação policial.
Em comunicado, o regulador afirmou que a decisão foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira da distribuidora — considerada suficiente para expor credores quirografários a "risco anormal" — e pela identificação de "graves violações" às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional.
A decisão interrompe imediatamente as operações da Sefer e amplia a pressão sobre um caso que já vinha chamando a atenção do mercado financeiro.
O que muda com a liquidação da Sefer Investimentos?
Com a decretação da liquidação extrajudicial, a Sefer deixa de operar imediatamente.
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O Banco Central também determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores, uma medida prevista nesse tipo de intervenção para preservar o patrimônio enquanto o processo é conduzido.
Além de Benjamin Botelho de Almeida, tiveram os bens indisponíveis quatro empresas apontadas como controladoras da distribuidora: Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., Seferpar Participações e Investimentos S.A., Brazilpar Investments LLC e Lyon Investments LLC.
Segundo informações do Estadão, outros 12 administradores e ex-administradores também foram alcançados pela decisão: Alan Dain Gandelman, Ana Cristina Guerreiro Bezerra, Antonio José Gonçalves Mota, Beniamino Gaiofatto, Daniel dos Santos Nascimento, Diego Gomes Ferreira, Fernanda Silva Herrera, Fernando Daruj Torres, Jason Cristiano Cardoso Lima, Ricardo Veles, Roberto Eduardo Ferranty Mac Lennan e Talitha Angelo da Silva.
**Ao Seu Dinheiro, Fernando Daruj Torres afirmou que atuou na Sefer Investimentos exclusivamente como Diretor Jurídico, mas que apresentou renúncia ao cargo em 16 de dezembro de 2025, isto é, antes da liquidação da instituição.
"Não exerci atribuições de administração financeira, gestão de capital, liquidez, contabilidade, tesouraria, controles prudenciais ou gestão de riscos, nem tive responsabilidade pelos fatos relacionados à insuficiência de capital ou à deterioração econômico-financeira que fundamentaram a liquidação extrajudicial da instituição", disse, em nota.
Para conduzir a liquidação, o BC nomeou o auditor aposentado Edison Benedito Alexandre, que já atuou anteriormente na liquidação da Companhia Hipotecária Brasileira (CHB).
Há risco para o sistema financeiro?
Na avaliação do Banco Central, não. A Sefer está enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, grupo que reúne instituições de menor porte e relevância dentro do Sistema Financeiro Nacional.
Isso significa que, embora a liquidação afete clientes, parceiros e credores da distribuidora, o potencial de contágio para o restante do sistema é considerado reduzido.
Os números reforçam essa leitura: segundo o BC, a Sefer representa menos de 0,0004% do ativo total do sistema financeiro e administra cerca de 0,17% dos recursos de terceiros.
Liquidação da Sefer Investimentos: o que pode vir pela frente?
A liquidação extrajudicial não encerra as investigações. O Banco Central afirmou que continuará adotando “todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”.
Dependendo do desfecho dessas investigações, o processo pode resultar em medidas sancionadoras de caráter administrativo e no encaminhamento de informações a outras autoridades, de acordo com o regulador.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
**A matéria foi atualizada em 24 de julho de 2026 para inclusão de posicionamento de Fernando Daruj Torres e correção de informações previamente citadas na matéria.
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