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Proposta busca elevar o valor individual das ações para acima de R$ 1 e encerrar negociações em lotes de 1 milhão de papéis após a reestruturação financeira da companhia

Recuperando o fôlego depois da recuperação judicial, a Azul (AZUL53) convocou assembleia geral de acionistas para discutir a proposta de um grupamento de ações na proporção de 150 mil para 1, com o intuito de elevar o valor individual das ações para acima de R$ 1, conforme exigido pela B3.
Cabe lembrar que hoje as negociações das ações da Azul ocorrem por meio de lotes de 1 milhão. Na prática, apesar de o valor de tela mostrar que no fechamento de terça (3) AZUL53 estava cotada a R$ 219, esse valor dividido pela quantidade de ações no lote representa um valor individual que vale menos do que centavos.
A companhia passou a negociar em lotes em decorrência da capitalização que realizou em seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), no qual emitiu bilhões de ações e gerou diluição massiva dos acionistas.
De acordo com a aérea, o grupamento tem o objetivo que as ações da companhia passem a ter novamente valor individual superior a R$ 1, evitando a necessidade de continuar a negociação por meio de lotes.
Os acionistas que possuem ações ordinárias em número que não seja múltiplo de 150 mil poderão ajustar as respectivas posições via mercado, mediante a composição de sua posição em lotes múltiplos de 150 mil ações, mediante negociações na B3. O prazo é 14 de abril de 2026.
“Caso o grupamento seja aprovado, a partir de 17 de abril de 2026, as ações da companhia passarão a ser negociadas de forma exclusivamente grupada, sendo o lote padrão de negociação reduzido de 1 milhão para 1 ação”, diz a Azul em comunicado.
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Vale destacar também que os papéis da companhia sofreram uma diluição imensa durante a RJ, com uma massiva conversão de dívidas em capital e emissão de ações. Entenda nesta reportagem do Seu Dinheiro.
A companhia informou no mesmo fato relevante que, devido à saída do processo de Chapter 11, os bônus de subscrição emitidos como vantagem adicional na oferta pública de distribuição primária de ações realizada em abril de 2025 deixarão de existir.
Esses papéis haviam sido distribuídos aos investidores como um incentivo extra na operação e funcionavam como um direito de comprar ações da empresa no futuro, em determinadas condições.
No plano de reestruturação financeira aprovado pela Justiça dos Estados Unidos, todos os direitos e obrigações da companhia foram reorganizados em diferentes classes de créditos. Nesse contexto, os bônus foram enquadrados na Classe 11 de créditos (claims).
Com a consumação do plano e a conclusão do processo de recuperação judicial, ficou determinado que esses títulos seriam considerados liquidados, cancelados, liberados e extintos, perdendo qualquer validade econômica ou direito associado.
Na prática, isso significa que os bônus deixam de existir e não podem mais ser negociados no mercado. Por esse motivo, em cumprimento ao plano de reorganização, a Azul solicitou à B3 a retirada dos chamados Bônus de Abril de 2025 do ambiente de negociação.
Em 20 de fevereiro, a Azul anunciou a conclusão de seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos e saiu do Chapter 11, após cumprir todas as condições previstas no plano de reorganização.
A Azul reduziu sua dívida de empréstimos e financiamentos em cerca de US$ 1,1 bilhão, cortou em aproximadamente 40% o endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros em comparação com o período anterior ao Chapter 11.
Além disso, estima que seus gastos recorrentes com leasing serão reduzidos em cerca de um terço. O plano foi viabilizado pela captação de aproximadamente US$ 1,375 bilhão em Sênior Notes e US$ 950 milhões em aportes de capital.
A ordem na Azul após a saída do Chapter 11 é redução de alavancagem e foco em geração de caixa, de acordo com falas do CEO da aérea, John Rodgerson, em coletiva com jornalistas realizada após o anúncio.
Com informações Money Times
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