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SOB ESCRUTÍNIO

Por que Fictor entrou na mira da Polícia Federal após tentativa frustrada de comprar o Banco Master

Investigação apura crimes contra o sistema financeiro e questiona o que havia por trás da negociação

Grupo Fictor, holding patrocinadora do Palmeiras, entra com pedido de recuperação judicial.
Grupo Fictor, holding patrocinadora do Palmeiras, entra com pedido de recuperação judicial. - Imagem: Divulgação

No intervalo de poucos meses, o Grupo Fictor saiu do papel de potencial comprador de um banco em crise para o centro de uma investigação da Polícia Federal.

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A PF abriu um inquérito para apurar a atuação do grupo após a proposta para comprar o Banco Master, apresentada em novembro do ano passado — poucas horas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição controlada por Daniel Vorcaro. No último domingo (1º), a Fictor formalizou o pedido de recuperação judicial.

A pergunta que guia a investigação é: como um conglomerado que se apresentava como comprador de um banco em novembro de 2025 precisou recorrer à recuperação judicial menos de três meses depois?

Para as autoridades, as duas histórias — a tentativa de compra e a real situação financeira da Fictor — passaram a se confundir.

Leia também:

Caso Fictor: o que a Polícia Federal investiga

Segundo informações da imprensa especializada, o inquérito apura quatro possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional: gestão fraudulenta; apropriação indébita financeira; emissão de títulos sem lastro, equiparados a valores mobiliários; e operação de instituição financeira sem autorização.

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A PF busca esclarecer se há conexão entre a atuação de administradores da Fictor e indícios de irregularidades já investigadas na primeira fase da Operação Compliance Zero. Essa apuração anterior mirava suspeitas de delitos financeiros e de gestão fraudulenta envolvendo o Banco de Brasília (BRB) na tentativa de aquisição do Banco Master.

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No próprio pedido de recuperação judicial, a Fictor mencionava a existência de “eventuais ilícitos” — um trecho que acendeu ainda mais o sinal de alerta entre investigadores.

Segundo a CNN, o grupo já vinha sendo investigado de forma preliminar, e a abertura formal do inquérito ocorreu após a identificação de indícios de crime.

Procurada pelo Seu Dinheiro, a assessoria da Fictor não confirmou informações sobre o inquérito policial.

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A tentativa de compra do Banco Master

Segundo a Fictor, a origem da crise remonta a novembro de 2025, quando a empresa anunciou a intenção de comprar o Banco Master.

O movimento surpreendeu o mercado. Tratava-se de um grupo com negócios pulverizados, pouca tradição no sistema financeiro e que se dispunha a assumir uma instituição já cercada por dúvidas, rumores negativos e problemas estruturais.

O controlador do Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que tentou viabilizar a venda com apoio de investidores árabes. A operação, no entanto, nunca chegou a sair do papel. O Banco Central barrou a transação e, pouco depois, decretou a liquidação extrajudicial do banco.

Para o BC, a tentativa de venda foi interpretada como uma manobra para ganhar tempo e mascarar uma crise que já havia se tornado incontornável.

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As suspeitas recaíam sobre a emissão irregular de R$ 12,2 bilhões em títulos considerados falsos — um rombo que tornava o Master incapaz de honrar compromissos com credores.

O efeito cascata foi rápido. Embora a Fictor nunca tenha se tornado dona do banco, a associação pública com o Master contaminou a percepção do mercado.

Aos olhos de investidores e parceiros, a empresa deixou de ser vista como possível solução e passou a ser percebida como parte do problema.

Caso Fictor: quando a crise de imagem vira crise de caixa

No pedido de recuperação judicial, a Fictor argumenta que sua derrocada não foi causada por uma implosão operacional, mas por uma crise de confiança.

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Segundo a defesa, o anúncio da proposta de compra — feita em conjunto com fundos dos Emirados Árabes Unidos não identificados — desencadeou um efeito dominó.

Um dia após o comunicado, veio a liquidação do Master. A partir daí, a crise que rondava o banco passou a orbitar também a Fictor.

O resultado prático foi uma corrida por resgates. De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, que coordena o processo de recuperação judicial, clientes e investidores pediram a retirada de cerca de 70% dos recursos aplicados no grupo — algo próximo de R$ 2 bilhões.

Fictor tenta ganhar tempo

Diante da escalada, a Fictor recorreu à Justiça. O pedido de recuperação judicial envolve cerca de R$ 4 bilhões em dívidas e tem um objetivo central: estancar a sangria.

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Ao entrar com pedido de RJ, a empresa buscava se proteger contra execuções, bloqueios e decisões pulverizadas que poderiam esvaziar o patrimônio antes mesmo de qualquer reorganização.

Contudo, o pedido de socorro à Justiça acabou por colocar o grupo sob um escrutínio ainda maior.

Embora o juiz tenha concedido um fôlego temporário de 30 dias, a suspensão das execuções veio acompanhada da determinação de uma perícia prévia para investigar denúncias de pirâmide financeira, fraude estrutural e inconsistências patrimoniais.

Além da Polícia Federal, a Fictor também entrou no radar de órgãos reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em meio a suspeitas de irregularidades na captação de recursos e na oferta de investimentos ao público.

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*Com informações do Estadão Conteúdo.

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