Petróleo à beira de um choque? Mercado pode entrar em fase ‘não linear’, diz gestor da BTG Asset
Gestor da BTG Asset alerta para risco de disparada do petróleo e racionamento global com estoques em queda e conflito no Oriente Médio

Que a escalada das tensões no Oriente Médio está mexendo com um dos pilares da economia global — o petróleo —, não é novidade para ninguém. Mas, segundo Ricardo Kazan, sócio e gestor da BTG Asset Management, o mercado pode estar perto de uma mudança brusca de comportamento nos preços.
Durante o ETF Day 2026, o executivo afirmou que o petróleo já roda em déficit, com a demanda acima da oferta. Até aqui, o que tem evitado uma disparada mais forte é o uso dos estoques acumulados nos últimos anos. O problema é que esse colchão está encolhendo rápido.
Se ele acabar, o ajuste pode ser bem mais duro. “Podemos entrar em um regime em que o preço sobe de forma não linear, a ponto de forçar racionamento. Isso já acontece em partes da Ásia e pode se espalhar se o conflito não for resolvido”, disse.
- Leia também: Petróleo cai até 11% com possível acordo no Oriente Médio e puxa tombo de Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3)
Gatilho do petróleo está no estreito
Um dos principais pontos de pressão vem do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que retirou uma fatia relevante da oferta global de petróleo. Segundo Kazan, cerca de 20% da produção mundial foi impactada, o que acelerou ainda mais o consumo dos estoques.
Esse movimento já aparece com mais força em derivados específicos, como querosene de aviação e nafta, produtos mais sensíveis a choques de oferta.
No fim das contas, o ajuste tende a vir do lado mais doloroso: a demanda. Em outras palavras, os preços podem subir até um ponto em que consumidores e empresas simplesmente passam a consumir menos.
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Europa já sente no bolso
Os primeiros sinais desse aperto já aparecem na Europa. Os estoques de combustível de aviação estão próximos de 20 dias, um nível considerado baixo para o setor.
Com isso, companhias aéreas começam a rever suas operações.
“Se o cenário continuar, empresas como Lufthansa e Ryanair terão que cortar voos. A Lufthansa já iniciou esse movimento”, afirmou Kazan.
Guerra não segue planilha
Além dos fundamentos apertados, há um fator que torna tudo mais imprevisível: a dinâmica dos conflitos. Segundo o gestor, decisões em ambiente de guerra nem sempre seguem lógica econômica.
“O mercado costuma assumir uma resolução racional, mas conflitos podem escalar por motivos estratégicos ou até irracionais”, afirmou.
O resultado é um cenário em que o petróleo pode sair de um equilíbrio frágil para movimentos mais extremos em pouco tempo, com impacto direto sobre inflação, atividade e mercados globais.
*Com informações do Money Times
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