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COPOM SOB PRESSÃO

O sonho da Selic mais baixa ficou mais distante? XP entra na onda de revisões e eleva projeção para os juros com inflação mais difícil de domar

Corretora passou a prever Selic de 13,75% no fim de 2026 diante da alta do petróleo, piora das expectativas e tensão geopolítica — mas não é a única a elevar as estimativas para a taxa básica

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Selic - Imagem: Rmcarvalho/iStock - Montagem: Giovanna Figueredo

A perspectiva de queda mais intensa dos juros no Brasil vem perdendo força diante da escalada das tensões geopolíticas e da piora das expectativas de inflação, e o mercado começa a prever uma Selic maior ao final de 2026.

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A mais recente revisão veio da XP Investimentos, que elevou a projeção para a taxa básica no fim de 2026 de 13,50% para 13,75%, em um cenário marcado pela alta do petróleo e aumento das incertezas globais.

A revisão foi divulgada nesta quinta-feira (7), poucos dias após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado, mas reforçou a percepção de que o Banco Central deve conduzir os próximos cortes com cautela.

Segundo os economistas da XP, a combinação entre o conflito no Oriente Médio, a pressão sobre commodities e a atividade doméstica ainda aquecida limita o espaço para um ciclo mais agressivo de afrouxamento monetário.

Com isso, a corretora passou a projetar três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic antes de uma pausa. Até então, a expectativa era de reduções de 0,50 ponto por reunião até a taxa atingir 13,50%.

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No câmbio, a XP revisou a projeção para o dólar no fim de 2026 de R$ 5,30 para R$ 5,00. A avaliação é que o Brasil tende a se beneficiar do atual cenário geopolítico por ser exportador líquido de commodities, além de continuar atraindo fluxo estrangeiro.

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Petróleo, alimentos e inflação no radar

A deterioração das expectativas inflacionárias aparece como o principal fator por trás da revisão. No relatório, a XP afirma que as projeções para 2027, horizonte considerado mais relevante para a política monetária, já se aproximam de 4%, bem acima da meta contínua de 3% perseguida pelo Banco Central.

“O cenário de inflação continua se deteriorando”, afirmam os economistas da corretora.

Entre os fatores de pressão estão o choque global do petróleo, a demanda doméstica resiliente e o risco de um El Niño mais intenso, que pode elevar os preços dos alimentos no segundo semestre.

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A XP também elevou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 5,1% para 5,3%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 4%, sustentada por um câmbio mais valorizado e por juros elevados por mais tempo.

Apesar do ambiente mais desafiador para a inflação, a corretora continua vendo uma economia resistente. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi mantida em crescimento de 2%, impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido e pelas medidas de estímulo adotadas pelo governo.

Itaú também reduz aposta em cortes mais intensos na Selic

A XP não foi a única a revisão das projeções para a Selic ao final do ano. Na semana passada, o Itaú elevou a estimativa para os juros ao fim de 2026 de 13% para 13,25%.

Apesar da mudança, o banco ainda vê continuidade no ciclo de flexibilização monetária, mas em ritmo gradual. A expectativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom.

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Segundo o Itaú, o ambiente externo mais adverso e o aumento das incertezas inflacionárias exigem maior cautela do Banco Central daqui para frente.

O banco manteve as projeções para o crescimento do PIB em 1,9% em 2026 e 1,7% em 2027.

Para o câmbio, o Itaú passou a projetar o dólar em R$ 5,15 em 2026 e R$ 5,35 em 2027, refletindo um cenário mais favorável para moedas emergentes e o papel do Brasil como exportador de petróleo.

Ainda assim, a instituição avalia que a volatilidade deve aumentar nos próximos anos, especialmente com a aproximação do ciclo eleitoral.

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Selic em queda, dólar abaixo dos R$ 5 e petróleo em alta: o que fazer com o seu dinheiro em maio

Ata do Copom reforça cautela do Banco Central

Na ata divulgada na terça-feira (5), o Banco Central deixou claro que a continuidade e a intensidade dos próximos cortes de juros dependerão da evolução do cenário econômico.

Segundo o documento, o longo período de manutenção da Selic em nível elevado criou condições para o início do ciclo de flexibilização monetária, mas o ambiente segue cercado de incertezas.

“A decisão é compatível com o cenário atual, no qual conflitos geopolíticos e sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração dificultam a identificação de tendências claras”, afirmou o BC.

O Copom também destacou que o balanço de riscos para a inflação permanece mais elevado do que o habitual, principalmente por causa das incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio.

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Ao mesmo tempo, o colegiado reconheceu riscos de baixa para a inflação, como uma desaceleração mais intensa da atividade global e uma eventual queda nos preços das commodities.

Para analistas da Suno Research, o prolongamento do conflito pode reduzir ainda mais o espaço para cortes de juros no Brasil.

“Diante desse desancoramento adicional, o Banco Central terá menor espaço para o afrouxamento monetário pós-conflito”, afirmou a corretora em relatório.

Mercado já vê juros altos por mais tempo

O movimento de revisão das projeções também aparece nas estimativas do mercado financeiro.

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Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 4 de maio, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 4,86% para 4,89%, na oitava alta consecutiva.

Para 2027, a expectativa permaneceu em 4%, ainda acima da meta. Já as projeções para a Selic seguem indicando juros em patamar elevado por um período prolongado.

O mercado mantém a expectativa da taxa básica em 13% ao fim de 2026, 11% em 2027 e 10% tanto em 2028 quanto em 2029.

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