Quando a Selic deve parar de cair? Copom diz que pode ajustar ritmo de cortes com extensão da guerra no Oriente Médio
O Comitê de Política Monetária avaliou que o balanço de riscos para a inflação segue mais elevado do que o usual, refletindo principalmente as incertezas em torno dos conflitos no Oriente Médio

O incerto se tornou o novo normal, e o Banco Central está cada vez mais cauteloso. A autarquia publicou na manhã desta terça-feira (5) a ata da última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,50% ao ano.
No documento, o comitê destaca o ambiente incerto com relação à guerra no Oriente Médio, ressaltando que a falta de perspectiva para a duração, extensão e desdobramentos exige maior cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Além das indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas, o BC também destacou a permanência de incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos.
"A ata teve tom hawkish, mais duro que o comunicado, e prepara o ambiente para uma revisão da estratégia atual", diz a Warren Investimentos em relatório. "O Copom eleva o tom, reconhecendo o cenário adverso e que deve, com serenidade, combatê-lo."
Economia no Brasil
Por aqui, a equipe pontua que a atividade econômica manteve trajetória de moderação no crescimento, como esperado, ressaltando que os juros altos por um período prolongado estão tendo resultado.
“Mercados mais sensíveis às condições financeiras apresentam maior desaceleração, ao passo que mercados mais sensíveis à renda apresentam maior resiliência”, avaliam os especialistas no comunicado.
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O comitê ainda avalia que segue acompanhando de perto o mercado de trabalho. A taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho.
Inflação dá sinais de trégua
Sobre as expectativas para a inflação, o documento apresenta a avaliação de que até o inicio do dos conflitos, as leituras indicavam arrefecimento tanto no índice cheio, quanto em aberturas e medidas subjacentes. No entanto, as últimas divulgações mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, ficando acima das projeções iniciais.
“Para além dos efeitos dos conflitos, mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, ressaltaram.
O cenário de referência para a inflação acumulada em quatro trimestres para 2026 e para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, são, respectivamente, 4,6% e 3,5%.
Os riscos que ainda estão no radar
O Comitê de Política Monetária avaliou que o balanço de riscos para a inflação segue mais elevado do que o usual, refletindo principalmente as incertezas em torno dos conflitos no Oriente Médio.
Por outro lado, o colegiado também apontou riscos de baixa, como uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica e global, além de queda nos preços de commodities.
O Copom ponderou ainda que a prolongação do conflito pode gerar efeitos mais duradouros nas cadeias produtivas. Parte desses efeitos já é sentido, como indicado pela piora nas expectativas para 2028.
"Diante desse desancoramento adicional, o Banco Central terá menor espaço para o afrouxamento monetário pós-conflito — o ciclo de cortes de juros tende a ser menor do que o esperado antes do conflito", diz a Suno Research em nota.
No mercado, a expectativa para a Selic, que girava em torno de 12% a 12,50% ao ano, hoje é de cerca de 13% ao ano.
Se por um lado ainda há informações incompletas sobre o conflito no Oriente Médio e a sua ação, por outro já há impactos relevantes na inflação e nas expectativas para o futuro.
"A partir do momento em que os efeitos de primeira ordem, como combustíveis e fretes, começam a contaminar a cadeia produtiva, as expectativas de inflação e os salários, o impacto se torna mais duradouro. Essa é a grande preocupação levantada pelo Banco Central ao longo do comunicado", diz a Suno.
Próximos passos
Ao discutir a condução da política monetária, o Copom indicou que decidiu dar continuidade ao ciclo de ajuste dos juros, avaliando que o longo período de taxa em nível contracionista já produziu efeitos sobre a desaceleração da atividade.
Nesse contexto, o Comitê considerou apropriada uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,50% ao ano, ressaltando que a magnitude e a duração do ciclo seguirão dependentes de novas informações.
A decisão reflete um cenário ainda marcado por incertezas, com sinais mistos sobre a atividade e os impactos inflacionários, especialmente diante de riscos geopolíticos.
O colegiado reforçou o compromisso com a convergência da inflação à meta, destacando que manterá uma atuação cautelosa e flexível, ajustando o ritmo da política monetária conforme a evolução do cenário.
Com Money Times
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