Rodolfo Amstalden: Podemos dizer que a Bolsa brasileira ficou cara?
Depois de uma alta de quase 50% em 12 meses, o mercado discute se os preços já esticaram — e por que “estar caro” não significa, necessariamente, fim da alta

Sem margem para enrolação, acho que podemos dizer sim, até porque já tem gente inteligente dizendo exatamente isso. Na maioria das vezes, a própria existência do debate sobre a Bolsa já é um grande testemunho em si mesmo.
No caso em pauta aqui, vamos lembrar que o Ibovespa acumula alta de quase +50% nos últimos 12 meses — algo raro de se ver, mesmo em históricos de bull market.
Assim, por mera humildade epistemológica, devemos aceitar que algum grau de ceticismo apareça depois de um repique tão sui generis.
Dito isso, convém qualificar um pouco o debate.
Antes — como o enunciado sempre faz parte da prova —, cabe avaliar que talvez a pergunta esteja um pouco equivocada em seu verbo pretérito, sacramentado. Afinal, “estar” cara e “ficar” cara são coisas bem diferentes.
Ao longo do último grande ciclo brasileiro (2002-2008), a Bolsa esteve cara (e barata) inúmeras vezes; lembro-me claramente dessas discussões (que saudade delas!). E, no entanto, continuamos subindo, subindo, subindo.
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Sei que o mesmo vale também para todos os saltos anteriores.

Qual é o enigma por trás disso?
Bem, há vários fatores envolvidos, tanto de fluxo quanto de fundamentos. Mas acho que dois deles ajudam em especial para tentarmos entender o contexto atual.
Bolsa brasileira: quando o mercado acredita, o preço vai junto
Em primeiro lugar, os fenômenos econômicos às vezes são pautados e catalisados por profecias autorrealizáveis.
Exemplo besta e totalmente hipotético: borboleta bate asas lá em cima, o dólar cai e chovem externalidades positivas aqui (dinheiro gringo, desinflação, hallo effect etc).
Isso faz com que, por meio de um exercício dialético endógeno, o caro se transforme sucessivamente em barato.
Em segundo lugar, de forma mais comezinha, o lucro das empresas sobe e, de repente, aquele múltiplo pseudo forward looking que parecia esticado se torna magicamente atrativo de novo (!).
Isso pode acontecer também. E, aliás, é impressionante como as melhores empresas brasileiras são capazes de crescer lucros sistematicamente entre +15% e +25% ao ano, mesmo em ambientes insalubres.
Por fim, vale ponderar também que a Bolsa brasileira é relativamente plural; nem tudo encarece, e nem tudo encarece ao mesmo tempo. Subconjuntos particulares da Bolsa se movem em velocidades diferentes…
Por isso, temos aqui um research completo, que permite ao investidor fazer comparações e ficar atento à dinâmica própria de cada classe de ativos.
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