De onde virão as próximas decisões da Selic, o que esperar do Bradesco (BBDC4) e o que mais afeta a bolsa hoje
Entenda o que irá afetar as próximas decisões dos juros no Brasil, o que esperar do resultado do Bradesco em meio à sua recuperação e os principais fatos que podem mexer com os mercados hoje

A distância entre a sede do Banco Central e o Palácio do Planalto, em Brasília, é de menos de 4 quilômetros. São apenas sete minutos de carro, em um trajeto que pode passar pela Esplanada dos Ministérios.
Mas a separação entre o centro decisor da política monetária e a sede do Poder Executivo é bem maior do que essa.
De um lado, a política de juros restritivos tem dado resultado, com redução da inflação em diversos setores.
Do outro, há um problema no horizonte. A gestão fiscal, que inclui contas públicas e o equilíbrio entre receitas e gastos, tem sido o assunto da vez no mercado financeiro há um bom tempo.
Com mais gastos do governo, a economia fica mais aquecida e a dívida aumenta. Nesse sentido, não há o que o BC possa fazer para controlar a alta dos preços, além de manter a Selic em nível elevado.
Hoje, ao final do dia, o Comitê da Política Monetária (Copom) irá anunciar a nova taxa Selic. Porém, as próximas decisões não dependem dos diretores do BC, mas sim de como o próximo líder do Executivo irá lidar com seu orçamento.
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É o que defende o economista-chefe da Polo Capital, Arnaldo Lima, em entrevista à repórter Monique Lima. Confira nesta matéria aqui.
O novo sarrafo do Bradesco
Apresentar os resultados trimestrais ao mercado financeiro é perseguir um marco que nunca para de subir.
Se, em um trimestre, a empresa supera as expectativas, o mercado já eleva suas previsões para o período seguinte. Para continuar nas graças dos investidores, não só a empresa precisa alcançar essas previsões, mas surpreender positivamente.
É o caso do Bradesco. O banco já convenceu a Faria Lima de que sua recuperação, depois de trimestres sofrendo com certas linhas de créditos, está em andamento.
Mas isso criou um novo desafio. Se antes bastava mostrar sinais de melhora, agora os investidores querem evidências de que a recuperação continua ganhando velocidade, escreve a repórter Camille Lima.
Confira o que esperar do resultado do banco nesta matéria aqui.
Esquenta dos mercados
Vem uma trégua entre EUA e Irã por aí? O mundo já ouviu isso antes, mas o presidente Donald Trump afirmou que houve progresso nas negociações com Teerã e que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz pode sair do papel ainda hoje (5).
Apesar disso, os preços do petróleo seguem registrando alta nesta manhã.
Na Ásia, os mercados fecharam o pregão no azul, impulsionados por uma nova onda de otimismo em relação ao desempenho de empresas ligadas à inteligência artificial.
Já as bolsas europeias amanhecem sem uma direção única. Por lá, investidores calibram as expectativas para mais um dia de divulgações de balanços do segundo trimestre de 2026.
Nesta manhã, os participantes dos mercados digerem os números da SpaceX, que publicou ontem resultados que não agradaram. Ainda assim, Wall Street indica mais um dia de ganhos com os índices futuros de Nova York registrando altas nesta manhã.
A agenda econômica dos EUA conta ainda com a pesquisa ADP sobre a criação de empregos no setor privado e o balanço da Walt Disney.
Já por aqui, as tensões entre o governo Trump e a gestão Lula aumentaram após o visto da embaixadora do Brasil em Washington ter sido revogado. Segundo o Palácio do Planalto, o país reagirá com reciprocidade.
Enquanto o caldeirão geopolítico esquenta, os investidores estarão de olho na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros. A expectativa é que a autarquia faça mais um corte na Selic.
Tudo isso será acompanhado pela divulgação do balanço do Bradesco após o fechamento do pregão de hoje.
Até lá, os participantes dos mercados locais digerem os números do Itaú, Gerdau, GPA, Iguatemi, Pague Menos e Tenda, entre outras empresas de peso que publicaram os resultados na noite de ontem. Confira parte da nossa cobertura pelas notas abaixo, que inclui entrevistas com executivos de peso.
Outros destaques do Seu Dinheiro
RESULTADO
Itaú (ITUB4) bate R$ 12,4 bilhões de lucro e segue no topo de rentabilidade — mas tarifas viram ponto de atenção. Investidores querem saber se o Itaú conseguiu manter o ritmo de crescimento sem abrir mão da qualidade da carteira.
SD ENTREVISTA
A Pague Menos (PGMN3) não vai descansar até alcançar a RD Saúde: “exploramos só um terço do potencial”, diz CEO. Após rentabilidade recorde, Jonas Marques fala sobre a melhora operacional da Pague Menos.
CFO COMENTA RESULTADOS
Após correr para subir preços por causa da guerra, Tenda (TEND3) colhe os frutos com lucro líquido acima das expectativas no 2T26. A construtora reportou lucro e Ebitda acima do consenso de mercado no segundo trimestre e elevou o guidance para 2026 da Tenda.
FIM DE UMA ERA
Nem Armínio Fraga resiste: Gávea fecha fundos multimercados e ex-BC entrega gestão para a Bradesco Asset. Gestora fundada pelo ex-presidente do Banco Central encerra ciclo histórico após admitir que o mercado mudou e que os resultados recentes ficaram aquém do esperado.
DÉCIMO ANDAR
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