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O corte sequencial de 25 bps para esta quarta-feira (5) à noite está praticamente garantido; a dúvida paira sobre a reunião de setembro

Encomendado pelos bons deuses da Odisseia, o Focus dessa semana trouxe um pouco de paz para a trajetória da inflação esperada, jogando 2026 para baixo e estabilizando os próximos dois anos.
Mesma coisa para a produção industrial de junho que saiu ontem (4), aquém do esperado.
Assim, o corte sequencial de 25 bps para esta quarta-feira (5) à noite está praticamente garantido; a dúvida paira sobre a reunião de setembro.
Nós entendemos que existe espaço para pelo menos mais um corte de 25 bps, e achamos que esse é um ritmo sensato diante de tantas incertezas internas e externas.
No entanto, o eventual corte de setembro está ainda muito longe das altas garantias do ajuste de hoje.
Ele dependerá, naturalmente, da próxima rodada de indicadores macro. E dependerá ainda mais do discurso escolhido pelo Copom para referendar seu arcabouço decisório.
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Nisso, talvez Gabriel Galípolo (que é um sujeito esperto) já esteja aprendendo com as primeiras lições de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve (Fed).
Desde que assumiu a cadeira, Warsh vem trabalhando para eliminar o forward guidance e adotar uma gestão mais purista de política monetária, na qual o juiz influencia o mínimo possível do resultado do jogo.
Essa ideia não vem da cabeça dele, mas segue uma corrente teórica solidificada por Mervyn King, ex-comandante do Bank of England e agora consultor do Fed para nuances de comunicação com o mercado.
A premissa é muito simples: o mercado sempre reage ao que se espera que o Banco Central vá fazer em seus próximos passos.
Assim, a maior parte do serviço de apertar ou afrouxar as condições de crédito é feita pelo próprio mercado; ele só precisa de um empurrãozinho bem direcionado.
Tomando como exemplo o último discurso de Warsh, foi exatamente o que aconteceu.
O Fed preferiu não subir juros em seu último encontro de julho, mas Warsh (inteligentemente) abriu flancos em seu pronunciamento de modo a fomentar uma escalada da curva, feita pelo próprio mercado.
Então, foi uma decisão possivelmente dovish, acompanhada de uma retórica bem hawkish, de modo a neutralizar os riscos da decisão no tempo.
Para ser capaz de fazer algo assim, um presidente de Banco Central tem que cultivar um ego budista, que aceite não ser o centro das atenções. Em troca, ele consegue fazer o seu trabalho com bem menos esforço.
Veremos, portanto, se Galípolo espelhar-se-á em Warsh.
Ironicamente, quanto mais duro (ou "não mole") o tom e ata da decisão do Copom desta noite, maiores as chances de poder cortar de novo em setembro.
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