Sex appeal à moda antiga
Não somos atrativos de acordo com as novas regras de etiqueta ditadas pela IA, mas ainda podemos retomar um sex appeal à moda antiga

Enquanto o S&P 500 negocia acima de 20x lucros, o Índice MSCI de Mercados Emergentes hoje indica um múltiplo de aproximadamente 10x.
São raras as ocasiões históricas nas quais uma métrica é o dobro da outra, como no contexto atual.

No entanto, devemos tomar cuidado com os rótulos tradicionalmente usados, pois às vezes eles não combinam mais tão bem com a realidade contemporânea.
Em vez de bolsa norte-americana versus emergentes, a dicotomia corrente se coloca de forma mais rigorosa como IA (inteligência artificial) versus Não-IA.
Sintoma disso é que mercados emergentes fortemente pautados em tecnologia com growth — como Hong Kong, Índia e Taiwan — negociam a preço/lucro bastante próximo de 20x, enquanto praças como Argentina, Brasil, Filipinas e Turquia giram abaixo de 10x.
Proteção contra os exageros da IA
Apesar da distância dramática entre ambas as categorias, não acho que a melhor recomendação tática neste caso seja a de comprar o barato e vender o caro.
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Há bons motivos para continuar tendo IA em carteira, e há bons motivos também para usar o value investing emergente como uma espécie de hedge contra exageros da precificação da IA.
Frequentemente, esses exageros não precisam se manifestar de forma absoluta, mas apenas na margem.
Com a escalada do custo dos empréstimos high grade nos EUA, agora vinculados também às hyperscalers, uma simples alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) pode ser o gatilho que faltava para reorganizar alocações táticas e estruturais.
Porém, e sobretudo no que diz respeito à América Latina, os racionais da tese não se limitam a contrabalançar os riscos da IA: o investidor global pode se sentar à nossa mesa por causa do hedge, e ainda levar opcionalidades interessantíssimas como sobremesa.
A tríade brasileira
Em termos hipotéticos, o Brasil oferece hoje uma tríade potencial bastante atrativa, que combina graus de liberdade para afrouxo monetário, um novo ciclo eleitoral e algum nível de melhoria fiscal.
Ainda que não haja garantias sobre a materialização de nenhum desses três fatores, o acúmulo de probabilidades tem valor por si só.
Ademais, em que se pesem os riscos de recessão e crise de crédito por aqui, esses são também sintomas inequívocos de esgotamento do modelo de expansionismo fiscal, e é justamente nessas horas que a solução se impõe, de dentro para fora (como aconteceu na Argentina).
Não somos atrativos de acordo com as novas regras de etiqueta ditadas pela IA, mas ainda podemos retomar um sex appeal à moda antiga.
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