Vale (VALE3) escapa do jogo de “vida ou morte” — mas você sabe o que fazer com as ações agora?
A Vale não é a mineradora que mais vai se valorizar em uma eventual recuperação do minério de ferro nas próximas semanas ou meses, e isso está longe de ser um problema para nós

Enquanto as empresas de Óleo e Gás vivem um dos melhores momentos de sua história — as ações da Petrobras, inclusive, atingiram o all time high nesta semana —, as mineradoras atravessam um período distinto, e a culpa é justamente do petróleo.
Com a forte alta do preço dos combustíveis desde o início da guerra, o frete do minério de ferro do Brasil para a China mais do que dobrou (de cerca de US$ 20 por tonelada para US$ 40 por tonelada).
Praticamente ao mesmo tempo, a MySteel divulgou ao mercado que a porcentagem de siderúrgicas chinesas lucrativas desabou desde o início de setembro, trazendo dúvidas sobre a demanda e pressionando as cotações do minério.

- Leia também: O petróleo voltou a subir: ainda vale a pena comprar ações da Petrobras (PETR4) e embolsar dividendos?
Com esses desdobramentos, as mineradoras que possuem menor escala, infraestrutura logística mais frágil e menos capacidade financeira de assegurar contratos antecipadamente começaram a mostrar dificuldade de competir com as australianas, que estão bem mais próximas geograficamente da China e, portanto, são menos impactadas pelo frete.
Usiminas e Itaminas anunciaram recentemente a suspensão de operações por conta dessas condições adversas, e provavelmente veremos outras paralisações em breve.
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A situação obviamente não ajuda a Vale, mas é bem menos crítica para ela do que para as pares brasileiras.
Vale o "vida ou morte"?
Para começar, a Vale costuma trabalhar com fretes contratados antecipadamente. Cerca de 90% dos contratos de 2026 e 80% dos contratos de 2027 foram fechados com tarifas abaixo das praticadas atualmente, o que deixa seus resultados menos expostos à variação dos fretes "spot".
Nos resultados do 2T26 a companhia revisou as estimativas para custos totais do minério entregue na China de US$ 54 por tonelada para US$ 60 por tonelada no ponto médio das faixas, o que implica em um impacto bem menor do que temos observado no restante da indústria.
Esse número também explicita outro pilar importante da tese: enquanto mineradoras menores estão sofrendo para entregar rentabilidade com a commodity perto de US$ 100 por tonelada, a Vale tem um break-even mais próximo de US$ 70 por tonelada, o que se traduz em uma boa margem de segurança.
Por não se tratar de uma questão de "vida ou morte", a Vale não é a mineradora que mais vai se valorizar em uma eventual recuperação do minério de ferro nas próximas semanas ou meses, e isso está longe de ser um problema para nós.
No fim, essa história resume bem o tipo de negócio buscamos para as nossas carteiras na Empiricus: empresas que guardam potencial interessante de crescimento em caso de melhora do cenário, mas que conseguem gerar caixa e pagar dividendos enquanto isso não acontece.
Só assim foi possível entregar um retorno de mais de 70% na Carteira Mensal de Dividendos desde que ela foi criada, mesmo em um contexto difícil para companhias brasileiras.
Nada contra se você gosta de teses "vida ou morte", mas sinto informar que aqui no Sextou você não encontrará esses tipos de "oportunidades".
Um abraço e até a próxima,
Ruy
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