Perfil campeão e bom senso nas conexões: como usar o LinkedIn do jeito certo na busca por emprego
Plataforma deixou de ser um ‘balcão de currículos’ para promover discussões que gerem engajamento e mais interação entre usuários

Já faz algum tempo que o LinkedIn deixou de ser apenas um “balcão de currículos”, onde profissionais se cadastram para serem encontrados por recrutadores. A plataforma passou a funcionar também como um espaço de troca de experiências, aprendizado e construção de networking.
Segundo dados mais recentes, de janeiro de 2026, mais de 70 milhões de pessoas em busca de emprego visitam o LinkedIn Jobs, a ferramenta em que as vagas são publicadas, todas as semanas. A cada minuto, quase 8.200 candidaturas são enviadas, mais de 17 mil conexões são feitas entre usuários e cerca de 147 horas de conteúdo de aprendizado são consumidas globalmente.
“Ao compreender o LinkedIn como uma plataforma na qual o profissional pode se desenvolver, aprender e se conectar com outras pessoas, o usuário passa a enxergar melhor o valor da ferramenta. A partir disso, entra a parte mais técnica: entender todas as funcionalidades da plataforma”, afirma Guilherme Odri, editor-chefe do LinkedIn Notícias Brasil, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Entre as recomendações do especialista estão a construção de um “perfil campeão” e a criação de conexões relevantes na área de atuação — sempre com bom senso.
A seguir, veja algumas orientações para utilizar o LinkedIn de forma estratégica na busca por emprego.
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Como ter um perfil campeão no LinkedIn?
Para Odri, um perfil campeão é aquele que reúne todas as informações relevantes para o tipo de posição que o profissional deseja alcançar.
“Perfis que possuem todos os campos preenchidos costumam ser mais priorizados nas buscas dentro da plataforma. Por isso, é muito importante completar cada seção”, afirma.
Vale detalhar a trajetória profissional, incluindo experiências de trabalho, participação em projetos, ações de voluntariado e iniciativas desenvolvidas na empresa e na faculdade.
Mesmo atividades realizadas durante a graduação — ainda que não tenham relação direta com a vaga buscada atualmente — podem ser incluídas no perfil.
“É claro que sempre é preciso ter estratégia, mas a trajetória profissional também é formada pelas experiências que ajudaram a pessoa a chegar até onde está. Muitas vezes, uma atividade realizada naquele período contribuiu para decisões importantes sobre o caminho da carreira”, diz Odri.
Título, resumo e a foto são a porta de entrada
O título e o resumo exigem atenção especial porque costumam ser os primeiros elementos observados por recrutadores ou profissionais envolvidos em processos seletivos.
“Esses dois campos devem apresentar quem é o profissional, o que ele faz e o que deseja fazer. É uma forma de contar, de maneira sintética, qual é a sua identidade profissional.”
O resumo deve funcionar como uma síntese. O ideal é apresentar como o profissional chegou até a posição atual, como se define na carreira e quais habilidades se destacam em sua atuação.
Nesse espaço também podem ser incluídas palavras-chave relacionadas à área de atuação ou às competências do profissional. Isso pode envolver tanto habilidades técnicas — como domínio de inteligência artificial — quanto competências mais amplas, como criação de conteúdo ou gestão de projetos.
Segundo Odri, o resumo deve ajudar a posicionar o profissional em relação às oportunidades que deseja alcançar. Em alguns casos, pode ser ajustado estrategicamente quando há interesse em um processo seletivo específico ou em uma transição de carreira.
A foto de perfil também merece atenção. Como se trata de um ambiente profissional, a imagem deve refletir esse contexto. Não há uma regra única sobre como a foto deve ser, já que isso pode variar conforme a profissão. Um salva-vidas, por exemplo, pode ter uma imagem diferente de um advogado.
Perfis com foto recebem 21 vezes mais visualizações do que aqueles sem imagem. Ou seja: é fundamental ter uma em seu perfil.
Informações devem ser sempre atualizadas
Manter o perfil atualizado também influencia a visibilidade dentro da plataforma. Segundo Odri, perfis com o cargo atualizado recebem oito vezes mais visualizações do que aqueles com informações desatualizadas.
O mesmo acontece com a instituição de ensino: quando esse dado está preenchido e atualizado, o perfil pode ter até 17 vezes mais visualizações.
Por isso, é importante revisar o perfil periodicamente e registrar mudanças de função, promoções, novos projetos ou alterações de escopo dentro da empresa.
A atualização não envolve apenas a troca de cargo ou de uma companhia. Muitas vezes, o profissional passa a atuar em novas iniciativas ou assume responsabilidades diferentes dentro da mesma posição.
“No meu caso, por exemplo, estou no LinkedIn há cerca de dez anos. Ao longo desse período, fiz muitas outras coisas dentro da empresa, e meu perfil é constantemente atualizado para refletir mudanças de função, promoções, alterações de escopo ou novos projetos”, afirma Odri.
“Se a empresa lançou um produto novo e o profissional passou a cuidar dessa área, por exemplo, isso pode ser incluído no perfil. É como um cartão corporativo em tempo real: o perfil vai sendo atualizado conforme as coisas acontecem”, diz.
Conexão com pessoas relevantes na área
Para quem busca mudar de área ou ampliar o networking, uma das primeiras ações no LinkedIn é acompanhar profissionais que atuam no setor de interesse.
Isso ajuda tanto a construir relações quanto a entender quais temas estão sendo discutidos naquele mercado.
No LinkedIn, conteúdos relacionados a notícias e tendências costumam gerar bastante engajamento. Acompanhar especialistas da área pode ajudar a compreender essas discussões e a participar delas.
“Vale a regra do bom senso para solicitar conexões com as pessoas da área. Um caminho natural é começar seguindo esses profissionais e interagindo com eles nos espaços públicos da plataforma, como comentários e publicações”, afirma Odri.
A plataforma também possui algumas camadas de privacidade que limitam solicitações de conexão em determinados casos. Em algumas situações, só é possível adicionar alguém se houver um vínculo prévio, como ter trabalhado na mesma empresa ou possuir o e-mail da pessoa.
Ainda assim, muitos profissionais conseguem iniciar conversas com desconhecidos e desenvolver relações profissionais ao longo do tempo.
Segundo Odri, também é importante ser seletivo ao aceitar conexões. Adicionar todos os contatos indiscriminadamente pode dificultar a organização do feed e reduzir o foco em temas relevantes para a carreira.
Entre os comportamentos que devem ser evitados está abordar de forma insistente profissionais muito específicos — como o CEO de uma empresa — enviando várias mensagens ou pedindo emprego repetidamente em comentários.
Produção de conteúdo pode ajudar a ganhar visibilidade
Criar conteúdo também pode contribuir para aumentar a visibilidade do perfil na plataforma.
O LinkedIn permite diferentes formatos de publicação, como vídeos, documentos, apresentações, fotos, gráficos, posts curtos, textos longos, artigos e newsletters.
"Como as audiências variam de acordo com o setor, não existe um único formato que funcione para todos. Alguns públicos preferem conteúdos baseados em dados e gráficos, enquanto outros se interessam mais por histórias aprofundadas ou por vídeos", afirma Odri.
Por isso, a recomendação é testar diferentes formatos e identificar quais funcionam melhor para cada público.
“O LinkedIn não premia apenas a frequência de publicação. O algoritmo prioriza qualidade e relevância.”
Conteúdos que compartilham aprendizados profissionais, trazem discussões relevantes sobre o mercado ou apresentam experiências práticas costumam gerar mais engajamento.
Conversas sobre referências importantes do setor — como livros, estudos ou exemplos de outras áreas — também podem ampliar o debate e ajudar o profissional a se destacar na plataforma.
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