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De cochilos a leituras, práticas envolvendo até evitar reuniões aparentam ser contraintuitivas, mas acabam se mostrando eficazes para a produtividade de CEOs

A produtividade máxima é o primeiro pensamento que surge quando se fala na rotina de CEOs, gestores de grandes negócios — exceto para alguns deles mesmos.
Esse é o caso de Scott Kirby, o CEO da United Airlines, que cochila por 20 minutos, todos os dias, no chão de seu escritório. O que aparenta desconfortável, para ele, é indispensável para o seu rendimento e sucesso.
Ele também zela pela sua saúde mental, e evita esgotá-la estabelecendo espécies de “rituais” em sua rotina diária, como ler e ter um limite de horas destinadas a reuniões profissionais.
Em sua justificativa, o CEO diz que o cansaço não é adequado para a tomada de decisões importantes e que reuniões intermináveis roubam o tempo em que ideias brilhantes poderiam surgir.
Esses hábitos não são exclusivos de Kirby, que comanda uma das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos. Diretores de outros grandes negócios, como o Airbnb e a Southwest Airlines também adotam comportamentos similares.
Em entrevista à McKinsey & Company, uma das principais consultorias globais em gestão, Scott Kirby revelou que, desde o início de sua carreira, cochila por 20 minutos.
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O mais inusitado é que ele faz isso deitado no chão do próprio escritório. Em vez de desconfortável, o que ele considera um “truque” foi justamente o que o ajudou a gerir uma companhia avaliada em mais de US$ 30 bilhões.
Isso porque o CEO acredita que o hábito o fez render mais do que qualquer outra atividade no mesmo intervalo, já que a capacidade decisória — essencial na realização das atividades cotidianas de um CEO — é profundamente afetada pelo cansaço.
Em um ambiente como a United Arlines, que emprega cerca de 100 mil pessoas e opera sem pausa, a tolerância a erros é praticamente inexistente. Deslizes geram consequências que vão desde riscos de segurança até perdas financeiras.
Dessa forma, torna-se até chocante quando líderes como Scott Kirby priorizam a desaceleração e normalizam o descanso, essenciais para que ele se mantenha em alerta diante chamadas críticas.
Além de sonecas revigorantes, Scott Kirby destacou outros hábitos e limites que adotou em sua rotina a fim de evitar um burnout, o esgotamento emocional extremo.
Um dos principais limites impostos pelo CEO é dedicar no máximo quatro horas do seu dia a reuniões. Isso porque ele prefere utilizar mais de seu tempo para ligar para outras pessoas, investir em seu intelecto, ou simplesmente refletir.
Ao descrever o seu dia, ele o classifica como “até não tão estruturado”, mas afirma que se esforça para ser o mais eficiente possível — algo que ele julga não depender de longas reuniões, e sim de tempo para pensar e se informar sobre diferentes assuntos.
O CEO acrescenta que lê, todos os dias, por cerca de três horas. Segundo ele, a leitura o dá ideias para o seu negócio, até mais do que se estivesse presente em reuniões intermináveis.
O apreço pelo descanso e pela eficiência não é um sentimento exclusivo de Scott Kirby. Outros CEOs também adotaram atitudes similares a dele.
É o caso de Bob Jordan, diretor executivo da Southwest Airlines. Em seu calendário semanal, todas as suas tardes de quarta, quinta, e sexta são reservadas e livres de reuniões.
Segundo Jordan, isso serve para proteger o tempo dedicado a pensar no que realmente importa no momento. Ele enfatiza ainda que estar em reuniões não equivale necessariamente a liderar ou trabalhar, o que ele considera uma confusão comum, sobretudo no início da carreira.
Brian Chesky, o CEO do Airbnb também preza por preservar o próprio tempo, evitando reuniões e a escrita de e-mails. Em vez disso, prefere enviar mensagens ou ligar.
Ele também adia todas as reuniões, quando necessárias, para depois das 10 da manhã — algo que faz sem culpa, pois considera que a posição de alto escalão que ocupa lhe permite decidir a hora de se reunir.
O que essas figuras de destaque têm em comum, além do cuidado com a saúde e o bem‑estar mental, é o bom aproveitamento do tempo, o que vai além de rotinas tóxicas de produtividade.
Segundo os executivos, essa abordagem é justamente o que torna uma liderança eficaz, além de ser um ponto crucial para diferenciá-la de uma simples gestão.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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