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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

OPORTUNIDADE SEGUE NA MESA

Vale (VALE3) tropeça e ação cai 6,8% em março, mas mineradora está longe do fim da linha com dividendos extraodinários à frente

Na leitura do mercado, o movimento de queda dos papéis nos últimos 30 dias tem menos a ver com as tensões geopolíticas e mais com fatores específicos

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
31 de março de 2026
18:14 - atualizado às 18:16
Montagem traz um fundo com minério de ferro, uma mão segurando um punhado de minério do lado esquerdo, um gráfico em vermelho e verde na parte inferior e o logo da Vale na parte superior direita.
Vale - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ iStock/ Canva Pro

Em meio a um mês turbulento para os mercados globais, com a guerra no Oriente Médio, a Vale (VALE3) até viu suas ações recuarem na bolsa brasileira — mas segue longe de perder o posto de queridinha dos analistas.

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Em março, os papéis da mineradora acumularam queda de 6,77%, mas VALE3 encerrou o último pregão do mês com alta de 3,75%, cotada a R$ 82,47.

Na leitura do mercado, o movimento de queda em março tem menos a ver com as tensões geopolíticas e mais com fatores específicos, como as dinâmicas na China.

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“Tivemos uma forte alta da ação da Vale em 2025 (+49%) e neste ano (+14,6%), mesmo com a queda em março. Como o preço do minério de ferro se mostra resiliente, na faixa de US$ 117 por tonelada, o que justifica a queda da ação no mês é um movimento de realização. Não ocorreu mudanças de fundamentos para a empresa ou setor”, afirma Pedro Galdi, analista da AGF.

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Na mesma linha, Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, reforça que a correção recente não altera a tese para a companhia.

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“Com relação à tese, não mudou nada que explique esse movimento. Inclusive, o minério continuou em um nível interessante”, diz.

Para ele, o ajuste reflete uma combinação de fatores. “Parece muito mais um movimento de realização — já que o papel tinha subido bastante — com alguma possível rotação dentro da classe de commodities para petróleo, que estava subalocado e voltou a ganhar apelo com a guerra”, afirma.

Hungria também chama atenção para o pano de fundo global. “Há ainda uma redução de risco nesse contexto de maior aversão, o que acaba pressionando ativos mais expostos ao ciclo global”, completa.

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Vale lembrar que as ações da Vale entraram em 2026 cotadas na casa dos R$ 72, passaram de R$ 90 na segunda semana de fevereiro, quando também atingiram o pico intradiário de R$ 91,62, para depois voltar para a casa dos R$ 80 mesmo com os ataques de EUA e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro.

Números do minério ajudam a sustentar a teoria

O contrato do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, com entrega para maio de 2026, fechou março a US$ 116,99 por tonelada — alta de 7,7% no mês e o maior ganho mensal desde julho de 2025.

Na mesma direção, o contrato para maio negociado na bolsa de Singapura avançou 7,8%, para US$ 105,5 por tonelada, marcando o melhor desempenho mensal desde setembro de 2024.

“Como o preço da ação subiu forte e ficou próximo ao consenso de preço justo, é natural uma realização, independentemente do bom momento de preços para o minério de ferro”, acrescenta Galdi.

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China, oferta e logística ditam o ritmo

O Bradesco BBI chama atenção para um ambiente ainda volátil no minério de ferro, em meio a um cenário global ainda marcado por restrições de oferta e sinais construtivos de demanda na China.

“As intervenções regulatórias na China — agora novamente incidindo sobre cargas da BHP e possivelmente avançando para outros blends australianos — reforçam a percepção de que o mercado continuará sujeito a ajustes administrativos”, dizem os analistas.

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Ao mesmo tempo, há sinais de recuperação da demanda. “A normalização gradual da atividade vem sustentando uma recuperação mais consistente do lado da demanda”, afirma o BBI.

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Do lado da oferta, o cenário segue apertado. “Esse cenário se choca com um quadro de oferta ainda sensível, agravado pela pressão sobre custos logísticos, o que fornece sustentação adicional às cotações”, destaca.

Vale segue barata?

Mesmo diante desse cenário, a tese estrutural da mineradora permanece intacta para boa parte do mercado.

Em relatório recente, o JP Morgan reiterou recomendação de compra para VALE3, e reforçou que a companhia segue negociando com desconto em relação aos pares globais.

“A Vale permanece como a opção mais barata no setor”, afirma o banco.

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A JP Morgan manteve preço-alvo de R$ 96 para as ações no Brasil e de US$ 18 para os ADRs negociados em Nova York.

Mesmo em um cenário mais desafiador, com tensões no Oriente Médio, clima adverso na Austrália e incertezas na China, a avaliação é que a mineradora brasileira continua bem-posicionada.

Segundo o banco, a Vale negocia atualmente a cerca de 4,6 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), enquanto concorrentes operam próximos de 5,1 vezes.

Além disso, os analistas avaliam que a mineradora lidera em geração de caixa. O banco projeta um rendimento de fluxo de caixa livre (FCL) de aproximadamente 8,3%, acima da média de 6,2% do setor.

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O BTG Pactual também mantém uma visão construtiva para a tese de rendimentos da Vale.

Após reuniões com executivos da companhia na semana passada, o banco reiterou a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 85 para VALE3 e de US$ 15 para os ADRs, destacando que ainda há espaço para surpresas positivas à frente.

“Enxergamos mais chance de revisões para cima de lucro do que de cortes”, afirmam os analistas, em relatório.

Mesmo com o cenário geopolítico instável, a avaliação é que a Vale está preparada para atravessar o período.

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“O momento é claramente volátil, com a guerra no Oriente Médio se desenrolando de forma imprevisível, mas a Vale parece bem preparada”, diz o BTG.

Além disso, o banco aponta que a empresa segue capturando preços favoráveis. “A Vale se beneficia de preços de minério de ferro em torno de US$ 110 por tonelada, cerca de US$ 10 acima do consenso”, diz.

Do lado da demanda, o diagnóstico também é positivo. “A demanda chinesa é descrita como resiliente/estável, com prêmios de qualidade ainda saudáveis”, afirmam os analistas, citando o minério de Carajás com prêmio ao redor de US$ 17 por tonelada.

Mais dividendos para os acionistas da Vale?

Com esse pano de fundo, cresce a expectativa de retorno aos investidores.

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Segundo o BTG, o cenário atual favorece revisões positivas de lucro e uma geração de caixa robusta. “Os dividendos extraordinários parecem cada vez mais prováveis daqui para frente, à medida que os fluxos de caixa continuam surpreendendo positivamente”, destaca.

O banco avalia que a companhia está “bem-posicionada para gerar fluxo de caixa livre sólido em 2026” — o que abre espaço para distribuição adicional de recursos.

“Esperaríamos que a companhia retornasse o excesso de caixa aos acionistas, seja por meio de dividendos extraordinários e/ou recompras”, afirmam os analistas.

A estimativa do BTG indica um potencial de retorno em caixa de cerca de 9% em 2026.

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Nem todo mundo concorda com a tese

Nem todo o mercado, porém, está na mesma página. A XP Investimentos mantém recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 71, e avalia que parte da distorção recente já foi corrigida.

“À medida que continuamos a ver riscos negativos para os preços do minério de ferro, o recente desempenho superior das ações da Vale limita nosso upside adicional daqui para frente. Ainda assim, vemos a Vale como uma alternativa mais atrativa entre as mineradoras globais”, afirma a corretora.

A XP estima que a Vale poderia pagar cerca de US$ 500 milhões em dividendos extraordinários neste ano sem piorar a dívida líquida. Isso indicaria um retorno em dividendos (dividend yield) na faixa de 7% a 8% no período.

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