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Desde o início do ano, o papel da holding já saltou 17% — acima do Ibovespa, que sobe 13,7% em 2026

As ações da Itaúsa (ITSA4) estão em um bom momento na bolsa. Desde o início do ano, o papel já saltou 17% — acima do Ibovespa, que sobe 13,7% em 2026. Mas na visão do Bradesco BBI, a holding tem potencial para ir além graças a três fatores: um "presente" de R$ 8,7 bilhões, melhora no desempenho de companhias do grupo e um possível IPO (Oferta Pública Inicial) da empresa Aegea.
O banco tem recomendação de compra para a ação ITSA4 e calcula preço-alvo de R$ 15,40. Em relação à cotação desta segunda-feira (23), o potencial lucrativo chega a 13%.
E a holding se destaca por outra oportunidade de lucros: a remuneração aos acionistas. O Bradesco BBI estima um dividend yield de 9% para a Itaúsa, "menor assimetria negativa e capacidade crescente de distribuição".
Entenda a seguir o que está em jogo para impulsionar as ações.
Segundo o Bradesco, um dos principais gatilhos é a reforma tributária, que entra em vigor em 2027 e deve eliminar grande parte da ineficiência da tributação brasileira.
Atualmente, os juros sobre capital próprio (JCP) recebidos do Itaú (ITUB4) sofrem incidência de cerca de 9,25% de PIS/Cofins. Além disso, como a Itaúsa detém participação indireta no banco por meio da Iupar (Itaú Unibanco Participações S.A.), há uma dupla incidência tributária — o que amplia essa ineficiência.
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Na prática, se o Itaú declarar R$ 1 mil em juros sobre capital próprio, a holding teria direito a R$ 372. No entanto, após os impostos, apenas R$ 323 são efetivamente recebidos — uma perda de R$ 49, equivalente a 13,2% do valor bruto.
"Essa ineficiência ocorre porque a Itaúsa distribui os juros com base no valor bruto declarado pelo banco, enquanto absorve o ônus tributário em sua estrutura", dizem os analistas.
Com a reforma tributária, os impostos deixarão de incidir sobre dividendos e lucros de subsidiárias, eliminando esse problema.
"Assumindo um custo de capital próprio de 15,5%, crescimento de 6% e nossas projeções para 2027, estimamos um valor incremental de R$ 8,7 bilhões com o fim dessa ineficiência", afirmam.
Em teleconferência de resultados, Alfredo Setubal, CEO da Itaúsa, afirmou que a companhia calcula uma economia de R$ 850 milhões em despesas tributárias após a mudança.
"Isso indica que, possivelmente, não precisaremos fazer nenhuma chamada de capital para amortizar a dívida — o próprio fluxo de caixa será suficiente. E, se os juros caírem, como esperamos, ainda deve sobrar recurso", disse.
É esperado também que as outras empresas do grupo, como Alpargatas (ALPA4) e Motiva (MOTV3), sejam ainda mais relevantes para a Itaúsa.
Atualmente, a holding usa os resultados das empresas fora do setor financeiro para cobrir despesas recorrentes, principalmente:
Com despesas administrativas em linha com a inflação e redução da alavancagem, as despesas financeiras devem cair. O fim da tributação e a melhora operacional das investidas são a cereja do bolo, segundo o banco. Ou seja, deve haver mais geração de caixa.
E o setor não financeiro deve continuar apresentando desempenho positivo. “A partir de 2027, esperamos expansão relevante do lucro e da geração de caixa, o que pode se traduzir em maior distribuição aos acionistas”, dizem os analistas.
Na teleconferência, o CEO reforçou que os recursos adicionais poderão ser direcionados tanto para novos investimentos quanto para dividendos extras.
"Normalmente, distribuímos o que recebemos do Itaú, mas, dependendo do cenário, podemos fazer pagamentos adicionais", afirmou.
Outro ponto que pode destravar valor é um possível IPO da Aegea.
Recentemente, a holding atualizou o valor justo da companhia para R$ 5,6 bilhões, um aumento em relação à cifra anterior de R$ 2,4 bilhões. Ou seja, o número mais que dobrou. A revisão considera um aumento de capital que precificou as ações a R$ 55,29.
Com isso, a Itaúsa elevou sua participação total na Aegea para 13,27% — o percentual anterior era 12,82%.
A Aegea iniciou o processo para contratação de assessores financeiros e legais para uma possível oferta inicial de ações no final do ano passado e, em fevereiro, comunicou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou a conversão do registro de valores mobiliários para a categoria "A".
Na prática, essa categoria é o tipo de registro que permite que uma empresa emita ações na bolsa. Ou seja, isso representa um primeiro passo caso a companhia queira, de fato, realizar um IPO.
*Com informações do Money Times
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