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Apesar da fuga de US$ 44 bilhões dos emergentes, país atrai capital e pode se beneficiar quando o cenário virar; veja onde investir, segundo o banco

Mesmo com a fuga de US$ 44 bilhões dos mercados emergentes diante da escalada do conflito no Irã, o Brasil segue no radar do Goldman Sachs como um dos principais destinos para o dinheiro estrangeiro. Na visão do banco, o país está bem posicionado para capturar esse fluxo e ainda oferece oportunidades claras em ações.
Enquanto praças como Taiwan e Coreia do Sul viram saídas expressivas de capital, o Brasil nadou contra a corrente e registrou entrada líquida de cerca de US$ 900 milhões no período.
Ainda assim, o EWZ — ETF que replica a bolsa brasileira em Nova York — caiu perto de 3%, pressionado por realização de lucros em papéis domésticos, mesmo com o impulso das petroleiras.
Para os estrategistas, o “kit Brasil” segue atraente: o país se beneficia da alta do petróleo, com exportações líquidas que devem girar em torno de 2 milhões de barris por dia em 2026.
Além disso, negocia a múltiplos descontados (preço sobre lucro de cerca de 9,6 vezes) e ainda carrega no horizonte a expectativa de corte de juros ao longo do ano.
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O Goldman mantém como cenário-base uma redução de 2 pontos percentuais (pp) na taxa Selic (hoje em 14,75%) em 2026, assumindo que o choque geopolítico seja temporário. Juros mais baixos, segundo o banco, tendem a destravar múltiplos e impulsionar ativos domésticos.
Dentro desse contexto, os analistas selecionaram ações que combinam drivers micro positivos e menor risco de resultados, divididas entre cíclicas — mais sensíveis à queda de juros — e defensivas.
Entre as cíclicas, o banco destaca nomes como BTG Pactual (BPAC11), B3 (B3SA3), Nubank (NU), Lojas Renner (LREN3), Smart Fit (SMFT3), Cyrela (CYRE3), GPS (GGPS3), C&A (CEAB3) e Vibra (VBBR3).
A tese comum passa por maior atividade econômica, retomada do mercado de capitais e melhora na renda disponível com a queda da Selic.
“No caso do BTG, vemos potencial de crescimento com a retomada da atividade em investment banking, crédito corporativo e gestão de recursos, mantendo ROE [retorno sobre o investimento] próximo de 25%”, afirmam os analistas.
Para a B3, o banco aponta que a queda de juros tende a impulsionar volumes de negociação, com migração de investidores da renda fixa para a renda variável, além de maior entrada de estrangeiros.
Já no varejo, nomes como Renner e C&A devem se beneficiar da melhora do consumo, enquanto a Smart Fit combina expansão com resiliência mesmo em cenários mais desafiadores.
Entre os financeiros, o Nubank segue como uma das principais apostas estruturais, com crescimento acelerado de crédito na América Latina e expansão internacional.
No grupo de defensivas, o Goldman recomenda Copel (CPLE3), Equatorial (EQTL3), Sabesp (SBSP3), Multiplan (MULT3) e Rede D’Or (RDOR3), empresas com demanda mais resiliente e sensibilidade positiva à queda de juros.
“Vemos a Equatorial como uma das melhores alocadoras de capital do setor, enquanto a Sabesp combina valuation atrativo com catalisadores relevantes no curto prazo”, destacam.
De forma geral, a carteira negociaria com desconto de cerca de 15% em relação às médias históricas, além de alavancagem controlada (em torno de 2 vezes dívida líquida/Ebitda — ou seja, um nível considerado saudável, que indica que as empresas levariam cerca de dois anos para quitar suas dívidas com a geração de caixa atual).
O banco reforça recomendação de compra para todos os nomes citados, com destaque para BTG (preço-alvo de R$ 67), B3 (R$ 22), Vibra (R$ 38), Sabesp (R$ 151), Equatorial (R$ 45), Rede D’Or (R$ 47) e Cyrela (R$ 34), entre outros.
*Com informações do Money Times
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