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FUJA DO ÍNDICE, FOQUE NAS AÇÕES

Tudo parece bem no S&P 500. O Bank of America discorda e tem 7 motivos para isso 

Sete de dez alertas que historicamente antecedem quedas expressivas no S&P 500 já disparam — banco diz que hora de ser seletivo chegou; saiba o que comprar agora na bolsa norte-americana

Imagem traz a bandeira dos EUA ao fundo. Em primeiro plano, uma mão segurando o índice S&P 500.
Imagem: takasuu/istock

O S&P 500 sobe 11% no ano. Os lucros das empresas estão crescendo. À primeira vista, tudo parece bem. Mas nem todo mundo está comemorando. Para o Bank of America, sinais de alerta se acumularam rápido demais para serem ignorados e a hora de embolsar lucros chegou. 

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O BofA acompanha dez indicadores que, historicamente, aparecem antes de grandes quedas no mercado norte-americano. Em maio, dois novos foram acionados. O placar atual: 7 de 10 sinais disparados — exatamente a média observada nos picos de mercado anteriores, desde 1990. 

Para o investidor entender melhor: em julho de 1990 e março de 2000, às vésperas de quedas significativas, o S&P 500 marcava 88% e 90%, respectivamente. Hoje está em 70% — e subiu de 50% para 70% apenas nos últimos dois meses. 

Entre os alertas do BofA que acenderam em maio, dois chamam atenção especial. O primeiro: as ações mais caras da bolsa — as de maior preço sobre lucro (P/L) estão superando as mais baratas por uma margem larga, um sinal clássico de especulação excessiva.  

O segundo: as expectativas de crescimento de longo prazo das empresas do S&P 500 atingiram o nível mais alto desde o início de 2022, bem acima da média histórica — quando essa métrica sobe demais, os retornos futuros da bolsa tendem a ser piores. 

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O fantasma da bolha de tecnologia  

O alerta mais chamativo do BofA é a comparação com fevereiro de 2000 — um mês antes do estouro da bolha das empresas de internet

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Dentro do setor de tecnologia, a diferença de desempenho entre as companhias que mais subiram e as que mais caíram nos últimos três meses chegou a 120 pontos percentuais (pp). Em fevereiro de 2000, esse número era de 130 pp — e o pico do mercado veio em março daquele ano. 

O paralelo não para por aí. O banco lista três semelhanças diretas com aquele momento: o setor de energia ocupa o topo do ranking de atratividade (como em 2000), tecnologia e comunicações aparecem em segundo lugar com valuation esticado, e o setor de consumo básico, como empresas de alimentos e higiene, está na última posição.  

Em 2000, esse mesmo setor desprezado foi o que mais protegeu os investidores: superou todos os outros e bateu o S&P 500 em 73 pp entre março de 2000 e outubro de 2002, quando o índice atingiu o fundo do poço. 

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Há ainda um detalhe preocupante sobre as gigantes de tecnologia — as chamadas hyperscalers, como Meta, Microsoft, GoogleAmazon e Oracle

Segundo o BofA, os investimentos em infraestrutura — os famosos gastos com data centers e inteligência artificial — devem consumir praticamente 100% do caixa operacional dessas empresas até o fim de 2026. Em 2023, essa proporção era de 40%.  

O banco reconhece que o percentual ainda não atingiu o nível extremo do setor de telecomunicações em 2001 — quando chegou a 140% —, mas a trajetória preocupa. 

A bolsa está cara... em quase tudo 

O BofA analisa o S&P 500 por 20 métricas de valuation diferentes. Em 17 delas, o índice está mais caro do que a média histórica. 

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O preço sobre lucro futuro está em 21,2 vezes, contra uma média histórica de 16,1 vezes. O valor de mercado total das empresas equivale a 2 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano — a maior proporção já registrada na série histórica, que começa em 1964. A relação preço sobre valor patrimonial está em 5,8 vezes, também no máximo histórico. 

O banco faz uma ressalva: comparar o valuation de hoje com o das décadas anteriores é como comparar laranjas com maçãs, já que a composição da bolsa mudou muito — agora ela é dominada por empresas de tecnologia e inovação, que naturalmente negociam a múltiplos mais altos.

Ainda assim, o quadro geral pintado pelo BofA é de uma bolsa longe de ser barata. 

Não é para vender tudo

O Bank of America tem um preço-alvo de 7.100 pontos para o S&P 500 até o fim do ano. Com o índice próximo a 7.580 pontos na data do relatório, isso representa uma queda potencial de 6% a partir dos níveis atuais. 

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A recomendação do banco não é vender tudo e fugir. É ser seletivo.  

“Enxergamos oportunidade nas ações do S&P 500, mas não no índice como um todo”, diz o time liderado por Savita Subramanian.  

Para o banco, o índice cheio, que reflete as maiores empresas com maior peso, é o problema. Escolher bem as ações individuais, por outro lado, ainda pode valer a pena. 

Na visão dos analistas, os setores com melhor combinação de momento, revisões de lucro e valuation atrativo são energia, mineração e saúde — justamente os que o mercado tem deixado de lado enquanto corre para tecnologia.  

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Do outro lado, os setores que aparecem como armadilhas de valor — baratos no papel, mas sem catalisadores — incluem telecomunicações, mídia e equipamentos de saúde

Para o investidor pessoa física com exposição à bolsa norte-americana — seja via BDRsETFs ou fundos internacionais —, o recado do BofA é o seguinte: o rali do ano foi real e foi saudável, puxado por lucros e não por euforia de múltiplos. Mas os alertas estão piscando com uma frequência que, no passado, sempre antecedeu turbulência.  

Por isso, a hora é de revisar o quanto está concentrado em tecnologia e pensar se os “chatos” da carteira não merecem um pouco mais de espaço. 

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