Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Embora seja costume dizer que o ano só começa depois do Carnaval, a realidade é que 2026 já começou para os investidores. Agora, é hora de olhar para a carteira e colocar na balança quais são os melhores ativos para começar o ano bem.
Nas últimas edições da série Ação do Mês, os papéis de bancos e de elétricas dominaram o pódio, embalados por previsibilidade de retornos e bom desempenho na bolsa. Porém, no mercado financeiro, ganho passado não é sinônimo de ganho futuro — e, desta vez, é justamente uma ação que apanhou durante dezembro que agora fica sob os holofotes do mercado.
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro, conquistando a medalha de ouro no ranking de ações mais indicadas para investir em janeiro.
Focada no segmento de habitação popular, a Direcional tem mais de 40 anos de atuação e está presente em 13 estados, sendo uma das principais referências do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Na avaliação da Planner, que indicou o papel, a realização de lucros na ação em dezembro abre uma nova oportunidade para investidores com visão de médio prazo.
Confira o ranking completo das ações mais indicadas para janeiro:
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*Entendendo a Ação do Mês: todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são as apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 papéis, os analistas indicam os três prediletos. Com o ranking nas mãos, selecionamos os que contaram com pelo menos duas indicações.
Direcional: resultados robustos e a ajudinha do MCMV
Mesmo com a queda no valor no último mês do ano, a ação acumulou mais de 90% de ganhos em 2025. E a Direcional não deixou seus investidores de mão abanando. Em dezembro, anunciou a distribuição de dividendos intermediários no valor total de R$ 804,3 milhões.
Além disso, a empresa também não vem decepcionando quando o assunto é resultado. Segundo a Planner, a companhia encerrou os nove meses de 2025 com números bastante expressivos no desempenho operacional e financeiro.
Para Mário Roberto Mariante, analista da corretora, o bom momento do mercado imobiliário em 2025, especialmente nos segmentos de habitação popular, permitiu à Direcional lançar R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre. A empresa bateu um recorde de lançamentos no período ao indicar um aumento de 54% na comparação anual.
“Vemos a Direcional posicionada para repetir mais um bom desempenho operacional e resultados expressivos em 2026, permitindo a recuperação da ação sobre a queda recente”, afirmou o analista em relatório.
Já na avaliação do Santander, que também recomendou o papel em janeiro, a empresa possui potencial para acelerar ainda mais os lançamentos, devido a “um ambiente competitivo mais racional” e às recentes mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida, como a criação da Faixa 4.
Os analistas do banco destacam também que a Direcional combina valuation atrativo com crescimento robusto de lucros. O Santander indica preço-alvo de R$ 16,70 para 2026.
Além disso, o banco estima um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) de aproximadamente 8% neste ano. A expectativa é que a empresa também registre expansão de 42% no retorno sobre patrimônio líquido (ROE), nos resultados finais de 2025.
Outros pontos que sustentam a tese da Direcional, segundo o Santander, são a exposição a regiões geográficas com baixos níveis de concorrência e a estratégia de diversificação de portfólio e de captação.
Riscos no horizonte
Apesar dos fundamentos sólidos, há riscos na tese da Direcional (DIRR3). Em um ano que será marcado pela volatilidade devido às eleições presidenciais ao final de 2026, o timig da queda dos juros pode se tornar um inimigo da companhia.
Isso porque, caso haja uma deterioração no cenário fiscal e o Banco Central (BC) frustre o mercado, mantendo os juros no patamar atual de 15% ao ano, o setor de construção civil pode voltar a sofrer pressão na bolsa, mesmo com resultados operacionais resilientes.
Além disso, mudanças na execução do programa MCMV também podem afetar o volume de lançamentos e a previsibilidade de vendas da Direcional.
Há ainda o risco de novas oscilações no mercado, mesmo após a forte correção das ações DIRR3 em dezembro, e as pressões da inflação, que podem impactar as margens da construtora.
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